Champions League

Gasperini: “O que deixa um gosto amargo é que não pudemos jogar o jogo que estávamos esperando”

A derrota da Atalanta para o Real Madrid por 1 a 0 deixou uma sensação de frustração nos jogadores e no técnico do clube italiano. Com um jogador expulso aos 17 minutos do primeiro tempo, quando Remo Freuler fez uma falta em Ferland Mendy que o juiz, de forma rigorosa, é verdade, mostrou cartão vermelho. O técnico Gian Piero Gasperini disse que o jogo foi “arruinado” com a decisão e criticou a arbitragem. Além disso, o técnico afirmou que esperava fazer um jogo muito diferente. A Dea se defendeu quase todo o jogo e acabou tomando o gol de Mendy bem ao final do duelo, aos 41 minutos.

“O que deixa um gosto amargo é que não pudemos jogar o jogo que estávamos esperando”, afirmou o técnico à Sky Sport Italia. “À parte o resultado, a satisfação de jogar contra o Real Madrid na Champions League. Eu não sei qual seria o resultado, mas o jogo foi completamente arruinado pelo incidente que foi julgado de forma excessiva”, continuou o treinador. “A classificação nos coloca na melhor posição possível e nós apenas temos que vencer e não pensar em nada mais. Nós esperávamos por um resultado diferente, e sobretudo por uma partida diferente”.

“Estávamos nos minutos finais, só tínhamos que trazer o resultado para casa. Mesmo assim, sofremos um gol com o pé direito de Mendy, o que é um pouco estranho, quase um golpe de sorte. É uma pena”, comentou ainda o técnico. “Considerando como o jogo aconteceu, o resultado de 1 a 0 não foi nem tão ruim, mas nós lamentamos que não tivemos oportunidade de jogar”.

Os jornais italianos foram muito duros com a arbitragem. A Gazzetta dello Sport escreveu que o cartão “mudou todo o jogo” e questionou o lance ter sido considerado uma chance clara de gol, “já que o francês estava de frente para Pierluigi Gollini, mas parecia estar indo para longo do gol”.

O Corriere dello Sport também criticou o árbitro Tobias Stieler. “Pouco convincente, principalmente no aspecto disciplinar, e deixa a desagradável sensação de saber para que lado está soprando o vento”, acusou o jornal, pegando até um tanto pesado.

“Teria sido um jogo muito diferente com 11 contra 11. As pessoas falam sobre os desfalques, tudo bem, mas eles ainda têm uma qualidade imensa no elenco”, disse Gasperini. “Eu queria um jogo mais aberto, nós começamos bem com alguns bons movimentos. Era para ser um espírito totalmente diferente na partida”.

“Nós defendemos bem e quase trouxemos o empate com o 0 a 0, mas seria certamente muito mais divertido com 11 contra 11”, continuou o técnico. “O jogo foi arruinado. Na temporada passada, depois de um caos absoluto, a regra do toque de mão foi resolvida. Agora nós temos a tentação de remover qualquer tipo de contato no futebol e isso é um suicídio para o esporte”.

“Eu fui punido por dizer algumas coisas na Serie A, se eu disser alguma coisa agora e Uefa irá me suspender por um mês. Mas isso é suicídio do futebol. Nós não podemos ter árbitros que nunca jogar futebol e não sabem a diferença entre uma disputa de bola e uma falta. Se eles não podem diferenciar, eles deveriam ter outro trabalho, francamente. Eles deveriam pegar pessoas que jogaram futebol ao invés disso”.

“Os árbitros ainda tem os replays em vídeo agora, eles têm tudo que precisam para julgar, e ainda assim, com replays, eles erram. Você espera tanto por esse evento e ele é arruinado. Nós poderíamos ter perdido de qualquer forma, eu não estou reclamando do resultado, mas nós ao menos poderíamos ter jogado o nosso jogo”, continuou Gasperini. “Nós estamos satisfeitos, porém, e nós vamos a Madri para jogar o nosso jogo”.

Muriel: “A expulsão nos tirou o fôlego”

O trabalho defensivo do time foi um dos pontos que dificultaram a partida da Atalanta, uma equipe usualmente ofensiva. O atacante Luis Muriel foi um dos que admitiu que o cansaço de ter que defender mais do que o habitual foi um fator para o jogo não fluir tão bem no ataque. “É difícil julgar um jogo assim. Nós tentamos ajudar o time, quando nós tínhamos a bola no nosso pé não tínhamos muito oxigênio para chegar ao cérebro, mas nós trabalhamos duro”, afirmou o atacante.

“Nós certamente sentimos que lidamos com uma injustiça. Vimos o vídeo no intervalo também, foi realmente um cartão vermelho excessivo e isso nos tirou o fôlego. Nós nos preparamos para uma certa abordagem e aquele cartão vermelho mudou tudo que queríamos fazer”.

“Eu acho que nós fomos muito bem ao manter aberto como conseguimos e nos colocarmos em uma posição que podemos reverter na segunda partida. Não é impossível, nós temos uma chance no jogo de volta”, analisou o jogador.

Tolói: “Estamos vivos para o jogo de volta”

“Nós lutamos até o fim. É difícil lutar contra o Real Madrid, ainda mais quando estamos com 10 jogadores”, afirmou Toloi à Sky Sport Italia. “Eu não acho que merecia um cartão vermelho, já que tínhamos Romero cobrindo e ele estava indo para o lado, de qualquer forma. Apesar disso, nós defendemos bem, nós estamos vivos para o jogo de volta e provamos que podemos jogar ao nível do Real Madrid”.

“Mesmo com um jogador a menos, nós criamos algumas chances interessantes. Uma vez que conseguimos passar pela primeira pressão, nós tivemos espaços para jogar, então podemos causar problemas a eles em Madri”, continuou o zagueiro.

“Nós nos sentimos mais fortes neste jogo, nós sabemos que podemos jogar bem contra qualquer um. Obviamente, há um gosto um pouco amargo na boca depois de sofrer um gol no final, mas nós nos sentimos conscientes do que somos capazes e há a segunda partida a ser disputada”, afirmou ainda Tolói.

Os dois times voltam a campo no dia 16 de março, uma terça-feira, desta vez no Estádio Alfredo Di Stefano, em Madri. A Atalanta precisa de qualquer vitória para se classificar. Se vencer por 1 a 0, o jogo vai para os pênaltis. Vitória com mais de um gol marcado classifica os italianos. Qualquer outro resultado leva o Real Madrid às quartas de final.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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