Champions League

Grupo F: Real Madrid, Borussia Dortmund, Sporting e Legia Varsóvia

Por Leandro Stein

Atual campeão europeu, o Real Madrid deverá ter trabalho na fase de grupos. O Borussia Dortmund é um velho conhecido e, apesar das mudanças, segue figurando entre os melhores clubes da Europa, embora tenha se ausentado da última edição da Champions. A princípio, será o potencial candidato a atrapalhar a liderança dos merengues. Os próprios aurinegros, entretanto, ainda precisam provar a sua regularidade com duas competições pesadas pela frente. E terão a concorrência de um Sporting que vem muito bem sob as ordens de Jorge Jesus, mas contratou a rodo e lidará com as perdas fundamentais de João Mário e Islam Slimani. No mais, o Legia Varsóvia deve se dar por satisfeito pela mera participação. Difícil imaginar que brigue mesmo pela vaga à Liga Europa.

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Jogador-chave

Cristiano Ronaldo (Foto: AP Photo/Paul White)

Cristiano Ronaldo (Real Madrid)

O poder de destruição de Cristiano Ronaldo na Champions costuma ser ainda maior. E, voltando de lesão, certamente o craque vai querer tirar o atraso. A disputa com Lionel Messi na artilharia histórica vinha seguindo gol a gol, mas os massacres comandados pelo camisa 7 nas últimas temporadas o deixaram com 10 tentos de vantagem. Máximo goleador do torneio por quatro nos consecutivos, o português pode estabelecer o novo recorde isolado caso repita a dose. Sem dúvidas, a fase de grupos será importante para deslanchar a sua marca. Além disso, há o gosto especial pelo reencontro com o Sporting. O jogo em Lisboa está marcado para a penúltima rodada, em 22 de novembro.

Fique de olho

legia

A torcida do Legia Varsóvia

Depois de 19 anos, o Legia Varsóvia retorna à fase de grupos da Champions League. E não dá para esperar menos do que um clima intimidador nos jogos em casa, diante de uma torcida que, mesmo entre as tantas ensandecidas da Polônia, é considerada uma das mais fanáticas. Visitar Varsóvia não será das missões mais fáceis, ainda que o time não deva ir além da lanterna da chave. Detalhe para o confronto com o Borussia Dortmund, da “rival” Alemanha. Anualmente, os ultras do Legia comandam as comemorações da Revolta de Varsóvia, episódio importante da resistência aos nazistas na Segunda Guerra Mundial. Será o encontro de uma torcida ultranacionalista e conservadora com outra de visões mais libertárias.

O brasileiro

Casemiro, volante do Real Madrid (Foto: AP Photo/Paul White)

Casemiro (Real Madrid)

Se o próprio Zinedine Zidane já elogiou, cabe a nós apenas constatarmos: Casemiro é peça fundamental no Real Madrid que conquistou a Europa em 2016 e busca o bicampeonato que não acontece no continente desde o início dos anos 1990. A consolidação do meio-campista entre os titulares mudou a dinâmica dos merengues. Além de aumentar a solidez defensiva, também potencializou a capacidade na criação, liberando mais Modric e Kroos. E, diante de um ataque veloz como o do Borussia Dortmund, o volante terá um desafio interessante. Vale lembrar que, em sua primeira passagem pelo Bernabéu, a grande atuação aconteceu justamente contra os aurinegros, nos mata-matas da Champions. Casemiro entrou para fechar o time no Signal Iduna Park e conteve a reação dos alemães no placar agregado.

A contratação

Ousmane Dembélé (Ponta, 19 anos, Borussia Dortmund, €15 milhões) - Outro jogador que causou grande comoção no mercado de transferências, especulado em vários gigantes da Europa. Melhor para os aurinegros, que souberam atrair o francês, prometendo o espaço certo para o seu desenvolvimento. Dono de enorme habilidade e poder de decisão, foi a grande revelação da última Ligue 1, pelo Rennes. 

Ousmane Dembélé (Borussia Dortmund)

O Borussia Dortmund fez o maior mercado de sua história. Natural, até pelas vendas de três de seus protagonistas. E, ainda que alguns de seus reforços sejam mais maduros para o encaixe imediato, como André Schürrle ou Mario Götze, as expectativas sobre Dembélé andam altas. O garoto francês deslumbrou na primeira rodada da Bundesliga, com um bom repertório de dribles na vitória sobre o Mainz 05. Não parece sentir muito o peso da responsabilidade. Agora, é ver como se sai na principal competição de clubes da Europa. A fase de grupos será ótima para a adaptação do prodígio.

Extra: O técnico

Jorge Jesus, técnico do Sporting (AP Photo/Paulo Duarte)

Jorge Jesus (sporting)

Sem dúvidas, Thomas Tuchel e Zinedine Zidane vêm de excelentes trabalhos na última temporada. Entretanto, se há um técnico que pode mesmo fazer a diferença nesta fase de grupos, este é Jorge Jesus. O português também mereceu elogios em seu primeiro ano no Sporting. E a responsabilidade recairá sobre os seus ombros, com a reestruturação dos alviverdes. João Mário e Slimani renderam ótimos valores aos cofres do clube, enquanto a permanência de Adrien Silva foi um trunfo. Agora, é lidar com as novas peças. E os sportinguistas foram ferozes no mercado, mesmo sem nenhum reforço estelar. Entre os novatos, nomes como Bas Dost, Elias, Luc Castaignos, André, Douglas, Joel Campbell, Lazar Markovic, Marcelo Meli, Bruno Paulista e Alan Ruiz. Muitas opções, que dependerão do encaixe proposto por Jesus.

Na história

Semifinal da Champions em 1998: Real Madrid x Borussia Dortmund

Rivais corriqueiros nas últimas temporadas, Dortmund e Real Madrid recontam uma história grandiosa em 1998. A semifinal daquela edição da Champions serviu para “passar as faixas”. Dono do título em 1997, o Dortmund vinha em declínio, mas seguia com a qualidade de Chapuisat, Möller, Reuter e Ricken. O problema é que o Real Madrid tinha fome de um jejum de 32 anos, e se beneficiou do primeiro jogo em casa. Karembeu e Morientes fizeram os gols no Bernabéu, antes do empate por 0 a 0 no Westfalenstadion. O caminho da taça para Raúl, Redondo, Hierro, Seedorf, Illgner, Roberto Carlos, Mijatovic, Sanchís e outros ídolos.


1998 (April 1) Real Madrid (Spain) 2-Borussia… por sp1873

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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