Champions League

Respeito, perigo e até medo pautam discurso do Real Madrid pré-final da Champions

Ancelotti fala como o medo pode ser importante em uma decisão desse tamanho

Em menos de um dia, Real Madrid e Borussia Dortmund duelam pelo título da Champions League em Wembley. A decisão, marcada para às 16h (horário de Brasília), deste sábado (1º), tem um favoritismo claro para o lado espanhol.

No entanto, mesmo com essa superioridade técnica e coletiva na teoria, os jogadores e o técnico dos Merengues não querem chamar toda responsabilidade para si.

Isso ficou exposto na coletiva de imprensa de Carlo Ancelotti, também respaldado por Luka Modrić e Nacho Fernández.

‘Medo é importante’: o sincero Ancelotti

Ao ver Ancelotti aos 64 anos, praticamente todos dedicados ao futebol, com quatro títulos europeus (seis se contar o período como jogador), devemos pensar que não há ansiedade, medo ou algum temor pré-decisão.

Mas o italiano mostrou uma faceta receosa na coletiva de hoje. Detalhou a preocupação das coisas darem errado, definindo uma final da Champions como jogo “mais perigoso”, e o medo de perder pela proximidade do sucesso.

Uma final da Liga dos Campeões é o jogo mais importante e mais perigoso. É preciso aproveitar ao máximo estar aqui. E começa a preocupação de que tudo possa dar errado. O mais importante é vencer a Liga dos Campeões, mas depois surge o medo de perder, chegar à final é muito difícil, muito difícil. Estamos tão perto do sucesso que temos medo.

A Liga dos Campeões não é uma obsessão, mas vencê-la é algo muito importante. A temporada desta equipe tem sido de muito sucesso, independentemente do que aconteça amanhã na final. – reiterou o treinador.

Na sequência, sobre a preparação para o duelo com os alemães, deu uma aula de como passar instruções para os jogadores.

Carletto destacou como é importante ser o mais claro possível com os atletas, o que garante menos nervosismo durante o jogo. Voltou a citar o medo, mas dessa vez como uma coisa boa e importante para os objetivos.

O mais importante neste tipo de jogo é colocar ideias claras na cabeça dos jogadores. Quanto mais claro for, menos nervosismo a equipe terá. As emoções vêm e cada pessoa lida com elas de acordo com seu caráter. Teremos emoções, preocupações, medo… Mas o medo é uma parte importante para fazer bem as coisas. O time mostrou duas coisas muito importantes nesta temporada: qualidade e sacrifício. A atitude coletiva da equipe tem sido impressionante. E sacrifício e qualidade têm sido fundamentais.

Essa ansiedade e apreensão está em Nacho Fernández, mesmo aos 34 anos. O jogador, que será o capitão da equipe pela longevidade no Bernabéu, vai apenas para sua segunda final de Champions.

Reserva ou nem relacionado nas decisões de 2014, 2016, 2017 e 2022, só atuou por 54 minutos na final de 2018, quando saiu do banco para substituir Daniel Carvajal na vitória por 3 a 1 sobre o Liverpool.

– Estou muito ansioso por isso. Estamos mais nervosos do que nunca, apesar de estarmos confiantes. Uma final é algo especial e isso nos deixa inquietos.

Apesar da pouca experiência em decisão europeia, Nacho está a um passo de se tornar o maior campeão da Champions ao lado de Francisco Gento, histórico ídolo do Madrid dono de seis conquistas.

Modric, este sim essencial nas cinco orelhudas anteriores, também pode se igualar junto do zagueiro, mesmo cenário de Daniel Carvajal e Toni Kroos — mas uma das do alemão foi com o Bayern de Munique.

– É difícil pensar que conseguiríamos pegar uma lenda como Paco e estamos a apenas um passo. Seria uma alegria tremenda, mas queremos nos concentrar no jogo. – detalhou Nacho, reiterado por Modric:

– Não podíamos pensar nisso [se tornar o jogador com mais títulos europeus], mas estamos aqui e estamos felizes e espero que possamos dar este passo mais longe como equipe e conquistar seis Champions Leagues, seria algo impressionante. – finalizou o croata.

Outra virada para o Real Madrid na Champions? Ninguém quer isso

Quando falamos de Champions, o Real é conhecido por ser o clube do “pacto”, dono de viradas improváveis (listamos as mais impressionantes aqui).

Na atual edição da competição, o Bayern provou esse gosto amargo de tomar uma virada no Bernabéu do Madrid em poucos minutos em uma partida que parecia ganha.

No entanto, se puderem escolher, Nacho e Modric afastam a mística: querem começar ganhando e sem sofrimento — mas, se ele acontecer, estarão prontos para virar.

– Se possível preferimos seguir em frente. Mas é verdade que demonstrámos que lutámos até ao fim e somos capazes de inverter a situação e devemos manter esse compromisso e essa luta. – disse Modric.

– Preferimos começar vencendo, para ser sincero. Também sofremos e temos que jogar e competir contra um rival que é muito forte. – confirmou Nacho.

Perguntado se seria coincidência tantas viradas, aí também considerando a louca campanha do título de 2022 com vários gols no fim, Ancelotti tratou de exaltar a história do clube e como eles vivem a Champions.

Este clube tem algo especial. O que acontece aqui não é uma coincidência. A história, a tradição, o caráter, a qualidade… Acontece tantas vezes que não é coincidência. – finalizou.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius Amorim

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.
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