Champions League

Entortou o varal: com um plano de jogo e Buffon gigante, a Juve pesou sobre o City

Três jogos sem vitória nas três primeiras rodadas da Serie A. A Juventus estreou na Champions pressionada pelo início da crise. Mas nada que tenha pesado sobre os ombros da Velha Senhora. Afinal, o time de Massimiliano Allegri mostrou enorme consciência sobre os seus problemas e os perigos que o esperavam diante do Manchester City – que, ao contrário, voa na Premier League com cinco vitórias em cinco rodadas. No entanto, o retrospecto nem sempre tem significado em grandes jogos. E a Juve fez sua camisa pesar no Estádio Etihad. De virada, venceu por 2 a 1, e larga na frente em um grupo que promete ser acirrado, também com Sevilla e Borussia Mönchengladbach.

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A Juventus fez uma partida completamente segura de si. As dúvidas do Campeonato Italiano ficaram para trás, com Allegri traçando uma estratégia de jogo até previsível para a visita à Inglaterra. Os bianconeri se entrincheiraram muito bem na defesa, formando linhas sólidas ao redor de sua área. Dificultaram e muito a penetração do City, sem brechas para as suas tradicionais jogadas em profundidade. Já quando o time tinha a bola, atacava de maneira vertical, apostando principalmente na qualidade de seus meio-campistas nos lançamentos. Hernanes assumiu o antigo papel de Pirlo na distribuição, atuando logo à frente da defesa.

Diante da fortaleza montada pela Velha Senhora, bloqueando arremates e dominando o jogo aéreo, os Citizens criaram pouco no primeiro tempo. Tiveram uma chance logo de cara, que Buffon salvou com as pernas. Mas, em uma partida travada, a Juventus já poderia ter saído com a vantagem antes do intervalo. Os italianos tiveram um gol anulado pelo assistente. Entretanto, embora Morata estivesse mesmo à frente, quem balançou as redes foi Pogba, em posição legal. Lance que, por si, já geraria bastante controvérsia.

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Viria mais no segundo tempo, no lance que abriu o placar para o Manchester City. Após escanteio batido por David Silva, Kompany subiu nos ombros de Chiellini e o italiano marcou o gol contra. Para a arbitragem, contudo, não houve falta no lance. Em desvantagem no placar, a Juventus começou a sair um pouco mais para o jogo. Buscou a igualdade aos 25 minutos, em lançamento perfeito de Pogba, para Mandzukic estufar as redes em sua única finalização no jogo. Já a virada saiu aos 36, a partir de um erro da defesa do City. Kolarov não dominou e a bola sobrou para Morata. Ainda assim, o espanhol teve enorme competência para finalizar de chapa, botando curva na bola e colocando no único lugar possível entre Joe Hart e a trave.

A vitória da Juventus, entretanto, não seria possível sem Gianluigi Buffon. O capitão mantém a excelente fase da última temporada e fechou o gol para garantir a vitória. Primeiro, quando o City ainda vencia, o veterano espalmou um chute de Sterling no contrapé e completou o milagre salvando o rebote de David Silva. Já no final, Yaya Touré deu um lindo chute colocado de fora da área, tentando o empate. A bola tinha endereço certo, o ângulo, até a mão salvadora de Buffon aparecer para mudar o rumo. Se a estratégia da Juve teve sucesso, o goleiro acabou sendo essencial para isso.

A vitória dá ânimo à Juventus, mas não muda as cobranças que o time vinha sofrendo na Serie A. O jogo na Inglaterra teve um caráter diferente, em que os bianconeri puderam esperar para resolver. Quando precisou propor o jogo e partir para cima, porém, os resultados não vieram. Já o Manchester City revê os fantasmas que o perseguiram nas últimas edições da Liga dos Campeões, embora tenha muito a se jogar. A derrota tem um custo, mas ainda pequeno nesta primeira rodada. Fato é que o peso da camisa da Juve foi enorme nesta terça. Algo que também precisa ocorrer na Serie A e de um jeito diferente: se impondo no ataque, não nos contra-ataques.

Abaixo, os gols da partida:

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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