Champions League

Futuro nebuloso: Shakhtar está fora da fase de grupos da Champions pela primeira vez desde 2009

Durante cerca de uma década, o Shakhtar Donetsk ocupou o posto de clube mais temido do Leste Europeu. Desde 2004/05, os ucranianos se ausentaram apenas duas vezes (a última delas, em 2009/10) da fase de grupos da Champions, enquanto se tornaram figuras recorrentes nos mata-matas e conquistaram até mesmo a Liga Europa. O conflito civil na região de Donbass, no entanto, transformou um bocado o cenário. O Shakhtar perdeu sua hegemonia no Campeonato Ucraniano para o Dynamo Kiev, teve que deixar de mandar seus jogos em casa e viu uma debandada de talentos. Ao fim da última temporada, uma era se encerrou com o adeus do técnico Mircea Lucescu. E, nesta quarta, o ponto mais baixo da derrocada: o clube sequer vai disputar os playoffs para a fase de grupos da Champions. Caiu para o Young Boys, eliminado nos pênaltis, depois da derrota por 2 a 0 na Suíça.

VEJA TAMBÉM: A Champions já tem seus épicos, golaço de Jonathan Cafu (!) e a primeira surpresa: o Dundalk, da Irlanda

Depois da vitória por 2 a 0 em Lviv, o Shakhtar não demonstrou a mesma consistência no jogo de volta. E cedeu o empate no placar agregado logo no início do segundo tempo, com dois gols de Yuya Kubo. A igualdade persistiu na prorrogação e a pontaria do Young Boys pesou na disputa por pênaltis. Os suíços venceram por 4 a 2, sem desperdiçar uma cobrança sequer. Enquanto isso, Rakitskiy e Fred falharam para os ucranianos, que agora terão que disputar a última fase qualificatória da Liga Europa.

Sem conseguir atrair jogadores que fossem capazes de repor as perdas dos últimos anos, como Willian e Douglas Costa, o Shakhtar precisou se reconstruir um nível abaixo. E esse reflexo se dá em campo atualmente. Ficaram as promessas brasileiras que não vingaram como o esperado, a exemplo de Dentinho e Bernard. Enquanto isso, mesmo a antiga base não rende o mesmo, envelhecida. O português Paulo Fonseca terá dificuldades para conduzir o início de seu trabalho, ainda que chegar aos mata-matas da Liga Europa não pareça tanto um problema. A questão será a competitividade interna na Ucrânia. Em um país de duas potências, agora é o Dynamo Kiev quem está pronta para desfrutar da hegemonia por alguns anos.

O Young Boys, todavia, não foi a única surpresa da quarta. Outro participante costumeiro da Champions, o Olympiacos caiu para o Hapoel Be’er Sheva, em Israel. Depois do empate sem gols na Grécia, os israelenses avançaram pelo placar mínimo, com tento de Tzedek. Já o Rostov desbancou o Anderlecht dentro da Bélgica. Após o empate por 2 a 2 em casa, os russos buscaram o resultado por 2 a 0.

E mais zebras só não aconteceram porque outros gigantes se salvaram nos últimos instantes. O Ajax não tinha animado muito ao empatar em Amsterdã com o Paok. E a casa parecia cair em Salônica quando os gregos saíram em vantagem com apenas quatro minutos. Contudo, Klaassen comandou a vitória por 2 a 1 e a classificação anotando os dois gols, o segundo aos 43 do segundo tempo. Já na Escócia, o Celtic tentava ir além do 1 a 1 com o Astana na ida. O placar ia se repetindo até os 47 do segundo tempo, quando Dembélé fez de pênalti o tento decisivo.

Por fim, destaque também para o Monaco, que venceu o Fenerbahçe por 3 a 1 no principado, depois de perder por 2 a 1 em Istambul. De pênalti, Falcao García marcou um dos gols da noite. Em Bucareste, Stanciu liderou o avanço do Steaua Bucareste sobre o Sparta Praga, com a vitória por 2 a 0. Também se classificaram nesta quarta Red Bull Salzburg, Kobenhavn e Legia Varsóvia. O sorteio dos playoffs acontece na próxima sexta. Abaixo, os potes:

Rota dos campeões

Pote 1: Viktoria Plzen, Celtic, Red Bull Salzburg, Apoel, Legia Varsóvia
Pote 2: Dinamo Zagreb, Dundalk, Kobenhavn, Ludogorets, Hapoel Be’er Sheva

Rota da liga

Pote 1: Manchester City, Porto, Villarreal, Ajax, Borussia Mönchengladbach
Pote 2: Roma, Steaua Bucareste, Monaco, Young Boys, Rostov

 

Mostrar mais

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo