Champions League

Firme na primeira prateleira de craques do Bayern, Kimmich pode muito bem ser considerado o melhor do time na temporada

O Bayern de Munique confirmou sua classificação contra a Lazio desfrutando de máximo conforto. Os bávaros não precisaram pisar no acelerador para conseguir seus dois gols, depois da goleada estabelecida no Estádio Olímpico. E se a vitória por 2 a 1 na Allianz Arena se resumiu basicamente a administrar o placar, serviria para que Joshua Kimmich mais uma vez saísse como melhor em campo. O camisa 6 é o termômetro deste Bayern e um dos jogadores mais imprescindíveis às pretensões do clube. Cresce um pouco mais na hierarquia e na lista dos melhores meio-campistas do mundo.

Nesta temporada, o Bayern não repete um desempenho tão contundente quanto o vivido na metade final de 2019/20. A defesa se mostra tantas vezes mais vulnerável, assim como o ataque não é tão imprevisível quanto antes. E o momento mais difícil do clube aconteceu exatamente quando Kimmich se tornou ausência por lesão, tirando um pouco mais o equilíbrio dos alvirrubros. Foram sete partidas sem o meio-campista entre novembro e dezembro, que incluíram quatro empates e três vitórias. O camisa 6 também levou um tempinho a se recuperar por completo e, mesmo em campo, não evitou o revés diante do Holstein Kiel na Copa da Alemanha. O bom desempenho dos bávaros, de qualquer forma, passa pelos seus pés.

A temporada vê outros dois protagonistas ainda mais preponderantes. Neuer está mais exposto no gol e, até por isso, acaba mais testado nos jogos do Bayern. Apesar da alta média de gols sofridos nesta temporada, o camisa 1 salvou inúmeros pontos aos bávaros, especialmente na primeira metade da Bundesliga. Da mesma forma, Lewandowski conseguiu superar seus próprios números e faz sua temporada mais prolífica. Não é o artilheiro da Champions, mas mira o recorde histórico de Gerd Müller na Bundesliga. Ainda assim, não seria exagero colocar Kimmich, e não um dos dois, como o melhor jogador do Bayern na temporada.

O ponto a Kimmich é mesmo possibilitar o melhor funcionamento do Bayern. Não é o jogador que vai resolver todos os jogos. Entretanto, quando o camisa 6 está bem, as chances dos bávaros vencerem são mais altas. E, mesmo em uma função mais recuada, faz a diferença com suas assistências. É o cara que dita o ritmo do time, indicando quando acelerar e quando cadenciar. É um jogador com uma excelente visão de jogo, para orientar quais espaços os companheiros devem atacar. Possui um excelente condicionamento e muita inteligência no posicionamento, para se apresentar constantemente. E prima por sua qualidade nos passes, especialmente se precisar descolar um lançamento ou cobrar uma bola parada.

Nesta quarta, Kimmich foi exatamente esse ritmista do Bayern. Se jogo pedia uma postura mais contida, lá estava o camisa 6 ajudando os bávaros a cozinharem o resultado e a esfriarem os adversários. Ainda assim, quando houve a brecha a um passe diferente, o meio-campista também gerou algumas das melhores oportunidades da equipe. Foi assim no lance do segundo gol, quando ele recuou e liberou a subida de David Alaba, que depois descolaria o passe para Eric Maxim Choupo-Moting definir a vitória.

Kimmich, aliás, também se beneficia com o crescimento de Leon Goretzka. Depois de uma excelente temporada em 2019/20, o companheiro de cabeça de área continua crescendo ainda mais e reforçando sua adaptação em Munique. É um dos principais jogadores desta edição da Bundesliga, importante principalmente por suas infiltrações e por suas aproximações do ataque. Complementa bem Kimmich, naquela que é hoje uma das principais duplas de volantes do mundo. E que não sente necessariamente falta de Thiago Alcântara, embora a presença do espanhol fosse essencial para garantir mais variações.

Com a saída de Thiago, Kimmich se firmou definitivamente como volante nesta temporada. Jogou apenas uma partida como ala. Para tanto, o Bayern abre mão de um dos melhores laterais do mundo. Mas vê a consolidação de um dos melhores e mais capazes volantes do futebol. A vitória sobre a Lazio não vale de teste e nem será muito lembrada, mesmo se os bávaros acabarem com o bicampeonato continental. Mas serve para destacar um pouco mais a precisão do camisa 6, cada vez mais firme na primeira prateleira de craques deste Bayern.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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