Champions League

Liverpool fica com a vitória, e o Hoffenheim, com lições importantes sobre a Champions

A estreia do Hoffenheim em competições europeias foi uma das mais desagradáveis. Encarou um adversário que venceu a Champions League cinco vezes, por mais que o último título tenha saído mais de dez anos atrás – e o penúltimo, mais de 30 anos atrás -, em uma partida eliminatória. O time do promissor técnico alemão Julian Nagelsmann teve muito volume de jogo e pressionou, mas não conseguiu converter a superioridade em gols e saiu batizado da sua primeira partida internacional: o Liverpool conseguiu uma crucial vitória por 2 a 1 na Alemanha e joga pelo empate ou até uma derrota por 1 a 0, em Anfield, para chegar à fase de grupos.

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Os 90 minutos deixaram algumas lições para o Hoffenheim. Dá para jogar muito bem uma partida de Champions League, como os alemães fizeram, e sair com um resultado amargo, dependendo de pequenas variáveis. Kramaric perdeu um pênalti, Mignolet realizou boas defesas, e Milner deu sorte em um cruzamento que acabou em gol. Não se pode bobear em um jogo desse tamanho, ainda mais contra uma camisa pesada. Semana que vem, o Hoffenheim tem a oportunidade de mostrar que aprendeu e tentar eliminar o Liverpool em sua própria casa. Ainda está na briga.

A partida inteira foi disputada com muita intensidade, marca característica das duas equipes. A atuação defensiva do Liverpool mostrou didaticamente porque Virgil Van Dijk, do Southampton, tornou-se uma obsessão do mercado de transferências. Cada bola cruzada na área de Mignolet era um Deus nos acuda, com destaque para o desempenho inseguro de Lovren, coroado com um pênalti – rigoroso – em cima de Gnabry. Kramaric bateu muito mal, no meio do gol, e o belga defendeu sem problemas.

A posse de bola era toda do Hoffenheim – foi de 61,2% do tempo na primeira etapa e 63,4% no total da partida. O Liverpool, porém, tem as armas para lidar com essa dinâmica (o problema, na verdade, tem sido quando acontece o inverso): velocidade. Mané, Firmino e Salah estavam prontos para puxar os contra-ataques e criaram suas oportunidades. Na melhor delas nos 45 minutos iniciais, Salah disparou do meio-campo, sem ninguém à frente, mas não conseguiu engatar a quinta marcha, deixou a marcação chegar e finalizou mal.

O Liverpool abriu o placar em uma cobrança de falta com Trent Alexander-Arnold, 18 anos, titular no lugar do machucado Clyne. Esse garotinho ao lado de Jamie Carragher bateu com perfeição no cantinho de Baumann.

Antes do intervalo, os Reds ainda tiveram duas boas oportunidades, com uma finalização de Can de fora da área e uma cabeçada de Lovren, muito próxima da trave, mas o Hoffenheim também assustou. Aos 43 minutos do segundo tempo, um lançamento deixou a defesa do Liverpool em mais um pandemônio, Gnabry recolheu o rebote, matou no peito e chutou à queima-roupa. Mignolet defendeu bem, e Wagner mandou a sobra para fora.

O segundo tempo mostrou as duas faces de Roberto Firmino: um grande atacante quando sai da área, cria espaços e aciona os companheiros; um camisa 9 deficiente quando precisa finalizar. Poderia ter feito o 2 a 0 logo nos primeiros minutos, quando Mané disparou pela esquerda e cruzou na medida para a finalização do brasileiro, que acertou Baulmann em cheio. No entanto, redimiu-se ao lançar Milner na ponta esquerda. O inglês tentou cruzar, contou com um desvio e marcou o segundo dos visitantes.

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O Hoffenheim teve uma boa chance com Amiri, da entrada da área, motivando outra linda defesa de Mignolet, e percebeu que, diante de alguma persistência, uma hora o Liverpool confessa. Aos 42 minutos, Uth foi lançado entre o lateral direito e o zagueiro, dominou bem e acertou um belo chute no canto do belga. Hübner, em cobrança de falta, ainda cabeceou com perigo, revivendo os fantasmas do Liverpool, extremamente incapaz de terminar uma partida sem levar sufoco – no fim de semana, pela Premier League, levou o empate do Watford nos minutos finais.

O Liverpool deu um passo importante para se classificar à fase de grupos da Champions League, no momento em que luta para manter seu principal jogador longe das mãos do Barcelona. Precisa confirmar a vaga, em Anfield, semana que vem, contra um adversário complicado. Apesar da derrota, o Hoffenheim deixou uma ótima impressão nesta sua estreia na Europa.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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