Champions League

Inter pressiona até o fim, mas pelo terceiro ano seguido, cai na fase de grupos da Champions

Um jogo tenso, com muita pressão, muitos erros e chances de gols desperdiçadas. Internazionale e Shakhtar Donetsk se enfrentaram no Estádio San Siro, em Milão, e ficaram um empate em 0 a 0, frustrante para os dois, mas ainda mais para os italianos. Os dois estão eliminados da Champions League.

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Em casa, os italianos precisavam de uma vitória, além do torcer por um vencedor em Real Madrid e Borussia Mönchengladbach. A segunda parte aconteceu, com vitória espanhola. A primeira não. O empate por 0 a 0 fez os dois morrerem abraçados, mas com os ucranianos levando a vaga para a Liga Europa como prêmio de consolação — e bastante comemorado em campo, aliás.

Antonio Conte levou a campo o seu time titular mais habitual, em um 3-5-2 e seus dois atacantes, Lautaro Martínez e Romelu Lukaku, como pontos focais do time. No meio-campo, Marcelo Brozovic, Nicolò Barella e Roberto Gagliardini. Nas alas, Achraf Hakimi na direita, Ashley Young na esquerda. O Shakhtar, por sua vez, foi a campo com um time bastante defensivo, com uma linha de cinco na defesa, três no meio e dois atacantes.

O primeiro lance de grande perigo veio aos seis minutos. Nicolò Barella recebeu pela direita, avançou até a linha de fundo, cruzou rasteiro para trás, a bola passou por Lukaku e Lukaku encheu o pé. A bola explodiu no travessão.

Precisando vencer de qualquer forma, a Inter atacava. Em uma bola recebida por Lautaro Martínez, ele girou, com a bola no alto, e chutou forte, levando perigo, mas batendo por cima. O time seguia pressionando, com escanteios que cruzaram para a área.

Enquanto isso, em Madri, o Real Madrid abria 2 a 0 contra o Borussia Mönchengladbach, o que colocava os madrilenhos na próxima fase, ao mesmo tempo que fazia com que o empate em Milão eliminasse os dois times em campo.

Aos 36 minutos, o brasileiro Vitão sentiu uma lesão e precisou ser substituído por Davit Khocholava. O jogo tinha o Shakhtar tentando acelerar no contra-ataque, mas poucas vezes conseguiu fazer isso. A Inter era quem pressionava e, aos 40 minutos, teve outra boa chance. Cruzamento de Lukaku da direita para o meio e Gagliardini cabeceou, para defesa de Anatolii Trubin.

Lautaro Martínez lamenta em jogo da Inter com o Shakhtar (Imago/OneFootball)

O roteiro do segundo tempo seguia igual. A Inter era quem mais tentava. Trubin teve que intervir em uma cobrança de falta para a área, aos sete minutos. Lukaku desviou de cabeça e a bola foi no alto, perigosa, e exigiu uma boa defesa do goleiro do clube ucraniano. Grande defesa. Era a Inter que buscava o seu gol.

Depois dos 20 minutos do segundo tempo, a Inter arrefeceu um pouco a presença no campo ofensivo, um pouco cansada também pelo campo pesado e pelo esforço feito até ali, ainda que em vão. O Shakhtar, assim, passou a ter um pouco mais de posse de bola e estar mais presente no campo de ataque, buscando os espaços para, quem sabe, conseguir o gol da classificação.

Precisando do gol, Conte fez a sua primeira mudança na partida aos 23 minutos. Tirou o ala Ashley Young, colocou Ivan Perisic. O croata tem mais características ofensivas para tentar levar mais perigo. O time, a essa altura, sentia dificuldades para criar chances e mesmo para acionar seus atacantes.

Para tentar ser mais perigoso nas suas descidas ao ataque, o técnico Luís Castro colocou Manor Solomon no lugar de Tetê e Alan Patrick no lugar de Marlos. Depois dos 25 minutos, os dois times passaram a ir para cima com mais vigor. O Shakhtar passou a ser perigoso como não era no primeiro tempo em contra-ataques, sempre em alta velocidade, especialmente depois das bolas paradas da Inter. Os nerazzurri, por sua vez, buscavam alternativas de jogo, alternavam bolas pelos lados do campo, com jogadas de linhas de fundo, com trocas de passe. Nada disso era suficiente e o time não conseguia criar chances claras.

Quando o cronômetro bateu 30 minutos, Conte lançou mão de mais uma mudança: tirou o meio-campista Gagliardini para colocar o atacante Alexis Sánchez. O jogo era perigoso, com cada ataque tendo o peso de poder ser decisivo à essa altura. Enquanto a Inter rondava a área do Shakhtar, os ucranianos atacavam com velocidade, causando algum perigo.

A tensão era grande em Milão. Conte fez mais alterações: entraram Christian Eriksen no lugar de Lautaro Martínez, Danilo D’Ambrosio no lugar de Alessandro Bastoni e Matteo Darmian no lugar de Hakimi. Mesmo precisando do gol, o técnico decidiu tirar Lautaro, que vinha fazendo até um bom jogo. Enquanto isso, o Shakhtar colocou em campo Dentinho no lugar de Taison.

Aos 42 minutos, a Inter chegou novamente pela direita, com um cruzamento de Darmian para cabeça de Alexis Sánchez, que foi fora. Depois, em um escanteio, novamente Sánchez subiu de cabeça no meio da área, tocou de cabeça e a bola explodiu em Lukaku, que estava em posição de impedimento. Uma terrível ironia para a Inter àquela altura.

Nos minutos finais, ficou claro que o Shakhtar estava contente com o empate e a vaga na Liga Europa. Se defendeu vorazmente nos minutos finais, enquanto a Inter pressionou como podia, tentando de forma caótica, jogando a bola para a área como podia. Não saiu gol. A Inter terminou em última no seu grupo, com o Shakhtar em terceiro comemorando bastante a vaga na Liga Europa. O time de Conte passou a ter só o Campeonato Italiano e a Copa da Itália.

Enquanto isso, no estádio Alfredo di Stefano, os jogadores do Gladbach já tinham encerrado seu jogo e acompanhavam a partida entre Inter e Shakhtar por um celular. Com o fim da partida em San Siro, os jogadores do clube alemão explodiram em alegria pela classificação.

A eliminação é um peso grande para o técnico Antonio Conte. É mais um fracasso na sua carreira em competições europeias. Pela Juve, já tinha sido eliminado na fase de grupos. Pela Inter, pelo segundo ano seguido, o time fica na fase de grupos. Desta vez, nem para a Liga Europa vai. Para o clube, é o terceiro ano seguido nessa situação. Com Luciano Spalletti, a equipe já tinha vivido isso.

Resta agora melhorar, e muito, no Campeonato Italiano. Conte estará pressionado para fazer mais do que voltar à Champions League, algo que será fundamental para as finanças do clube. Será preciso lutar pelo título. Caso não consiga o título, será preciso uma campanha ao menos de lutar de fato pelo título, como não conseguiu nos últimos anos, ainda que tenha conseguido ficar entre os primeiros. Se o campeão italiano for o Milan, então, a fervura será grande.

Para o Shakhtar, a vaga na Liga Europa é positiva, em um grupo que era difícil. É uma competição acessível para o clube ucraniano, que foi semifinalista na última edição, caindo para a própria Inter. Uma glória europeia, para o Shakhtar, seria muito importante. Mais do que seria para a Inter – embora a vaga na Liga Europa ao menos evitaria o ridículo de ser lanterna do grupo.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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