Champions League

Guia da Champions League 2021/22 – Grupo B: Atlético de Madrid, Liverpool, Milan e Porto

Atleti e Liverpool se mostram um passo à frente, mas o grupo de camisas mais pesadas também se promete o mais duro

Este texto faz parte do Guia da Champions League 2021/22. Clique aqui e veja mais.

Por que acompanhar?

Liverpool e Atlético de Madrid percorreram na última década trajetórias diferentes em natureza, mas parecidas pela maneira como galgaram os patamares para, neste momento, estarem entre os times mais fortes do continente. Nem sempre é o bastante para aguentar 38 rodadas de uma liga nacional em altíssimo nível, embora muitas vezes seja, mas estão entre os adversários mais perigosos no mata-mata, pela combinação entre a qualidade dos seus técnicos, o apoio das arquibancadas e os seus estilos de jogo. Fizeram oitavas de final da Champions League duas temporadas atrás, com vantagem aos colchoneros, e são os favoritos a passar às oitavas de final.

E olha que o grupo ainda tem o Milan, o segundo clube que mais vezes conquistou a competição. Acontece que ele ainda está no meio do caminho do processo pelo qual os outros dois já passaram. Em reconstrução. De volta à Champions League pela primeira vez em sete anos. Nunca se pode ignorar uma camisa tão pesada, mas esta será praticamente uma missão de reconhecimento para um elenco jovem que ainda busca dar o grande salto.

E ainda tem o Porto, bicampeão europeu, recém-chegado de uma campanha na Champions League em que eliminou a Juventus de Cristiano Ronaldo e não chegou a fazer feio diante do Chelsea, que se tornaria o campeão. Em outros grupos, poderia almejar vaga nas oitavas de final. Chegou a elas em quatro das últimas cinco temporadas. Mas neste, forte demais, seria uma surpresa.

Títulos

Atlético de Madrid: nenhum
Liverpool: 1977, 1978, 1981, 1984, 2005 e 2019
Milan: 1963, 1969, 1989, 1990, 1994, 2003 e 2007
Porto: 1987 e 2004

Retrospecto recente

Atlético de Madrid

2020/21: oitavas de final

2019/20: quartas de final 

2018/19: oitavas de final

2017/18: fase de grupos

2016/17: semifinais

Liverpool

2020/21: quartas de final

2019/20: oitavas de final

2018/19: campeão

2017/18: vice-campeão

2016/17: não disputou

Milan

2020/21: não disputou

2019/20: não disputou

2018/19: não disputou

2017/18: não disputou

2016/17: não disputou

Porto

2020/21: quartas de final
2019/20: terceira fase preliminar
2018/19: quartas de final
2017/18: oitavas de final
2016/17: oitavas de final

Ambição

Imago/One Football

Atlético de Madrid

Tornou-se uma potência do futebol europeu sob o comando de Diego Simeone. Nos últimos oito anos em que disputou a Champions League em sequência, houve apenas uma vez em que escorregou na fase de grupos – e depois seguiu para ganhar a Liga Europa. Eliminou o Liverpool duas edições atrás, e a atuação fraca contra o Chelsea na temporada passada não mudou em nada seu status como um dos favoritos.

Liverpool

Um dos maiores clubes da competição confirmou essa tradição desde que retornou a ela sob o comando de Jürgen Klopp. As últimas participações não foram excelentes, entre o cansaço pela arrancada na Premier League e os problemas da temporada passada, mas o time segue praticamente o mesmo que fez final e foi campeão em dois anos consecutivos. Também está entre os favoritos pelo estágio avançado do trabalho, o treinador que senta no banco de reservas e por ter um dos estádios mais lendários da Europa.

Milan

Um dos problemas quando um gigante passa tanto tempo longe da Champions League é a primeira temporada em que consegue retornar. Pelo coeficiente baixo, não é raro cair em um grupo difícil e, pela natureza de elencos que são construídos fora da principal competição europeia de clubes, há pouca experiência. Tudo isso se aplica ao Milan. O grupo mal poderia ser mais difícil, contra duas equipes cascudas, bem armadas por dois dos melhores técnicos do mundo e que recentemente chegaram muito longe na competição. Um heptacampeão europeu tem que sonhar com as oitavas de final, mas se ficar confortavelmente em terceiro dando um calorzinho nos dois, está bom por enquanto.

Porto

O Porto foi uma das oito melhores equipes da última Champions League e não perdeu de muito do Chelsea. Tem tradição também, torcida apaixonada e consegue ser uma pedra no sapato. O azar foi ter caído em um grupo tão difícil. O objetivo mais realista é aproveitar que o Milan acaba de retornar à Champions League após sete anos afastado, para beliscar a terceira vaga e seguir a sua campanha europeia na Liga Europa.

Ponto forte

Luis Suárez, do Atlético de Madrid (Imago / OneFootball)

Atlético de Madrid

Quase toda temporada começa com a expectativa de que Diego Simeone conseguirá fazer o Atleti jogar de uma maneira mais ofensiva e propositiva. Não demora muito, e ele retorna ao que vem funcionando muito bem há quase uma década, mesmo que com claras adaptações ao estilo de jogo. Não está errado. Nem em tentar coisas diferentes, nem em insistir com o que dá certo: um time que parte de um sistema defensivo praticamente intransponível. E como tem dado certo ao atual campeão espanhol.

Liverpool

O título da Premier League e quase 200 pontos em duas temporadas vieram porque o Liverpool aprendeu a jogar de forma mais cadenciada, a construir também com a posse, mas a sua principal força ainda reside na capacidade de pressionar, roubar a bola e fazer uma das transições mais fatais do futebol europeu, com Salah, Mané, Alexander-Arnold, Andrew Robertson e recentemente também Diogo Jota.

Milan

O Milan tem uma equipe muito jovem, que fez uma temporada equilibrada no Campeonato Italiano, com destaque especial para a campanha fora de casa. A principal força aparece no meio-campo, com os jovens Bennacer e Sandro Tonali e o já mais estabelecido Franck Kessié – e, antes de perdê-lo à Internazionale, também Çalhanoglu.

Porto

Ao surpreender a Juventus nas oitavas de final, o Porto demonstrou ter um sistema defensivo muito forte. Limitou um time que tinha Cristiano Ronaldo – embora coletivamente não estivesse afiado – e completou a estratégia com ótimos contra-ataques.

O craque

Van Dijk, do Liverpool (PAUL ELLIS/POOL/AFP via Getty Images)

Atlético de Madrid

Sempre aparecem candidatos. Mas o pilar em torno do qual tudo gira no Atlético de Madrid continua sendo o capitão Koke, onipresente no título espanhol e muitas vezes atuando como primeiro volante. Pode ser mais meia central, pode atuar mais avançado, até pelos lados de campo se for necessário. Poucas vezes se viu um jogador mais confiável do que ele.

Liverpool

Ninguém dá importância ao que tem até ficar sem, certo? É o que diz o ditado. E a temporada em que o Liverpool ficou sem Virgil Van Dijk foi horrorosa. Tudo bem que ele não foi o único desfalque, que o sistema defensivo havia melhorado como um todo, mas a ausência de um dos melhores zagueiros do mundo (senão o melhor) deixou bem clara a diferença que ele faz. O seu retorno, aliás, também.

Milan

Não é nada absurdo dizer que Theo Hernández foi o melhor jogador do Milan na última temporada. Um lateral esquerdo que, com oito gols, foi o quinto artilheiro do time na temporada, sem falar em todas as assistências que entregou (também oito). Foi uma válvula de escape invejável, tanto que surgiram especulações sobre uma possível venda ao PSG.

Porto

Com 20 gols do meio-campo, Sérgio Oliveira foi um dos maiores destaques do Porto na última temporada. Precisou de paciência para ser firmar nos Dragões e passou ganhar mais chances com Sérgio Conceição. Teve atuação brilhante nas duas partidas contra a Juventus. As especulações sobre uma possível saída foram fortes durante a janela de transferências, e ele ainda não atuou muito neste começo de temporada, mas o Porto provavelmente precisará dele para causar algumas surpresas no grupo.

Mister Champions

Pepe, do Porto (Imago/OneFootall)

Atlético de Madrid

Pelo critério objetivo de quem disputou mais partidas, seria Koke (73). Como já falamos dele, o segundo colocado é Antoine Griezmann, de volta ao Wanda Metropolitano após dois anos muito conturbados no Barcelona, que começaram com a sua saída forçada do Atlético de Madrid. Poderá usar seus 70 jogos pela Champions League para tentar recuperar a confiança das arquibancadas.

Liverpool

Durante algumas edições foi James Milner, o jogador mais experiente de muitos elencos, mas agora ele foi ultrapassado por Mohamed Salah e também por Thiago, o atleta com mais jogos de Champions League do elenco do Liverpool – 65. É o que costuma acontecer mesmo quando você é formado pelo Barcelona e passa a maior parte da sua carreira no Bayern de Munique. Craque da vitória bávara sobre o PSG em Lisboa, foi contratado para dar uma nova dinâmica ao meio dos Reds. Ainda não conseguiu.

Milan

É, eu sei. Ibrahimovic nunca ganhou, tem essa história que não faz gol no mata-mata, mas ninguém no elenco do Milan chega nem perto da experiência do sueco em Champions League, com 120 jogos – e 48 gols. A sua chegada, após atuar na Major League Soccer, foi uma injeção de ânimo e confiança ao time rossonero, que arrancou no primeiro turno e manteve o ritmo para retornar à Champions League.

Porto

Pepe tem 38 anos e uma passagem muito relevante pelo Real Madrid. É naturalmente o jogador mais experiente do Porto, com 104 partidas de Champions League disputadas. O melhor de tudo é que, apesar da idade avançada, continua atuando com regularidade e esteve em campo todos os minutos dos Dragões nas cinco primeiras rodadas do Campeonato Português desta temporada.

A contratação

De Paul é apresentado no Atlético de Madrid (Foto: Divulgação)

Atlético de Madrid

Rodrigo de Paul tende a ser uma tacada certeira do Atlético de Madrid. Campeão da Copa América como um dos destaques e principal jogador da Udinese no Campeonato Italiano, tem experiência, qualidade e ainda está em uma boa idade – 27 anos – para ajudar bastante os colchoneros. Aquele meia que consegue misturar força defensiva com criatividade e chegada ao ataque.

Liverpool

Bom, teve apenas uma. E somente porque era necessário. O Liverpool não havia reposto a saída de Dejan Lovren e a opção de encarar a última temporada com apenas três zagueiros adultos se mostrou equivocada quando Jürgen Klopp chegou a janeiro com os três seriamente machucados. Ibrahima Konaté, 22 anos, segue o perfil de investimentos do clube e tem potencial de ser um parceiro duradouro a Van Dijk. Um problema apenas: seu histórico de lesões é um pouco extenso demais para o conforto de um clube calejado.

Milan

Revelação do Chelsea, Fikayo Tomori impressionou em seu empréstimo ao Milan. Terminou a temporada da Serie A como titular e até fez um gol na Juventus. A permanência do jogador de 23 anos, ainda com um longo futuro pela frente, acabou se tornando uma das grandes prioridades do clube na última janela de transferências.

Porto

Sempre de olho no mercado sul-americano, o Porto contratou o ex-gremista Pepê para fortalecer os lados do seu ataque. O ponta de 24 anos veloz e técnico era um dos principais jogadores do time gaúcho e ainda está sendo inserido aos poucos nos Dragões.

O técnico

Stefano Pioli comemora com os jogadores do Milan (Imago/OneFootball)

Atlético de Madrid

Não convence a todos pelo seu estilo, mas também não poderia dar a mínima para isso porque é o principal arquiteto da ascensão do Atlético de Madrid à primeira prateleira do futebol europeu, e ainda sem ter arrecadações à altura dos gigantes, embora tenha adquirido um poder aquisitivo respeitável. Ganhar o Campeonato Espanhol hoje em dia contra Barcelona e Real Madrid uma vez é um feito incrível. Fazê-lo duas vezes é quase um milagre. Diego Simeone é um dos melhores técnicos do mundo.

Liverpool

Jürgen Klopp também é um dos melhores técnicos do mundo. Talvez fosse o melhor se Pep Guardiola tivesse feito a sua segunda carreira como contador ou corretor de imóveis. Reconstruiu o Liverpool à sua imagem – que agora não envolve mais óculos, após cirurgia na vista, uma perda estética irrecuperável à Champions League – de forma parecida a como Bill Shankly havia feito cinquenta anos atrás. A última temporada foi muito difícil. Além dos resultados ruins em campo e da epidemia de lesões, e de vírus, perdeu a mãe para a Covid-19 e sequer pôde viajar para o seu funeral. Parece um pouco mais abatido, mas talvez o reencontro com as arquibancadas lotadas de Anfield, de onde tira tanto da sua energia, ajude-o a recuperar plenamente aquela vitalidade pela qual ficou conhecido.

Milan

Estava tudo combinadinho para o projeto esportivo do Milan passar às mãos de Ralf Rangnick, mas Stefano Pioli encaixou uma arrancada no Campeonato Italiano na hora certa e, combinada com outras preocupações com o nível de autonomia que o alemão teria, a diretoria decidiu manter o experiente treinador italiano. Pioli retribuiu a confiança devolvendo o Milan à Champions League após uma ausência de sete temporadas.

Porto

Com um passado importante como jogador, Sérgio Conceição começa a construir uma carreira de respeito como técnico. Em quatro anos comandando o Porto, ganhou duas vezes o Campeonato Português, conquistou uma Copa e chegou duas vezes às quartas de final da Champions League. O nó tático contra Andrea Pirlo nas oitavas de final da temporada passada foi um momento particularmente especial.

Mostrar mais

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo