O Sevilla lutou até o fim e arrancou o empate, mas não houve antídoto para Haaland, que classificou o Dortmund
Erling Braut Haaland elevou ainda mais sua reputação na Champions League nesta terça-feira. Afinal, o centroavante conseguiu transformar um jogo difícil ao Borussia Dortmund, garantindo a classificação às quartas de final. Depois da derrota por 3 a 2 na Andaluzia, o Sevilla precisava buscar o ataque e incomodou desde os primeiros minutos. Todavia, não teve uma arma letal como Haaland. O artilheiro aliviou a situação aos alemães, ao abrir o placar no Signal Iduna Park, e ampliou no início do segundo tempo. Foi o homem da noite. Com a vantagem estabelecida, o BVB se segurou na defesa e evitou um risco maior, embora tenha sofrido pressão e cedido o empate no último minuto. O placar de 2 a 2, de qualquer maneira, já era suficiente para a festa do time e, principalmente, para o mundo todo seguir apreciando o potencial de Haaland na principal competição da Europa.
Assim como na primeira partida, os dois times não precisaram de muito tempo para indicar que fariam um jogo intenso. Mas a iniciativa era do Sevilla, que tinha pressa para tirar o prejuízo dentro do Signal Iduna Park. Os andaluzes jogavam como se estivessem em casa e forçavam no ataque, explorando principalmente os erros de Emre Can. Lucas Ocampos testaria o goleiro Marwin Hitz pela primeira vez com menos de três minutos. Os rojiblancos tentavam se adiantar em campo e pressionar a saída de bola dos aurinegros. As chances de gol não eram muito claras, mas os espanhóis eram superiores.
O Borussia Dortmund encontrava sérias dificuldades para realizar suas transições e acionar seus atacantes. Os momentos ofensivos eram pontuais e os aurinegros perdiam a posse de bola rapidamente. Se o placar se mantinha zerado, era mais porque a defesa não concedia espaços dentro de sua área. Porém, individualmente, estava claro como Edin Terzic possuía uma equipe superior. E bastou um ataque bem encaixado para o BVB sair em vantagem – com o protagonismo claro de Haaland.
O lance do gol aconteceu aos 35, num avanço veloz após a recuperação no campo ofensivo. Nico Schulz iniciou a jogada e Mahmoud Dahoud carimbou no meio, dando uma boa enfiada para Marco Reus na esquerda. O veterano serviu de garçom e executou o passe com a meta aberta para Haaland anotar. O Sevilla insistia, mas nem de longe tinha tantos recursos. O gol esfriava um pouco mais os andaluzes, que passavam a precisar de três gols. Fernando tentaria um chute de longe, mas os arremates eram insuficientes para mudar o cenário.
Na volta ao segundo tempo, o Dortmund parecia pronto a construir um resultado ainda melhor. Thorgan Hazard bateu ao lado da meta, antes que toda a confusão começasse aos três minutos. Haaland balançou as redes novamente, numa jogada impressionante. Ninguém parecia capaz de ganhar do centroavante na força e, depois da tabela com Hazard, ele finalizou mesmo sem ângulo na saída de Bono. Havia dúvidas se o lance foi faltoso, e de fato o árbitro Cüneyt Çakir viu um empurrão de Haaland sobre Diego Carlos, anulando o tento.
Entretanto, antes do lance, houve um pênalti ignorado de Jules Koundé sobre Haaland. A revisão no VAR permitiu a marcação. O próprio centroavante foi para a marca da cal. Bono defendeu não só a cobrança, como também o rebote. Porém, o goleiro se adiantou para realizar a intervenção e a arbitragem mandou voltar. Na segunda tentativa, Haaland mandou no mesmo canto e balançou as redes para ampliar. Depois de ser provocado por Bono, respondeu na mesma moeda e tirou sarro do marroquino. São dez gols o artilheiro nesta Champions, em apenas seis aparições.
A situação não mudava muito para o Sevilla, que ainda precisava de três gols, agora para forçar os pênaltis. Julen Lopetegui logo acionou seu banco, com as entradas de Luuk de Jong e Papu Gómez. A equipe passava o tempo todo no ataque e tentava sufocar, mas sem apresentar muitos recursos na conclusão das jogadas. Mesmo sem transmitir segurança, Hitz fazia intervenções importantes. Os rojiblancos foram descontar aos 24, num pênalti cometido por Emre Can sobre Luuk de Jong. Youssef En-Nesyri cobrou e balançou as redes, recolocando os visitantes na parada.
Apesar da pressa, o Sevilla pecava na criação e via a defesa do Dortmund segurar as pontas. Os aurinegros até tiveram bons respiros, em momentos no qual não correram tanto perigo e puderam trabalhar no ataque, com Bono precisando salvar o terceiro contra Dahoud. No fim, o caminho ao Sevilla era levantar a bola na área. Hitz apareceria mais algumas vezes, assim como Mats Hummels era importante pelo alto. Os andaluzes só empataram aos 50, num cruzamento de Ivan Rakitic para a cabeçada de En-Nesyri. Ainda sobrava um minuto para forçar a prorrogação, e a bola pipocou na área alemã, mas faltou aos visitantes acertarem o pé. Houve uma reclamação de pênalti no fim, mas nada a se marcar. O alívio era do BVB.
O Dortmund não fez uma grande partida no geral, mas contou com jogadores mais decisivos e foi eficiente. A vitória na Andaluzia, esta sim com uma atuação mais positiva dos aurinegros, determina a classificação. E, claro, Haaland também foi essencial – cada vez mais protagonista na competição continental. É quem dá esperanças de uma jornada mais longa ao BVB. O Sevilla, por sua vez, ficou devendo em mais um jogo decisivo. Não deixou de lutar e buscar os gols fora de casa, mas não encontrou o antídoto a Haaland.




