Champions League

Fogo contra fogo: Atlético arranca vitória no contra-ataque, mas terá vida dura em Leicester

A lição que o Leicester deu no primeiro confronto eliminatório de Champions League da sua história, contra o Sevilla, foi muito clara. O time não é brilhante, nem está entre os que fazem jogadas mais elaboradas e imprevisíveis. Ao contrário: é um time totalmente previsível. Mesmo assim, muito difícil de enfrentar. O Atlético de Madrid sabia e, por isso, martelou desde o minuto inicial. Em um confronto de dois times com a mesma característica, embora de qualidades bem diferentes, o Atlético venceu, mas o Leicester não ficou triste com a derrota por 1 a 0.

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O Atlético de Madrid sabia o que fazer. Sabia como seria o jogo. Martelou, martelou, martelou. Arrancou o gol em um contra-ataque e um pênalti controverso. O 1 a 0 veio justamente com uma arma típica do Leicester, mas que também é especialidade do time de Diego Simeone. Só que a vantagem ficou curta e o duelo está aberto. Assim como foi contra o Sevilla, o Leicester enfrentou um adversário mais forte, que dominou o jogo, martelou e só venceu por 1 a 0. A diferença é que o time inglês não marcou um gol fora de casa desta vez. O 1 a 0 para os Foxes em Leicester levará à disputa dos pênaltis.

O jogo começou muito corrido pelos dois lados. Pressão do Atlético, seguida de contra-ataque do Leicester, mas nenhum lance de perigo de lado a lado. Aos três minutos, Koke recebeu de Griezmann e, de fora da área, chutou bem e a bola bateu na trave direita do goleiro Kasper Schmeichel. Simeone já levou as mãos à cabeça. Aos oito, cruzamento que veio da esquerda de Filipe Luís, Huth cortou mal cabeceando para o alto e Carrasco finalizou de primeira atrás dele, mandando torto para fora.

Curiosamente, o Atlético de Madrid conseguiu marcar o seu gol a partir de uma jogada de contra-ataque fulminante, aos 27 minutos. Koke pegou o rebote de um escanteio e lançou Griezmann no lado esquerdo. O francês correu para cima de Albrighton, que estava na cobertura, e foi derrubado. Dentro ou fora da área? O lance foi duvidoso, mas o árbitro apontou a marca da cal: penalidade máxima. No replay, a falta foi mesmo fora da área. Griezmann, que não tem nada com isso, cobrou e marcou: Atlético 1 a 0.

O volume de jogo do Atlético de Madrid não foi suficiente para ir além de um gol de pênalti mal marcado. O time podia ter feito mais. O Leicester, lembrando do que aconteceu em Sevilla, sabia que sair com um 1 a 0 contra, pelo que foi o jogo até ali, era lucro. O Atlético também sabia do mesmo. Queria o segundo gol de qualquer forma e voltou para o segundo tempo para isso. Pressionou o quanto pôde.

O segundo tempo começou como o primeiro. O Leciester, mesmo perdendo por 1 a 0, não mudou nada da sua postura em campo. Se defendia com os 11 jogadores, enquanto o Atlético tentava balançar o time inglês de um lado para o outro para achar o espaço para uma finalização. Aos 14 minutos do segundo tempo, um ataque rápido do Leicester e Mahrez entrou na área driblando pela esquerda. Tentou passar pela marcação de Gabi, mas forçou a barra. Se jogou e pediu pênalti, mas o árbitro não caiu na dele.

Logo depois, o Atlético teve uma grande chance para ampliar. Koke fez um bom passe para Fernando Torres, que colocou na frente, ficou de frente para o gol e… Escorregou. Isso mesmo. Perdeu uma chance clara que poderia ter dado a vantagem que o Atlético tanto perseguia no segundo tempo.

O Atlético de Simeone sabia que 1 a 0 era pouco contra o perigoso Leicester. O que se viu em campo contra o Sevilla no King Power Stadium, na fase anterior, já mostrou isso. Então, o time continuava martelando, buscando mais um gol de vantagem. O Leicester lembrou o time campeão inglês: duas linhas de quatro, um time bem compacto, todo mundo correndo muito.

Para tentar algo diferente, Simeone fez duas mudanças. Aos 20 minutos, tirou Yannick Carrasco para colocar Ángel Correa. Dez minutos depois, tirou Fernando Torres e colocou Thomas Partey. A pressão forte do time colchonero continuou até o final do jogo. Foram 15 finalizações do Atlético de Madrid contra seis do Leicester. Os Foxes não acertaram nenhum chute a gol. O Atlético acertou quatro. Não adiantou. O jogo ficou no 1 a 0 para o clube de Madri e o Leicester pode não ter comemorado em campo, mas certamente no vestiário os jogadores ficaram satisfeitos. Fizeram mais uma vez um grande trabalho defendendo e decidirão a vaga nas semifinais em casa tendo chances de avançar.

Vale ressaltar a atuação de Wilfred Ndidi. O volante se tornou uma peça fundamental para o Leicester temporada. O nigeriano veio do Genk e tomou conta da posição. Não é do nível N’Golo Kanté, mas é de um nível altíssimo que dá equilíbrio para um time que depende tanto da marcação para ter sucesso no seu estilo. Foi, de longe, o melhor jogador do time no estádio Vicente Calderón, marcando muito forte e não dando espaço no seu setor. Com apenas 20 anos, é um jogador para ficar de olho.

Se o Leicester deixa o Calderón com a sensação de lucro por ter só tomado um gol, o Atlético também pode imaginar que na Inglaterra o jogo terá um panorama completamente diferente. Até porque o Leicester não poderá jogar o tempo todo na defesa. Precisará de um gol de qualquer jeito, se não estará eliminado. E aí, será a vez do Atlético de Madrid atacar fogo contra fogo. Poderá esperar o contra-ataque, uma arma que também sabe usar tão bem. E ainda pode comemorar mais um aspecto: continua sem sofrer gols em casa nos jogos eliminatórios da Champions League. É uma defesa para lá de sólida. Se conseguir manter-se assim também na casa do campeão inglês, sairá com a vaga para a semifinal.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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