Liverpool melhora e aproveita bola aérea para vencer o Ajax em Anfield
Com uma atuação muito melhor do que na estreia contra o Napoli, os Reds contaram com gol de cabeça de Matip no fim para levar os três pontos em Anfield
Jürgen Klopp nunca adotou um discurso tão duro em relação ao seu time quanto o dos últimos dias desde a derrota para o Napoli por 4 a 1, o pior jogo do Liverpool sob o seu comando, segundo o técnico alemão. Falou em se reinventar, em aprender novamente os fundamentos, em tom forte de cobrança. Pela influência que exerce nos jogadores, era de se esperar algum tipo de reação. E ela veio. Diante de sua torcida, que respeitou o minuto de silêncio em homenagem à rainha Elizabeth, os Reds melhoraram e conseguiram vencer o Ajax por 2 a 1, graças a uma eficiente bola aérea.
Não foi um jogo perfeito do Liverpool, que ainda vacilou demais na defesa e poderia ter sido punido por um Ajax que segue forte sob o comando de Alfred Schreuder, com construção de jogo qualificada e consciente. Mas foi muito melhor, principalmente na intensidade, na concentração e na pressão. Ofensivamente, também um nível acima, com o retorno de Diogo Jota ao time titular pela esquerda, com Luis Díaz exercendo a função de centroavante – similar ao que Sadio Mané vinha fazendo na reta final da última temporada.
O Liverpool abriu o placar, aos 17 minutos, contando com a qualidade de Alisson com os pés. Um bom lançamento para encontrar Luis Díaz na entrada da área. Ajeitada de cabeça para Diogo Jota, que dominou e buscou o espaço para rolar a Salah. Sem marcar há quatro jogos (bastante tempo para ele), o egípcio dominou de perna direita e, quase caindo, bateu no canto esquerdo de Remko Pasveer.
O Ajax assustou logo na sequência, com Steven Berghuis acertando o travessão em flagrante posição de impedimento. Os donos da casa ganhavam ritmo. Mais alto que todo o time holandês, incluindo o goleiro, Van Dijk ajeitou de cabeça para um chute perigoso de Díaz. Em outro lançamento de Alisson, Jota recebeu em velocidade pela esquerda e cruzou rasteiro. Blind conseguiu pressionar Salah.
Era um começo promissor do Liverpool, mas as fragilidades defensivas voltaram a aparecer. Uma tese razoável é que a pressão abaixo da média do meio-campo para a frente estava deixando a linha de trás vulnerável. Não foi o caso no gol do Ajax. O Liverpool estava postado e com a linha média, na altura da intermediária. Ainda assim, o Ajax construiu buscando as costas de Alexander-Arnold. Berghuis recebeu, tocou para trás, Bergwijn deu uma ajeitadinha, e Kudus girou batendo forte para empatar.
Van Dijk nem precisou usar sua altura para exigir linda defesa de Pasveer com uma cabeçada muito forte do meio da área, após cobrança de escanteio de Alexander-Arnold. Matip conseguiu quebrar as linhas holandesas pouco depois, e Díaz emendou com Arnold. O lateral direito limpou a marcação e bateu forte de perna esquerda. Pasveer espalmou. Arnold repetiu no rebote e ganhou o primeiro de dois escanteios seguidos. No segundo, Van Dijk ganhou outra pelo alto, mas sem muita força. Pasveer segurou em dois tempos.
Kudus assustou os donos da casa, no começo do segundo tempo, com um contra-ataque que terminou com pedido de pênalti. Na sequência, foi Jota quem arrancou pela esquerda e saiu driblando entre marcadores holandesas até chegar à entrada da área. Chutou em cima de Pasveer. A bola parada era claramente uma vantagem do Liverpool, pela sua superioridade física. Tanto em escanteios – 10 no jogo, seis no segundo tempo -, quanto em cobranças de falta. Em uma delas, Tsimikas cobrou pela esquerda e Van Dijk se antecipou livre. Por cima do travessão.
Salah quase conseguiu driblar Pasveer, após lindo passe de Fabinho, e Harvey Elliott mandou a sobra no lado de fora da rede. Era um momento de alta pressão do Liverpool, que ainda teve uma grande jogada com Luis Díaz, salvando rente à linha lateral antes de invadir a área e buscar, sem sucesso, o ângulo para finalizar. O gol não saía, porém, e o Ajax quase castigou. Depois de Kudus exigir defesa de Alisson, em posição de impedimento, Daley Blind apareceu livre na segunda trave, aproveitando a recomposição lenta de Arnold, e cabeceou quase à queima-roupa, cruzado, muito, muito perto do gol.
Klopp havia mudado o Liverpool, com as entradas de Roberto Firmino e Darwin Núñez. O uruguaio teve uma excelente oportunidade, após o brasileiro achar Salah na entrada da área. Recebeu a rolada e emendou de primeira, rente à trave, mas para fora. O gol do alívio para os donos da casa saiu apenas aos 44 minutos da etapa final. Outro escanteio batido por Tsimikas, Matip subiu mais alto que todo mundo e cabeceou com firmeza. Tadic ainda tentou cortar, mas a bola havia cruzado a linha, segundo o relógio do árbitro Artur Soares Dias.
Após ser derrotado tão categoricamente pelo Napoli na estreia, e em um grupo que conta com times qualificados, o Liverpool não poderia deixar pontos para trás em casa. Complicaria até a sua classificação às oitavas de final. O resultado foi excelente e a atuação foi pelo menos promissora, embora longe de perfeita, com dois duelos britânicos contra o Rangers pela frente. O Ajax, após golear os escoceses, fez ótimo papel em Anfield e confirmou que está forte na briga por uma vaga na próxima fase.
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