Champions League

Guia da Champions League 2021/22 – Grupo C: Sporting, Borussia Dortmund, Ajax e Besiktas

Um dos grupos mais indefinidos na primeira fase, o cabeça de chave Sporting tenta se impor, mas será ameaçado por Dortmund, Ajax e Besiktas

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Por que acompanhar

A Champions League muitas vezes tem caminhos óbvios em sua fase de grupos. O sorteio basta para indicar qual será a maioria dos classificados. O Grupo C, porém, foge de tais prognósticos mais fáceis. A chave tende a ser uma das mais equilibradas desta edição do torneio. O Borussia Dortmund é quem aparece um passo à frente, pela força de seu elenco e pela sequência de classificações aos mata-matas. Em compensação, os outros três concorrentes possuem diferentes predicados que sugerem a aposta. Sporting, Ajax e Besiktas, além do mais, vêm de títulos nacionais na temporada passada para reforçar suas credenciais.

O Grupo C também chama atenção por motivos extracampo. Numa edição da Champions que finalmente terá todos os estádios reabertos, essa será a chave que mais se destacará pelo calor nas arquibancadas. O Borussia Dortmund, como sempre, costuma ser aclamado pelo show particular que ocorre na Muralha Amarela. Além disso, serão outras três massas apaixonadas que fazem seus estádios ferverem. Também são culturas de torcida distintas e que permitirão experiências diferentes em cada canto do continente.

Por fim, cada clube possui sua história para contar. A fase de grupos não deve ser mero praxe aos quatro candidatos do Grupo C. O Borussia Dortmund chega com Haaland perseguindo recordes, além do início de Marco Rose na nova equipe. Erik ten Hag tenta liderar outro grande momento internacional do Ajax. Rúben Amorim deseja expandir o sucesso recente do Sporting. Já Sergen Yalçin tem em mãos um Besiktas reforçado e sedento por ampliar sua noção como principal força do futebol turco atualmente. Promessa de cenário aberto da primeira à última rodada.

Títulos

Sporting – Nenhum
Borussia Dortmund – Um título (1996/97)
Ajax – Quatro títulos (1970/71, 1971/72, 1972/73, 1994/95)
Besiktas – Nenhum

Retrospecto recente

Sporting

2020/21 – Não participou
2019/20 – Não participou
2018/19 – Não participou
2017/18 – Fase de grupos
2016/17 – Fase de grupos

Borussia Dortmund

2020/21 – Quartas
2019/20 – Oitavas
2018/19 – Oitavas
2017/18 – Fase de grupos
2016/17 – Quartas

Ajax

2020/21 – Fase de grupos
2019/20 – Fase de grupos
2018/19 – Semifinal
2017/18 – Preliminares
2016/17 – Preliminares

Besiktas

2020/21 – Preliminares
2019/20 – Não participou
2018/19 – Não participou
2017/18 – Oitavas
2016/17 – Fase de grupos

Ambição

Haller, Antony e Tadic, do Ajax (Imago / OneFootball)

Sporting

O Sporting tem como missão principal mostrar como o sucesso no Campeonato Português não veio ao acaso ou não dependeu simplesmente de uma campanha ruim de seus principais concorrentes. Os leoninos querem se provar também além das fronteiras. Vale lembrar que a primeira empreitada internacional sob as ordens de Rúben Amorim decepcionou, já que o time caiu ainda nas preliminares da Liga Europa 2020/21, diante do LASK Linz. Se o calendário menos exigente auxiliou o foco na liga nacional durante a temporada passada, os sportinguistas ainda estão devendo nas copas continentais. Será o grande desafio, pensando que as opções no elenco não são tão numerosas para se dedicar às duas frentes. Além disso, faz tempo que os lisboetas não vivem uma campanha de relevo na Champions. A última aparição nos mata-matas aconteceu em 2008/09.

Borussia Dortmund

O Borussia Dortmund é uma figurinha carimbada da Champions League, emendando participações consecutivas, mas há muito tempo não se coloca entre os quatro melhores do continente. A última aparição nas semifinais foi exatamente em 2012/13, quando a equipe de Jürgen Klopp acabou com o vice-campeonato. Uma forcinha do chaveamento poderia ajudar, mas os aurinegros também têm qualidade para almejar novamente uma campanha tão longa na Champions. O desempenho na temporada anterior foi bom, com a classificação sobre o Sevilla nas oitavas, antes que o BVB desse bastante trabalho ao favorito Manchester City nas quartas. E foi importante a maneira como os alemães puderam apresentar seu futebol sem o peso da responsabilidade, diferentemente do que costuma acontecer na Bundesliga. Tal desprendimento facilita.

Ajax

O Ajax possui um elenco bastante acostumado a disputar a Champions League. Entretanto, a competição anda entalada na garganta dos torcedores, já que os Ajacieden não figuram nos mata-matas desde a histórica caminhada até as semifinais em 2018/19. A decepção nas duas últimas campanhas ocorreu em grupos acessíveis, mas nos quais os Godenzonen derraparam em jogos cruciais – sobretudo em casa. Primeiro sucumbiram na disputa direta contra o Valencia, antes de perderem a queda de braço com a Atalanta. O equilíbrio do grupo atual pode favorecer os holandeses, mas eles precisam corresponder melhor em meio a esta pressão. A cobrança agora é para mostrar que aquela fantasia em 2018/19 não foi uma mera exceção ou um hit solitário da atual geração.

Besiktas

O Besiktas exibe uma regularidade respeitável no Campeonato Turco durante os últimos anos. As Águias conquistaram três títulos nas últimas seis edições da Süper Lig, uma ótima média para quem costuma ser a terceira força do país. Ainda sob as ordens de Senol Günes, os alvinegros fizeram campanhas razoáveis na Champions e alcançaram até mesmo as oitavas de final em 2017/18. Repetir isso já estaria de ótimo tamanho, e não parece impossível diante do nivelamento da chave. O Besiktas foi exatamente o clube que melhor se reforçou entre os quatro membros do grupo e o que parece ter melhor ter subido de nível no papel em relação à temporada passada. Todavia, também lida com uma exigência menor pelos resultados e estaria satisfeito com a repescagem à Liga Europa.

Ponto forte

Miralem Pjanic, do Besiktas (Imago / OneFootball)

Sporting

O Sporting se caracterizou desde a última temporada por ser uma equipe bastante dinâmica, que foge um pouco dos esquemas mais padronizados do futebol. Rúben Amorim costuma escalar os leoninos num 3-4-3, com algumas virtudes bem claras. O time se vale do forte apoio dos alas (mesmo com a saída de Nuno Mendes), do papel dos volantes na organização e da liberdade aos pontas para definirem as jogadas, participando de muitos gols. Os adversários encontraram dificuldades para conter esses mecanismos no último Campeonato Português e isso talvez gere seu impacto na Champions. Outro ponto positivo é a concentração do Sporting nos momentos decisivos do jogo, com muitas vitórias conquistadas no apagar das luzes durante o título português.

Borussia Dortmund

O Borussia Dortmund ainda é uma equipe em formação sob as ordens de Marco Rose. Contudo, a maneira como o treinador prioriza um estilo de jogo mais direto beneficia os aurinegros, até pensando no DNA do clube – algo que não andava tão respeitado com Lucien Favre. A torcida não deixa de ter pesadelos com a falta de proteção defensiva, mas o ataque anda mais fulminante e priorizando a velocidade em suas ações. Tal padrão tem permitido que os meio-campistas contribuam mais na definição das jogadas. Ainda assim, o pesadelo de qualquer defensor na chave será a liberdade que Erling Braut Haaland terá para comandar os avanços da equipe. O norueguês começa a nova temporada mais letal e aproveitando muito bem o esquema para se movimentar – ainda que acabe também sobrecarregado em certos momentos.

Ajax

O Ajax possui uma boa experiência na Champions League. Além das virtudes da equipe de Erik ten Hag, sobretudo no setor ofensivo, e dos bons talentos individuais à disposição, os Godenzonen criaram uma casca no torneio que pode preponderar neste momento. O elenco do Dortmund tem a maior rodagem de maneira geral. Enquanto isso, os Ajacieden preservam boa parte da base semifinalista de 2018/19 e já se talharam com as mencionadas decepções dos últimos dois anos. Tal consciência pode ajudar especialmente contra Sporting e Besiktas, dois times menos acostumados à Liga dos Campeões. Cabe dizer também que alguns destaques mais jovens ainda buscarão se consolidar no torneio continental. É o caso de Jurrien Timber, Ryan Gravenberch e Antony. Será interessante também ver a estreia de Sébastien Haller na competição, diante de seu ótimo rendimento desde a chegada no meio da temporada passada.

Besiktas

O Besiktas não conta necessariamente com o elenco mais forte do grupo, mas a quantidade de opções ofensivas chama atenção. As Águias poderão rodar suas peças e montar seu time de diferentes maneiras do meio para frente. Os tarimbados Mehmet Topal e Miralem Pjanic foram os principais acréscimos entre os volantes, onde já apareciam Souza e Necip Uysal. Alex Teixeira veio para a armação, se juntando a Adem Ljajic e Atiba Hutchinson. A compra em definitivo de Rachid Ghezzal foi excelente, enquanto Jeremain Lens foi outro que desembarcou para se somar nas pontas com Cyle Larin, Gökhan Töre e Georges-Kevin N’Koudou. Já na frente, Michy Batshuayi e Kenan Karaman são os novos homens de referência. Pensando até no desgaste que a Champions gera, as Águias poderão manejar bem as situações.

O craque

Erling Haaland, do Borussia Dortmund (Imago / OneFootball)

Sporting: Pedro Gonçalves

A experiência de Pote no futebol de alto nível ainda é reduzida. O ponta estourou no Famalicão e, logo em sua primeira temporada com o Sporting, virou protagonista na conquista do Campeonato Português. O artilheiro leonino começou bem a nova campanha e agora poderá se provar numa competição continental. O jogador de 23 anos disputou apenas uma partida na fase de qualificação da Liga Europa passada, mas pôde adquirir mais experiência graças à presença no elenco de Portugal durante a última Eurocopa. A Champions pode ser o passo decisivo não apenas para se consolidar como principal figura leonina diante da bonança recente, mas também para mostrar serviço em busca de voos mais altos em sua carreira.

Borussia Dortmund: Erling Braut Haaland

Depois de duas temporadas consecutivas anotando dez gols na Champions, Haaland já surge como candidato a craque e a artilheiro do torneio. E talvez essa seja a última oportunidade de registrar um grande feito com o Borussia Dortmund, diante das facilidades contratuais para uma transferência na próxima temporada. O Signal Iduna Park sabe muito bem o craque que tem em campo e a torcida fará questão de tornar esta jornada continental inesquecível, depois de meses com as arquibancadas vazias. Pesa ainda mais o começo de temporada arrasador do norueguês, não apenas para marcar gols, mas também para criar ocasiões aos companheiros. São oito tentos e quatro assistências em seis partidas com o BVB. No torneio continental, mais recordes devem ser quebrados pelo prodígio.

Ajax: Dusan Tadic

Tadic alimentou os sonhos do Ajax na campanha de 2018/19, com algumas atuações inesquecíveis e jogadas de craque. Os Godenzonen não corresponderam da mesma forma nas edições recentes e perderam destaques daquela caminhada. Porém, o sérvio continua na Johan Cruyff Arena jogando o fino e liderando seu clube em mais uma empreitada continental. Impressiona a regularidade em alto nível de Tadic, que acabou de ser eleito o melhor jogador da temporada na Holanda. Aos 32 anos, o capitão continua muito produtivo ofensivamente, registrando duplos dígitos em gols e assistências. Além do mais, sua qualidade individual para desequilibrar pelo lado esquerdo é indiscutível e ele permanece como um nome intocável entre os titulares.

Besiktas: Atiba Hutchinson

Aos 38 anos, Atiba Hutchinson não é um nome tão conhecido por aqueles que não acompanham o Campeonato Turco. Sua trajetória antes de chegar ao Besiktas foi um tanto errática, incluindo passagens por clubes como Helsingborgs e Copenhague, até trocar o PSV pelas Águias em 2013. Desde então, contudo, o meio-campista construiu um status de ídolo em Istambul. Tornou-se uma peça fundamental nas conquistas alvinegras neste período e alavancou suas próprias marcas, mesmo passando dos 30 anos. Com um papel mais ofensivo na temporada passada, o capitão liderou o título da Süper Lig e deve aproveitar a chance de disputar mais uma vez a Champions. O canadense também se projeta pelo ótimo desempenho de sua seleção.

Mister Champions

Mats Hummels, do Borussia Dortmund (Imago / OneFootball)

Sporting: Sebastián Coates

O elenco do Sporting tem raros jogadores acostumados a disputar a Champions League. Até por isso, Sebastián Coates merece tal status, mesmo com apenas 11 partidas acumuladas no torneio. O capitão sportinguista, em compensação, possui um currículo que inclui ampla rodagem na Libertadores e na Liga Europa. Além disso, já disputou Copas do Mundo e Copas América com a seleção uruguaia. É uma liderança dentro do plantel leonino por esta vivência, mas também pela capacidade técnica que demonstra no melhor momento de sua carreira. O sistema com três zagueiros tem conferido mais segurança ao veterano, que ainda contribui bastante em suas subidas ao ataque e fez a diferença na conquista do Campeonato Português.

Borussia Dortmund: Mats Hummels

Aos 32 anos, Hummels tem seu lugar na história garantido, especialmente pela conquista da Copa do Mundo em 2014. O zagueiro, de qualquer maneira, também marcou seu nome na Champions League. O ápice de sua trajetória na competição aconteceu na primeira passagem pelo Dortmund, liderando a defesa rumo à decisão em 2012/13. Depois, ainda somaria bons desempenhos no Bayern e voltou para servir de referência no Signal Iduna Park. Considerando as dificuldades do BVB para transmitir solidez atrás, o veterano ainda evitou problemas maiores ao time durante os dois últimos anos. E é um jogador que prima por sua qualidade acima da média, em especial para construir o jogo aos companheiros e oferecer seus lançamentos desde trás.

Ajax: Daley Blind

Daley Blind une duas gerações bastante distintas do Ajax, mas com sua importância na história do clube. O defensor despontou na equipe que enfileirava taças na Eredivisie sob as ordens de Frank de Boer, mas não rendia além das fronteiras. Já depois de sua passagem pelo Manchester United, em que venceu o ex-clube numa final de Liga Europa, voltou para guiar um grupo mais jovem em novas epopeias. O zagueiro já teve momentos melhores individualmente, mas ainda é um ponto central dentro do grupo. Segue na tentativa de honrar um pouco mais o legado da família na Champions, considerando que o pai Danny Blind era o capitão do Ajax campeão europeu em 1995.

Besiktas: Miralem Pjanic

O Besiktas será o quinto clube diferente pelo qual Pjanic disputará a Champions. O meio-campista estourou no Lyon semifinalista em 2009/10. Teve seus momentos com a Roma, antes de virar destaque numa Juventus que não cumpriu seu potencial. Já no Barcelona, virou um medalhão a mais que não impediria o declínio recente dos blaugranas no cenário continental. Mal aproveitado por Ronald Koeman no Camp Nou, o bósnio baixa um nível com sua mudança para a Turquia. Em compensação, deve servir como principal face do Besiktas em sua empreitada continental. Por mais que o elenco das Águias seja bem servido, não conta com outro jogador tão testado no mais alto nível.

A contratação

Pablo Sarabia, do Sporting (Imago / OneFootball)

Sporting: Pablo Sarabia

A saída de Nuno Mendes deixa uma lacuna na lateral esquerda do Sporting, mas em compensação garantiu o principal negócio dos leoninos nesta janela de transferências. Pablo Sarabia chegou por empréstimo, logo para se tornar um dos melhores jogadores do elenco. O espanhol era um ótimo coadjuvante no Paris Saint-Germain, mas ficava claro como seu espaço acabaria reduzido diante das contratações recentes. Depois de uma boa Eurocopa com a seleção espanhola, muda-se a Portugal exatamente para seguir com perspectivas de disputar a Copa do Mundo. Será uma liderança entre os leoninos, até pelas experiências que já teve nas competições continentais. Disputou o torneio pelo Sevilla e contribuiu quando o PSG foi finalista há duas temporadas.

Borussia Dortmund: Donyell Malen

Após a saída de Jadon Sancho, era natural que o Borussia Dortmund trouxesse uma contratação de peso para o ataque. Donyell Malen não supre totalmente a perda e possui um estilo de jogo distinto, mas pode se encaixar ainda melhor no esquema de jogo praticado por Marco Rose. O atacante pareceu se entender de imediato com Haaland fora de campo, enquanto ainda busca seu primeiro gol pelos aurinegros. Todavia, os ótimos momentos com o PSV mostram como o jogador de 22 anos pode fazer estrago em sua nova casa. A Champions, além do mais, é uma nova porta aberta. O holandês disputou apenas uma edição do torneio pelo antigo clube.

Ajax: Steven Berghuis

Um dos negócios mais surpreendentes da janela na Eredivisie envolveu a transferência de Steven Berghuis ao Ajax. O meia defendeu o Feyenoord por cinco temporadas e estava entre os principais ídolos da torcida, por seus ótimos números e por contribuir ao fim do jejum em 2016/17. Aos 29 anos, porém, o holandês aceitou uma proposta dos Godenzonen e o clube pagou sua baixa multa rescisória. A troca gerou muita insatisfação em Roterdã, com insultos e ameaças ao jogador da seleção. Contudo, dentro de campo ele começa a contribuir para a nova equipe. Atuando mais centralizado na armação, vem garantindo assistências aos Ajacieden. Será apenas sua terceira participação na Champions, torneio que pesou em sua polêmica escolha.

Besiktas: Alex Teixeira

Alex Teixeira disputou seis edições consecutivas da Champions quando estava no Shakhtar Donetsk e chegou até mesmo a decidir jogo contra o Real Madrid. Quando sua mudança para o Liverpool parecia provável, o meia aceitou uma proposta da China e permaneceu cinco anos no Jiangsu Suning. Ganhou a liga nacional e seguiu se destacando por lá, mas distante dos holofotes internacionais. O Besiktas, no entanto, aproveitou seu fim de contrato para trazê-lo sem custos e o recoloca na Champions. Aos 31 anos, o brasileiro não precisou de muito tempo para se destacar pelo novo clube. Deve ser um motivo a mais de preocupação para os adversários, sobretudo por sua capacidade de definição nas chegadas ao ataque.

O técnico

Rúben Amorim, do Sporting (Imago / OneFootball)

Sporting: Rúben Amorim

A carreira meteórica de Rúben Amorim terá sua primeira aparição na Champions League. O comandante ainda não tem duas temporadas completas no futebol de elite, mas causou um impacto tremendo à frente do Braga e fez o Sporting ser novamente campeão após quase duas décadas. A quem o vê em breve como um talento para saltos maiores, o torneio continental será importante para indicar seu nível. Talvez a maior questão para o português esteja em manejar o seu elenco, considerando a exigência que a Champions adiciona no calendário. Também haverá certa pressão pelo fato dos sportinguistas serem cabeças de chave, mesmo sem figurarem necessariamente como principais favoritos à classificação. Mas se o altíssimo rendimento no Portuguesão passado já surpreendeu, parece ser possível que o novato consiga de novo superar os prognósticos nesta nova missão.

Borussia Dortmund: Marco Rose

Marco Rose ainda dá seus primeiros passos no Borussia Dortmund e estabelece as bases do novo trabalho. Não dá para dizer, necessariamente, que ele vai emplacar no Signal Iduna Park. Mas o alemão vem de boas campanhas em sua carreira e as copas europeias ajudaram a alimentar sua fama. Primeiro, conquistou a Uefa Youth League com o Red Bull Salzburg. Promovido da base aos profissionais, levou os Touros Vermelhos a uma semifinal de Liga Europa, mesmo sem cumprir o objetivo da classificação inédita à Champions. Já no Borussia Mönchengladbach, conseguiu sobreviver no grupo dificílimo da edição passada da Liga dos Campeões, deixando Internazionale e Shakhtar Donetsk para trás. O Dortmund melhora suas condições de ir mais longe no certame.

Ajax: Erik ten Hag

Após a semifinal de 2018/19, Erik ten Hag teve seu nome ligado a outras ligas europeias. O treinador, entretanto, permanece no Ajax e conduz um trabalho bastante estável em Amsterdã. Mesmo sem repetir o sucesso continental, consegue emendar conquistas na Eredivisie e superou um processo de renovação que poderia ser delicado. Todavia, ainda falta mais um bom desempenho na Champions para realmente convencer clubes interessados a fazerem uma boa oferta para o holandês. Aos 51 anos, Ten Hag não pode ser considerado um técnico promissor e sabe que o sucesso com os Ajacieden talvez seja mesmo a grande marca de sua carreira. Até por isso, ele também não parece ter pressa a buscar novos passos e se mostra disposto a ampliar sua lista de feitos na Johan Cruyff Arena. Nestes anseios pessoais, fazer bonito outra vez na Liga dos Campeões poderia também afirmá-lo de vez como um personagem histórico dos Godenzonen.

Besiktas: Sergen Yalçin

Aos 48 anos, Segen Yalçin possui uma carreira bastante recheada de experiências em clubes médios da Turquia. O treinador passou por Gaziantepspor, Sivasspor, Kayserispor, Eskisehirspor, Konyaspor, Alanyaspor e Yeni Malatyaspor. Alguns deles superaram as expectativas e isso valeu sua primeira chance num dos três grandes, graças às portas abertas no Besiktas. Ídolo do clube nos tempos de jogador, o ex-meia também começou sua carreira à beira do campo nos alvinegros, servindo de auxiliar e treinando a base. Assim, como quem conhece bem o ambiente, precisou de um ano e meio no cargo para conquistar a dobradinha na Turquia. Tal relação histórica pode se reforçar na Champions, a qual Yalçin não disputou como técnico, mas esteve como jogador em três edições distintas. Também será a chance de apagar a má impressão da campanha passada, quando os alvinegros sucumbiram nas preliminares diante do PAOK.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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