Champions League

Na Europa, a Espanha tem muito mais que dois times fazendo sucesso

A Espanha se tornou o primeiro país a emplacar cinco representantes em uma só edição da Champions League, com o Valencia avançando à fase de grupos da competição após eliminar o Monaco na última fase dos playoffs. O número só foi possível por causa do sucesso do Sevilla na Liga Europa da temporada passada, cujo título lhe garantiu um lugar na principal competição europeia. A boa fase dos espanhóis, no entanto, não é nada pontual, mas, sim, a continuação de uma sequência de ótimas campanhas em torneios continentais, que deixou o país na liderança isolada do ranking de países associados à Uefa.

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Para entendermos a supremacia espanhola, é preciso compreender a contagem que rege o ranking, que, por sua vez, determina o número de vagas para cada país nas competições europeias. Para se chegar ao coeficiente de cada um dos países associados, a Uefa contabiliza as campanhas dos clubes nas últimas cinco temporadas na Champions League e na Liga Europa.

Cada vitória nestas competições vale dois pontos, enquanto o empate vale um. A presença de cada equipe em diferentes fases, como oitavas de final, quartas, semis e final, vale um ponto extra. Além disso, a presença na fase de grupos e nas oitavas de final vale outros quatro pontos. A partir disso, divide-se o número total de pontos pelo número total de clubes que representem o país nas duas competições da Uefa. Soma-se então os pontos obtidos por cada federação nas cinco temporadas anteriores para que se chegue ao ranking final.

Atualmente, a Espanha lidera com 85,142, muito à frente da segunda colocada Alemanha, que tem 66,749. Inglaterra (65,034), Itália (60,605), Portugal (44,582), França (44,416) e Rússia (42,882) fecham o top 7.

O senso comum de quem não acompanha o futebol espanhol diz que La Liga é um campeonato de apenas duas equipes, Barcelona e Real Madrid, sem outros times fortes. É verdade que, nacionalmente, é difícil que outras equipes desafiem a dupla bilionária, mas o desempenho dos espanhóis em competições europeias tem sido muito bom, por muito tempo, para que seja ignorado.

Na campanha passada, enquanto o Barcelona levou o título da Champions League, o Sevilla ficou com a Liga Europa. As conquistas fizeram com que a disputa da Supercopa da Europa fosse, pela segunda vez seguida, entre espanhóis. Em 2013/14, o Real Madrid levara a Liga dos Campeões, enquanto o Sevilla, outra vez, era o campeão da competição europeia secundária. Em 2012/13, nenhum clube espanhol venceu uma competição europeia, e a campanha na Liga Europa, em especial, não foi grande coisa para os times da Espanha, mas, na Champions, o país emplacou três quadrifinalistas, e Barça e Real caíram apenas nas semifinais.

A temporada anterior, de 2011/12, última que entra na conta atual do coeficiente, fora, em geral muito boa para os espanhóis, com Barcelona e Real Madrid mais uma vez alcançando as semifinais da Champions League e com os times de segundo escalão do pais ibérico dominando como podiam a Liga Europa. A Espanha teve três representantes entre os semifinalistas, Atlético de Madrid, Valencia e Athletic Bilbao, e uma final 100% espanhola, entre Atleti e Athletic, vencida pelos Colchoneros.

Até 2008/09, a supremacia na Champions era inglesa. Com suas equipes indo bem em todas as edições anteriores, a Inglaterra teve dois representantes na final de 2008, entre Manchester United e Chelsea, e três equipes nas semifinais de 2009, com Chelsea, United e Arsenal ao lado do Barcelona, que venceria aquela final, dando um fim simbólico ao domínio inglês. Apesar de ainda mais rico agora, o futebol inglês não parece pronto para crescer em âmbito continental e voltar a ameaçar a soberania espanhola. Pelo contrário, com a péssima campanha dos ingleses em 2014/15, com o início claudicante de suas principais forças na Premier League 2015/16 e diante do crescimeno italiano na temporada passada, parece mais provável que sua briga seja para manter o terceiro lugar, que ainda garante quatro vagas na Champions, tomando cuidado para não serem ultrapassados pela Itália.

Tranquila, com todos os seus representantes vivos na Champions League (5) e na Liga Europa (2) e com as equipes bem preparadas para ambas as competições, talvez ainda leve um tempo para que vejamos a Espanha ter sua liderança no ranking da Uefa ameaçada.

Foto de Leo Escudeiro

Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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