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Liverpool teve temporada positiva, com muito a comemorar, mesmo que a tenha terminado com um gosto amargo

Os Reds perderam os dois títulos mais importantes em uma semana, mas a temporada apresentou caras novas, a renovação de Klopp e o retorno à competitividade

O Liverpool não pode reclamar de barriga cheia. Aproximadamente todos os clubes do mundo gostariam de ter conquistado dois títulos e disputado outro até a última rodada uma semana antes de jogar a final da Champions League. A temporada que se desenhava histórica ainda foi muito boa. Mas é difícil não sentir que ela termina com um gosto amargo, especialmente pela maneira como as duas principais conquistas escaparam em um intervalo de duas semanas.

Domingo passado, o Aston Villa não segurou a vantagem de dois gols que tinha contra o Manchester City, que acabou ficando com a Premier League. Neste sábado, na minha opinião o Liverpool não fez um jogo tão bom assim, mas seria natural o torcedor passar as próximas semanas remoendo o que poderia ter acontecido se uma das nove defesas de Courtois não tivesse acontecido ou se Alexander-Arnold tivesse percebido que Vinícius Júnior estava nas suas costas.

Como o Liverpool não fez gol em nenhuma das três finais que disputou nesta temporada, virou uma imagem fácil para as redes sociais, mas quem viu os duelos contra o Chelsea sabe o quanto foi incrível nenhuma bola ter entrado nas redes (nos dois lados). Não é necessariamente um problema com o qual Jürgen Klopp tem que se preocupar. Perdeu um pouco de fôlego? Provavelmente. Mas não tem o que fazer também. Klopp nunca trabalhou com um grupo tão grande quanto este no Liverpool, com cinco a seis jogadores de qualidade no ataque, cinco a seis no meio-campo, três zagueiros confiáveis, e relativamente houve poucas lesões, nenhuma muito séria.

Esse time simplesmente chegou ao seu limite. Disputou todos os jogos que um clube inglês não campeão europeu (ou seja, sem Mundial de Clubes) ou nacional (ou seja, sem Supercopa da Inglaterra) poderia disputar e perdeu apenas quatro deles. Dois desde o Natal, sendo que um não causou efeito negativo porque foi no jogo de volta das oitavas de final da Champions contra a Internazionale. É possível criticar alguns momentos, principalmente a virada de ano, que acabou custando a Premier League. Alguns jogos em que não esteve no seu melhor, como contra o Tottenham ou mesmo em Paris.

Mas a temporada como um todo foi positiva e trouxe alguns pontos que precisam ser comemorados, o principal deles o fato de que a anterior foi realmente apenas uma pane na máquina.

É fácil dizer isso agora, mas havia muita discussão sobre o futuro do Liverpool em meio àquela epidemia de lesões, em oitavo lugar na Premier League, correndo o risco de ficar fora da Champions, com Klopp parecendo cansado e questionamentos se era a hora de começar a fazer uma renovação profunda da equipe que havia conquistado a Inglaterra, a Europa e o Mundo. Não era, certo? O mercado trouxe uma ou duas adições, e os Reds voltaram para onde estavam antes da pandemia.

Essas foram outras boas notícias. Todos os últimos jogadores importantes que chegaram ao Liverpool, com uma notória exceção, precisaram de um pouco de tempo para se adaptar, e não foi diferente com Ibrahima Konaté. O zagueiro que sempre se cobrou para fixar uma parceria de qualidade com Virgil Van Dijk demorou para engrenar, em momentos nem pareceu titular de verdade, atrás de Joel Matip. Mas foi ele o escolhido para fazer dupla com o holandês na final de Paris e ele respondeu com uma atuação monumental, o melhor homem vestido de vermelho em campo. Ainda tem 23 anos.

A segunda boa notícia do mercado é a tal da notória exceção. O Liverpool venceu a concorrência pelo futebol de Luis Díaz e não vai se arrepender. O colombiano chegou voando, passou por cima de outros atacantes e se tornou titular ao lado de Mané e Salah. Que não tenha feito uma boa final em Paris, as suas atuações tranquilizam em relação ao futuro, no momento em que os contratos do senegalês, do egípcio e de Roberto Firmino estão chegando ao fim. Não se sabe exatamente qual será o ataque dos Reds nos próximos anos, mas uma das principais peças parece que já está no clube.

Anfield, onde o Liverpool perdeu seis jogos seguidos no começo de 2021, voltou a ser uma fortaleza. A nova invencibilidade pela Premier League já é de 23 partidas. Thiago se recuperou de um primeiro ano ruim e está puxando as cordinhas no meio-campo, Naby Keita finalmente conseguiu uma sequência e não dá para frisar o bastante que a mera possibilidade de ter disputado os quatro principais títulos até os últimos instantes é um feito em si, mesmo que apenas os dois menos importantes tenham sido conquistados.

Ah, e tem mais uma coisa: essa também foi a temporada em que Jürgen Klopp renovou o seu contrato com o Liverpool. Ficará até 2026. Está reenergizado pelo retorno das torcidas às arquibancadas de Anfield, cada vez mais enraizado na cidade, e não é nem absurdo imaginar que possa ficar até mais tempo. Como ele é a principal peça de todo esse quebra-cabeça, o Liverpool não precisa ficar preocupado com o seu futuro. Ele continua em boas mãos pelo menos pelos próximos quatro anos.

E no fim das contas, ganhou dois títulos. Na época dos Superclubes, pode parecer pouco, e talvez seja, dada a vantagem financeira que mesmo o Liverpool tem à maior parte dos participantes dos torneios que disputa, mas um clube que passou três décadas quase em branco não pode desdenhar de nenhuma conquista. Foi a primeira Copa da Inglaterra, muito valorizada por lá, em 16 anos e fechou um ciclo com todos os principais troféus sob o comando de Klopp.

Várias boas notícias, portanto, e tudo indica que o Liverpool competirá novamente na próxima temporada, mesmo que se preveja uma certa renovação com alguns jogadores se aproximando do fim de seus contratos. Mas que perder dois títulos em uma semana deixa um gostinho amargo, isso deixa sim.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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