Neymar foi o nome do Paris Saint-Germain no jogo contra o Manchester United, pela Champions League. Embora os ingleses tenham criado muitas chances, o brasileiro fez dois gols e foi decisivo para que seu time vencesse, fora de casa, e saísse com a vitória. Uma das suas frases mais fortes foi dada em entrevista ao Esporte Interativo, logo depois do jogo, quando afirmou que “não foi para lá para jogar Europa League com o Paris Saint-Germain”.

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O atacante já tinha feito cobranças em relação ao desempenho do time e a um jogo mais coletivo. Segundo o jogador, foi interpretado de forma errada que ele estava cobrando mais companheirismo dos colegas, mas ele cobrou sim um jogo mais coletivo. O PSG cedeu muitas chances ao Manchester United na partida, mas de fato jogou de forma mais coletiva na partida – à parte um lance isolado que Neymar reclamou com Kylian Mbappé por não ter passado a bola, e realmente poderia ter feito.

“Não pode desistir do sonho da Champions League. Só que mudamos e hoje sonhamos com ela de novo. Nunca me vi fora da Champions League, nunca me vi jogando Europa League ou ficando de fora. Isso nunca passou pela minha cabeça e nem vai passar. Sempre passou pela minha cabeça que chega nesses momentos de dificuldade e eu consigo crescer, chamar a responsabilidade, seja da qual forma seja ela. Eu não vim para cá para jogar Europa League com o Paris Saint-Germain”, afirmou Neymar.

A vitória deixou o PSG em uma situação relativamente confortável para se classificar. Basta vencer o Istambul Basaksehir, em casa, na próxima semana, que estará nas oitavas de final. Até porque os outros dois concorrentes, Manchester United e RB Leipzig, se enfrentam na Alemanha. Se o time da Red Bull vencer, avança; empate ou vitória do United leva os ingleses ao mata-mata.

A atuação de Neymar foi decisiva e ele, de fato, assumiu um papel de líder, além do protagonista que naturalmente é desde que chegou, em 2017. O PSG precisa que Neymar seja o jogador central do time, que assuma sua responsabilidade e, principalmente, decida nos momentos-chave, como foi nesta partida contra o United. Nas duas primeiras temporadas pelo clube, as lesões tiraram o brasileiro do momento decisivo do PSG na Europa. Na temporada passada, com ele em campo, o time parisiense foi até a final, com boas atuações do jogador.

Neymar, do PSG, arranca contra o Manchester United (Laurence Griffiths/Getty Images/OneFootball)
Neymar, do PSG, arranca contra o Manchester United (Laurence Griffiths/Getty Images/OneFootball)

O atacante contornou uma situação difícil na temporada passada, criada, aliás, por ele mesmo. Ao declarar publicamente o desejo de sair, criou uma guerra com a gestão do clube. Os donos bateram o pé e deram a Leonardo, diretor esportivo, a missão de mantê-lo em Paris, ainda que a contragosto. A partir daí, ele resolveu falar menos e jogar mais. Foi assim em campo e levou o time à final.

A situação sobre a sua permanência segue indefinida. As informações variam, mas há otimismo no PSG sobre uma renovação de contrato, que atualmente vai até 2022. Curiosamente, o ano da Copa do Mundo (que será realizada após o fim do contrato do jogador, que vence em junho, enquanto o Mundial será em novembro e dezembro). A equipe do jogador, porém, tratou de desmentir a jornais franceses que uma renovação estava em vias de ser assinada.

É preciso todo esse contexto para vermos a declaração de Neymar sobre Messi. Ele foi perguntado sobre o craque e deixou claro que quer jogar novamente com o argentino. Deu a entender que quer Messi em Paris, já que o contrato com o Barcelona vai somente até junho de 2021.

“O que mais quero é voltar a jogar com ele para poder desfrutar com ele novamente dentro de campo. Ele pode jogar no meu lugar, não tem problema. Quero voltar a jogar com ele e temos que fazer isso no próximo ano”, afirmou Neymar ao Esporte Interativo.

É difícil imaginar Lionel Messi em Paris, ainda que o seu contrato de fato esteja acabando e isso o permitirá escolher o seu destino. O Manchester City ainda é uma opção viável, ainda mais com a renovação de Pep Guardiola. Além, claro, de uma permanência no próprio Barcelona, já que o presidente Josep Maria Bartomeu deixou o cargo e as eleições no clube catalão acontecem no início do próximo ano.

Seja como for, Neymar não parece garantido no PSG, embora o cenário de pandemia (e pós-pandemia em breve, esperamos) dificulte para que os clubes gastem altas quantias para contratações. O Barcelona é um clube em crise, financeira inclusive, e por isso seria difícil imaginar que pagassem uma quantia vultosa para levar Neymar de volta. Até o fim da temporada, em maio, ainda tem muita água para rolar. Tanto para Messi, quanto para Neymar. Veremos se o desejo do brasileiro será possível de ser realizado e também onde.