Champions League 2026/27

Grupo E: Bayern de Munique, Benfica, Ajax e AEK

Por que vale a pena acompanhar esse grupo

Certo, é quase impossível imaginar a ideia do Bayern de Munique sem ocupar uma das duas vagas que levam às oitavas de final da Champions. Entretanto, a disputa pela outra vaga promete algum equilíbrio. Benfica e Ajax mostram capacidades e qualidades parecidas: equipes ofensivas e técnicas, além da tradição inquestionável em torneios continentais. E até mesmo o AEK, um tanto quanto eclipsado em termos de disputa de lugar nas oitavas, pode se valer da frequente força dos times gregos em casa para oferecer dificuldades aos adversários.

O estádio que faz a diferença

Quase nenhum grupo desta Liga dos Campeões tem quatro estádios que podem ser incluídos entre os maiores e melhores da Europa, como este Grupo E. Afinal, Allianz Arena, Estádio da Luz, Johan Cruyff Arena e Estádio Olímpico de Atenas são “estádios A” da Uefa: já sediaram finais de grandes competições continentais, sem exceção. Contudo, só a sede em que o AEK manda seus jogos poderá ter uma torcida capaz de ajudar sua equipe a se agigantar em campo. O Bayern até se faz respeitar em sua casa, mas já perdeu até uma final de Champions na Allianz Arena (2011/12); Ajax e Benfica já desperdiçaram pontos nas ligas nacionais em seus domínios, nesta temporada. Por mais que o AEK tenha apenas empatado com o MOL Vidi, da Hungria, no jogo de ida dos play-offs pelo lugar na fase de grupos, é certo que os adeptos fervilhantes ajudarão demais os aurinegros a tentarem surpreender os adversários em Atenas.

Lei do Ex

Quando despontou, com desempenho promissor e destemido para seus 19 anos à época durante a Euro 2016, Renato Sanches chamou a atenção do Bayern de Munique, que o tirou do Benfica apostando que não demoraria para ver o novato português ser jogador importante no meio-campo. Bem, ainda não aconteceu, tanto que o nativo da Amadora até passou um tempo emprestado ao Swansea. E segue sem muito espaço nas opções que Niko Kovac tem escolhido, nos titulares e nos reservas. Ainda assim, o Rekordmeister mantém a confiança no cidadão de 21 anos – de outro modo, ele não teria sido reintegrado e incluído no grupo relacionado para a Champions. Talvez venha contra o Benfica um momento importante para Renato Sanches virar sua história no clube alemão. Que, por sua vez, terá uma “semiameaça” no banco do Ajax – o técnico dos Amsterdammers, Erik ten Hag, ficou entre 2013 e 2015 comandando a equipe B do clube de Munique.

Ambição na fase de grupos

Bayern – Passar de fase é apenas o esperado (e obrigatório) para o Bayern numa Liga dos Campeões. Então, o que se ambiciona é passar de uma maneira mais inquestionável e tranquila do que na temporada passada, quando a crise no início da fase de grupos assustou.

Benfica – Mais do que se classificar, o Benfica tem a ambição de mostrar que merece o posto de “outro favorito” do grupo. O Ajax tem tradição e técnica, o AEK tem o esforço, mas são as Águias o time mais frequente do grupo além do Bayern na Liga dos Campeões, nas últimas temporadas. É o momento de se impor.

Ajax – Superar Benfica e AEK para voltar ao mata-mata da Champions após 12 anos; a partir disso, voltar a falar grosso no futebol holandês; por meio disso, justificar a ambição incomum demonstrada na preparação para esta temporada… há vários desejos em jogo para os Godenzonen.

AEK Atenas – O Bayern é o grande favorito. Benfica e Ajax são considerados os contendentes à outra vaga nas oitavas de final. Pouco se fala do AEK. Exatamente nisso reside a grande ambição do time grego: superar na maciota os adversários mais falados, para surpreender.

Ponto Forte

Bayern – O mesmo ponto forte de qualquer clube gigante europeu: fartas opções de qualidade, em campo e no banco, capazes de resolverem os jogos mais difíceis, formando um time que sempre sonha com o título da Champions.

Benfica – A certeza de que seus destaques podem corresponder. Até por terem feito papel muito decepcionante na edição passada da Champions, os benfiquistas precisam dar alguma satisfação desta vez. E a torcida sabe em quem pode confiar: Eduardo Salvio, Andrija Zivkovic, Franco Cervi e Jonas. Foram os esteios dos avanços algo árduos contra Fenerbahçe e PAOK, nas fases preliminares.

Ajax – A força Ajacied talvez se resuma numa palavra já citada: ambição. Por ela, o clube gastou quantias incomuns para clubes holandeses, a fim de trazer Tadic e Daley Blind. Por ela, o clube manteve nomes cobiçados: De Ligt, Ziyech e David Neres. Por ela, a equipe de Erik ten Hag tem técnica e segurança bastantes para disputar vaga nas oitavas. Já mostrou isso nas fases preliminares, despachando Standard Liège e Dynamo Kiev sem se complicar.

AEK Atenas – Otimismo. O time ateniense quebrou o longo domínio do Olympiacos no Campeonato Grego, conquistando o título de 2017/18. A vitória na Super League (que ainda teve o drama adicional da espera pela confirmação judicial, após polêmica no jogo contra o PAOK) coroou o renascimento dentro e fora de campo vivido nos últimos anos. Superar Celtic e Vidi nas fases preliminares da Champions ampliou a festa. E ir bem na fase de grupos, mesmo que isso signifique apenas a vaga na Liga Europa, estenderia esse clima de renascimento.

O craque

Bayern – Por mais opções técnicas que tenha (e as tem), o time de Munique vê várias possibilidades de craques. Umas já sentem os efeitos do tempo, como Arjen Robben e Franck Ribéry; outras têm o que provar, como Leon Goretzka e, após a Copa, Robert Lewandowski e Thomas Müller. Então, Thiago Alcântara talvez seja o nome, ditando o ritmo no meio-campo.

Benfica – Salvio, Seferovic, Zivkovic, Ferreyra, Pizzi… todos eles ajudam bastante. Mas se gols são o mais necessário para vencer, o velho e bom Jonas ainda é o nome. Goleador do Português em 2017/18, o brasileiro renovou contrato – e voltará de lesão para seguir como principal trunfo dos Encarnados.

Ajax – David Neres é insinuante na ponta direita, Matthijs de Ligt promete muito na zaga, Huntelaar traz experiência e gols. Mas ainda é de Hakim Ziyech que a torcida espera coisas diferentes e diferenciadas. Na relação de amor e ódio que tem com os adeptos e com o clube, o marroquino anda mais pacificado. Queria sair, mas aceitou bem a permanência. Sorte do Ajax, que manteve seu principal criador de jogadas.

AEK Atenas – Do trio que se destacou na conquista da liga, o argentino Sergio Araujo se foi, voltando ao Las Palmas após empréstimo. Lazaros Christodoulopoulos foi mais uma defecção sentida, indo para o Olympiacos. Restou o croata Marko Livaja, que terá de fazer muita coisa no ataque (com Viktor Klonaridis ajudando no meio-campo) para compensar a inclinação defensiva da equipe treinada por Marinos Ouzonidis.

Mister Champions

Bayern – Como qualquer clube graúdo europeu, o Bayern pode se gabar de não ter somente um “Mister Champions”. Felizmente, ainda há muitos remanescentes das duas finais seguidas (2011/12 e 2012/13) que podem dar a segurança em momentos cruciais. Neuer, Boateng, Javi Martínez, Thomas Müller, Ribéry, Robben: todos têm experiência para dar e vender – sem contar Hummels e Lewandowski, que estavam do lado oposto na final de 2012/13.

Benfica – Ele já não é titular, já tem 37 anos, tem mais importância pelo que simboliza. Mas talvez seja exatamente por tudo isso que Luisão seja o “Mister Champions”. Desde 2003 no clube lisboeta, desde 2003/04 jogando Champions, o zagueiro tem experiência absoluta para ajudar a equipe quando necessário.

Ajax – Não, o Ajax não é um clube feito de completos neófitos em competições continentais. Muitos estavam na final da Liga Europa em 2016/17 (Onana, De Ligt, Lasse Schöne, Donny van de Beek, Ziyech, David Neres, o lesionado Veltman…), Huntelaar é o nome calejado de muitas temporadas. No entanto, aqui se fala de Champions – e falta ao Ajax o grande nome na maior competição continental europeia. Dentro de campo, bem entendido. Aí, é só olhar para a diretoria e ter a inspiração: Marc Overmars (diretor de futebol) e Edwin van der Sar (diretor geral), nomes campeões dentro de campo em 1994/95, última vez em que o Ajax vociferou que era o maior da Europa.

AEK Atenas – Valeria citar o capitão Petros Mantalos, que já esteve na participação fugaz do clube do escudo da águia de duas cabeças na Liga dos Campeões (a terceira fase preliminar em 2016/17, com eliminação para o CSKA Moscou). Mas há um sujeito relativamente conhecido do futebol europeu, de contrato recém-renovado com o AEK, que tem lá sua importância. Pode não ter deixado saudades no Barcelona, os tempos bons no Shakhtar Donetsk já se vão longe, mas Dmytro Chygrynskiy pode ajudar em algo o clube ateniense nesta Champions.

A contratação

Bayern – Joshua Kimmich, Niklas Süle e Serge Gnabry já representam a “ala jovem” do Bayern. Mas Leon Goretzka merece o título de contratação: a vinda era certa desde janeiro, mas agora o meia chega de vez. Com uma obrigação: mostrar no grande clube da Alemanha por que era destaque no Schalke.

Benfica – Como já dito, Jonas está na fase final de recuperação de uma lesão. Se é assim, Facundo Ferreyra já mostrou sua importância no começo de sua passagem pelo Benfica: recém-chegado do Shakhtar Donetsk, o atacante argentino tem sido a opção mais frequente de Rui Vitória para ser titular no meio da área, superando Nicolás Castillo e Seferovic nas fases preliminares da Champions e no Campeonato Português.

Ajax – O Ajax já tinha mantido o principal criador de jogadas com Hakim Ziyech? Pois ainda trouxe outro. Dusan Tadic foi convencido a deixar o Southampton e voltar à Holanda, para ser literalmente o camisa 10 – Ziyech teve de cedê-la. Por enquanto, o sérvio está justificando o gasto (11,4 milhões de euros): já são três gols no Campeonato Holandês, três na fase preliminar da Champions e muitos passes. Daley Blind até foi outra contratação notável, por trazer experiência e por ser a “volta do filho pródigo”. Mas Tadic tem tudo para impulsionar ainda mais o Ajax dentro do grupo E.

AEK Atenas – O argentino Ezequiel Ponce ainda é relativamente jovem – 21 anos. Já pertence à Roma há três anos, e tem sido emprestado a vários clubes, para ter algum tempo de jogo e estar pronto para ser utilizado quando voltar ao grupo romanista para ficar. Enquanto isso não acontece, Ponce passará esta temporada no AEK. Já entrou contra Celtic e Vidi, vindo da reserva, e deverá estrear na Champions como titular, pela expulsão de Livaja no jogo de volta contra o Vidi.

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