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Mount saiu debaixo da asa de Lampard para marcar seu nome na história do Chelsea em temporada de consolidação

Mount foi o jogador mais regular do campeão europeu, com Lampard ou Tuchel, e será para sempre lembrado como o autor da jogada do gol do título da segunda Champions

Quando Mason Mount começou a ganhar destaque, era impossível não comparar. Até o biotipo guardava certa semelhança. Era um meia inglês, com capacidade de fazer gols, de soltar petardos indefensáveis de meia distância, e Frank Lampard não ajudou a amenizar o paralelo. Colocou-o sob sua proteção no Derby County e o promoveu ao time titular do Chelsea. Era um homem do treinador? Até certo ponto era. Mas o aspecto mais importante da temporada que Mount fez foi ter conseguido brilhar com outro chefe. Ou ter sido responsável pela jogada decisiva do segundo título europeu do Chelsea.

Pensando bem, esse segundo foi mais importante mesmo. Mas o primeiro não pode passar batido porque representa a consolidação de Mount como grande promessa da Inglaterra, independentemente de quem seja o seu treinador. Esse processo estava em andamento. Foi o jogador de ataque mais titular com Thomas Tuchel, o que menos ficou fora de jogos da Premier League entre Havertz, Pulisic, Timo Werner e ele.

Não foi por acaso. Em uma temporada de altos e baixos para o Chelsea, que começou com Frank Lampard armando um time que sabia atacar, mas não sabia defender, e terminou com Thomas Tuchel conquistando a Champions League com um time que sabe defender muito mais do que sabe atacar, ele foi o jogador mais regular. O mais constante. O que sempre buscava um jeito de destravar as barreiras adversárias.

Contra o Manchester City, a defesa do Chelsea prevaleceu. Foi uma exibição estupenda de todo o sistema defensivo, do qual Mount também faz parte, começando a marcação em posição mais adiantada do gramado. Não roubou nenhuma bola, mas tentou três vezes. Teve uma interceptação e um bloqueio. Não são números exorbitantes, mas indicam que ele deu a sua contribuição à destruição dos ataques do City.

A principal, claro, foi o lance do gol. Recebeu o passe de Chilwell, girou com rapidez e pensou com mais agilidade ainda para soltar o passe no buraco aberto pela movimentação de Timo Werner – e pela pressão fraca do City. Além de inteligência, o lance também evidenciou muita técnica porque o seu passe atravessou 30 ou 40 metros sem que ele tivesse muito tempo para puxar a perna e colocar força. Pegou velocidade porque foi um contato perfeito entre a sua chuteira e a bola.

Sob o ponto de vista histórico, marcou seu nome em um dos principais títulos do Chelsea, clube que defende desde os seis anos. Em uma análise mais contemporânea, chega com moral para a Eurocopa. Entre as principais promessas jovens da Inglaterra, talvez a que esteja em um melhor momento. Ele já vinha sendo um homem de confiança de Gareth Southgate. Foi titular nos últimos oito jogos, por Liga das Nações e Eliminatórias.

O que chama a atenção nessas partidas é a sua polivalência. Ele tem sido usado de todos os jeitos. Com três zagueiros, jogou como meia central ou um pouco mais avançado, em posição mais parecida à que faz no Chelsea. Com a mudança ao 4-3-3, fez parte do trio de meias, pela esquerda, chegando mais ao ataque, e também foi ponta. Em resumo: não importa o esquema, Mount vai jogar bastante.

Ao contrário de Lampard, que chegou ao Chelsea do West Ham um jovem adulto, Mount está no clube desde os seis anos. Não faz nenhuma diferença, no fim das contas. É meramente uma questão de sabor. Lampard está fincado na história do Chelsea para sempre, seu maior artilheiro, símbolo de seu momento mais vitorioso. Mount ainda está longe disso. Não sabemos nem metade deu que fará pelos Blues ou na sua carreira. Mas não dá para negar que começou muito bem.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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