Champions League

Haaland viveu outra noite para pulverizar marcas na Champions e nos impressionar ainda mais

Erling Braut Haaland é um fenômeno do futebol e, principalmente, da Champions League. Até poder soar repetitivo elogiar todas as vezes o centroavante. Mas ele sempre dá motivos para isso, sem se cansar de balançar as redes e de impressionar. Nesta terça-feira, Haaland teve mais uma atuação marcante no torneio continental. Nem foi tão monstruoso quanto na ida diante do Sevilla, mas de novo marcou a diferença para assegurar a classificação para o Borussia Dortmund. Anotou dois gols, aliviou a pressão sobre os aurinegros, se firmou ainda mais na artilharia da competição. E, mais notável, consolida seus números históricos na Liga dos Campeões. Precocemente se coloca entre os grandes, e os supera.

Haaland nem precisou ser tão onipresente na partida. Foram somente duas finalizações (válidas), já suficientes para garantir os dois gols do Dortmund no empate por 2 a 2. Com o Sevilla dominando as ações e pressionando, o centroavante não era tão acionado. Porém, esfriou totalmente os planos dos adversários ao anotar o primeiro gol, aos 35 minutos, num costumeiro lance de oportunismo. Já no segundo tempo, ele definiu o placar cobrando pênalti. Errou a primeira cobrança, mas, depois que a arbitragem flagrou a irregularidade do goleiro Bono, confiou no mesmo canto e converteu.

O lance mais fantástico de Haaland não valeu, aliás. Seu gol anulado, pouco antes do pênalti, mostra como o centroavante é algo raro na natureza. Foi impressionante como, mesmo tomando trancos, ninguém conseguiu deslocar o artilheiro e tirar a bola de seus pés. Ele até cometeu falta em Diego Carlos, o que acabou cancelando a jogada, mas não perdeu em nenhum momento e ainda conseguiu definir com pouquíssimo ângulo. Matador em qualquer instância, contra qualquer adversário.

Haaland, além do mais, mostrou que não leva desaforo para casa. E quão ousado foi Bono, ao provocar a fúria do centroavante, depois de pegar seu pênalti. A vingança foi instantânea. O juiz mandou voltar e, ao converter a segunda tentativa, o norueguês tirou sarro do goleiro. Os jogadores do Sevilla não gostaram e foram tirar satisfação, mas ficou claro como é difícil mexer com os brios do goleador. Sua resposta não tende a demorar e pode ser impiedosa. Desta vez, encaminhou a classificação do Borussia Dortmund.

Haaland já abre quatro gols de vantagem na artilharia da Champions. São dez bolas nas redes em apenas seis aparições nesta edição. Não fosse sua lesão durante a fase de grupos, poderia ser ainda mais preponderante ao Dortmund. E assusta a forma como conduz a equipe, responsável por nada menos que 59% dos tentos assinalados pelo clube nestas oito primeiras partidas da campanha.

Somando a edição passada, Haaland chega aos 20 gols na Champions. Precisou de 14 partidas para atingir a marca, enquanto Harry Kane, o segundo mais rápido, necessitou de 24. Tamanha fome também deixa para trás outras lendas da competição – Alessandro Del Piero (26 jogos), Ruud van Nistelrooy (27) e Filippo Inzaghi (28), os outros que completam o Top 5 de velocidade. Cristiano Ronaldo precisou de 56 compromissos na LC pra atingir os 20 tentos. Lionel Messi anotou 20 gols depois de 40 aparições. Robert Lewandowski conseguiu com 36, enquanto Neymar atingiu com 38. Para Zlatan Ibrahimovic, foram 71 jogos.

Além disso, com 20 gols, Haaland já se torna o 61° maior goleador da Champions desde 1955/56. Neste momento, ele alcança o mesmo patamar de Romário, que anotou seus 20 tentos em 32 aparições. Fernando Torres (20 em 79 jogos) e Gareth Bale (20 em 64) são outros dois no mesmo degrau. Nesta quinta, ficaram para trás Marco van Basten (19 gols em 27 partidas) e Johan Cruyff (19 em 49), além de Ole Gunnar Solskjaer – que desfrutava o posto de maior artilheiro norueguês da competição, com 19 tentos em 77 jogos. Não é mais.

Ver o que Haaland joga é um deleite, especialmente na Champions, onde teoricamente enfrenta os melhores. Num time com seus problemas, como o Dortmund, contar com o centroavante nem sempre é suficiente – o que ficou claro no clássico contra o Bayern durante o final de semana. Mesmo assim, a expectativa é sobre o que ele ainda poderá aprontar nesta edição, aguardando um adversário mais duro rumo às quartas de final. Será um tormento no sorteio.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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