Champions League

O Dortmund se reergueu, mas o Monaco acaba voltando para casa com ótima vantagem

O futebol prevaleceu. Apesar de todas as preocupações após o atentado ao ônibus do Borussia Dortmund, o Signal Iduna Park viveu 90 minutos de bola rolando nesta quarta-feira. O ritmo do jogo não foi constante. Durante o primeiro tempo, os aurinegros se mostraram um tanto quanto desconcentrados – em problema que pode ser vinculado com o trauma passado menos de 24 horas antes, mas também com os problemas táticos da escalação inicial de Thomas Tuchel. Fato é que os alemães se reergueram com a ajuda de sua torcida, sobretudo na segunda etapa, quando fizeram um duelo franco com o Monaco. Entretanto, contando com o poder de decisão de Kylian Mbappé, os alvirrubros saem com boa vantagem no confronto pelas quartas de final da Liga dos Campeões, graças à vitória por 3 a 2. O reencontro no principado acontece na próxima semana.

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A atmosfera do Signal Iduna Park foi dominada pela gratidão dos torcedores do Monaco pela acolhida, assim como pela força transmitida pelos fanáticos do Dortmund – desde o “You’ll Never Walk Alone” cantado a plenos pulmões ao mosaico permanente na Muralha Amarela. Além disso, os aurinegros fizeram diversas homenagens a Marc Bartra, se recuperando da cirurgia após ser atingido por estilhaços nas explosões. Durante o hino da Champions, alguns jogadores pareciam emocionados com as circunstâncias. O próprio Tuchel havia declarado, antes da partida, que o impacto havia se dado de diferentes maneiras sobre os seus comandados – apontando que a remarcação do embate para o dia seguinte ao atentado “não era a decisão mais justa”, diante do abalo psicológico.

De qualquer maneira, o Dortmund precisou seguir em frente. E a sua escalação inicial, um 3-5-2 com laterais mais defensivos, não surtia efeito. Os germânicos tinham mais posse de bola, mas encontravam dificuldades claras para encontrar espaços na defesa adversário. Bem compacto, o Monaco contava com o trabalho de seus laterais substitutos, Almamy Touré e Andrea Raggi, ambos mais defensivos que os titulares habituais – Benjamin Mendy e Djibril Sidibé. Escolhas de Leonardo Jardim que vieram a calhar. Além deles, João Moutinho e Fabinho também eram ótimos na cabeça de área. Exceção feita a dois chutes para fora, os aurinegros pouco fizeram no começo do jogo. Viram os alvirrubros saírem em vantagem logo de cara.

O gol poderia até ter acontecido antes. Aos 16 minutos, o árbitro viu um pênalti inexistente de Sokratis Papastathopoulos sobre Mbappé. Na cobrança, Fabinho encarou a Muralha Amarela e bateu para fora, desperdiçando sua primeira cobrança pelo clube, após 15 acertos. Três minutos depois, porém, o Monaco abriu a contagem. A defesa do Dortmund pareceu perdida diante da troca de passes e Thomas Lemar cruzou para Mbappé (impedido) completar para as redes.

O poder de reação do Borussia Dortmund era praticamente nulo. O time não conseguia encadear suas jogadas, mesmo com a bola nos pés, e sofria bastante com os contra-ataques. As bolas nas costas de seus laterais se tornaram motivo de tormenta. Ainda assim, houve uma chance de empatar aos 30 minutos, em jogada individual de Matthias Ginter, que Shinji Kagawa não conseguiu bater em cheio. Logo na sequência, o Monaco ampliou a margem. Uma infelicidade imensa de Sven Bender, que reclamou de falta em contato com Radamel Falcao García, anotando um gol contra vexatório. Desconcentrados, os anfitriões precisavam de uma reviravolta.

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E ela veio, logo no retorno para a etapa complementar. Tuchel promoveu duas mudanças: colocou Christian Pulisic no lugar de Sven Bender, recuando Ginter para o miolo de zaga; e botou Nuri Sahin na vaga de Marcel Schmelzer, com Raphaël Guerreiro deslocado à ala. O Dortmund passou a se impor no campo de ataque e a criar bastante pelos lados do campo. Pulisic infernizava pela direita, ganhando o apoio de Ousmane Dembélé com constância. Ficou mais fácil de invadir a área. O gol parecia questão de tempo.

Logo aos 12, enfim, os aurinegros descontaram. Ótima jogada coletiva, com a bola rodando pelo campo de ataque. Após cruzamento da esquerda, Pierre-Emerick Aubameyang desviou de calcanhar para Kagawa, saindo na cara de Danijel Subasic. O japonês só rolou para Dembélé escorar sozinho na pequena área. Então, o empate parecia até mais próximo. O Monaco cometia muitas faltas, quase todas cobradas por Raphaël Guerreiro, e se safava como podia. Se havia alguma esperança de assegurar o resultado positivo, era nos contra-ataques. Aos 30, Radamel Falcao García poderia ter resolvido, mas perdeu de frente para Bürki. Já aos 34, Mbappé brilhou de novo. Com os alemães adiantados no campo, ele pressionou a saída de bola, interceptou o passe de Lukasz Piszczek a Sokratis e saiu de frente para a meta. Chutou com firmeza, sem qualquer chance para o goleiro.

O Dortmund, ao menos, não esmoreceu. Seguiu em busca de seu segundo gol, e não demorou a anotá-lo. Lindo lance de Kagawa, com participação de Sahin, muito bem no combate com os volantes monegascos e na construção do jogo. O japonês dominou na área, deu um corte seco em Jemerson para deixar o brasileiro sentado e tirou do alcance de Subasic. Nos últimos instantes, os aurinegros ainda tinham mais energia para o empate, mandando a bola na área, mas não conseguiram evitar o prejuízo.

A derrota em casa, com três gols sofridos, é ruim para o Borussia Dortmund. Mas as circunstâncias atenuam um pouco a cobrança. Por aquilo que passaram, e diante dos temores de outro atentado no Signal Iduna Park, sob segurança reforçadíssima, os jogadores se saíram bem. Conseguiram fazer sua parte no segundo tempo e quase arrancaram um empate que seria heroico. De qualquer maneira, não dá para minimizar os méritos do Monaco. O time de Leonardo Jardim atuou de forma inteligente e, independentemente do auxilio do juiz, aproveitou as brechas dos adversários. Mbappé desequilibrou, essencial para o sucesso dos alvirrubros na Champions.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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