Champions League

Dez coisas que os 7×0 de 2013 ensinam ao Bayern x Barcelona desta quarta

Não dá para explicar como um “apagão de apenas alguns minutos”. Os 7 a 0 que o Bayern de Munique enfiou sobre o Barcelona no placar agregado das semifinais de 2012/13 marcou o ápice do time de Jupp Heynckes, bem como a maior baixa da fase iniciada com Pep Guardiola no Camp Nou, já assumida por Tito Vilanova naqueel momento. O futebol dos blaugranas, que permaneceu imbatível durante algumas temporadas, já tinha suas maiores fraquezas conhecidas. Que coincidiam com as forças dos bávaros, em noites de gritos de “olé” tanto na Alemanha (4 a 0) quanto na Espanha (3 a 0).

VEJA TAMBÉM: Novo versus renovado: o Bayern x Barça reflete o passado para definir as ideias do futuro

O Barça, no entanto, sofria com problemas maiores do que as dúvidas sobre filosofia de jogo: as lesões de Lionel Messi, naqueles tempos craque muito (mais) acima dos outros na função de decidir. Nada que justifique a derrapada gigantesca dos blaugranas. Que serviu para o time assimilar algumas lições, mesmo oscilando durante algum tempo. Dá para afirmar sem muitas dúvidas que o Barcelona atual chega mais forte às semifinais do que há dois anos.

Já o Bayern mudou. O time de Jupp Heynckes encantou pela maneira como massacrou adversários naquela temporada. Mas Guardiola chegou, o estilo de jogo se transformou, a cobrança aumentou e os tropeços costumam colocar o técnico muito mais em xeque nos dias atuais. E os problemas de lesão são dos bávaros neste momento, o que tem pesado consideravelmente. Sem Robben e Ribéry, a maneira de definir os jogos muda. Nada que não se resolva com um elenco tão bom, ainda que faça falta.

Nas próximas linhas, resgatamos dez detalhes dos 7 a 0 em 2013 e comparamos com os atuais recursos dos dois times, que começam a se reencontrar nesta quarta, no Camp Nou. Aquelas semifinais deixaram vários ensinamentos. Basta ver como os dois times lidarão com eles. De antemão, o que dá para esperar são jogos mais parelhos, entre inimigos hoje bem mais íntimos.

Spain Soccer Champions League

– O Bayern precisa ser letal

Por mais que Jupp Heynckes tenha montado o único Bayern da história a conquistar a Tríplice Coroa, Pep Guardiola impôs seu estilo aos poucos e os traços daquele time já parecem distantes. Aquele Bayern possuía mais potência física e um estilo de jogo muito bem definido, vertical e veloz, que chegou ao ápice justo na Champions. O atual conta com peças mais leves e tem até mais variações ofensivas. Só que não passa tanta segurança atrás e nem vive um momento tão fantástico. O que Guardiola precisa absorver, especialmente, é a capacidade que o time de Heynckes tinha para definir. Naquela ocasião, 33% das finalizações acabaram nas redes, bom aproveitamento. É preciso ser mais incisivo nas ações.

– Mais cuidado com Messi

Lionel Messi vivia o auge de seus problemas físicos nos 4 a 0 do Bayern em 2013. Obviamente, não causou os vários problemas defensivos daquela partida, mas sua postura influenciou o time como um todo. Voltava após 15 dias de afastado do time por lesão e pouco chamou a responsabilidade. Sem ter que se preocupar muito com a principal arma dos adversários, os bávaros deitaram e rolaram. Tanto que o artilheiro nem saiu do banco nos 3 a 0 da volta, na Catalunha. Desta vez, Messi chega em condições bem melhores para as semifinais. E com menos responsabilidade sobre as costas do que naquela oportunidade, quando era, disparado, o grande diferencial ofensivo do Barça.

– Thomas Müller pode ser o cara de novo

Muitas vezes, Müller passa mais despercebido do que deveria. Robben saiu com moral há dois anos, especialmente pela forma como suas arrancadas pela direita fizeram rombos na defesa do Barcelona. Entretanto, ninguém foi mais efetivo naquelas duas noites do que Thomas Müller. O alemão somou três gols em sua conta, graças ao ótimo senso de posicionamento, à movimentação e à maneira como chama o jogo para si. Com as ausências de Robben e Ribéry, o principal recurso ofensivo do Bayern se torna as combinações do atacante com Lewandowski nas jogadas de pressão, especialmente com o apoio nas jogadas às laterais. E a inteligência tática de Müller é um diferencial tremendo, como já tinha sido daquela vez.

Suárez, Neymar e Messi, do Barcelona

– Neymar e Suárez não são Pedro, Villa ou Sánchez

Se os problemas de Messi foram um grande fardo ao Barcelona daquela vez, agora, mesmo se o camisa 10 estivesse contundido, o poder decisivo do ataque seria maior. O time de Vilanova era bem mais dependente do artilheiro (mal) e do jogo coletivo (anulado pelo Bayern). Desta vez, os blaugranas com Luis Enrique podem não ser tão afinados assim. Mas, além da recuperação de Messi, contam com Neymar e Luis Suárez, capazes de decidir em apenas um lance individual. Para um jogo que deve ser tão nivelados, a presença de craques tão vorazes vale demais. Com todo respeito a Pedro, David Villa e Alexis Sánchez, que também não viviam fases tão boas assim: a capacidade goleadora atual é consideravelmente superior.

– As fraquezas defensivas do Barcelona diminuíram

Bola área e espaço aos contra-ataques. O binômio que se tornou sinônimo da derrocada do tiki-taka blaugrana também serviu de caminho à goleada do Bayern. A velocidade de Robben e Ribéry pelas pontas, assim como a capacidade de Mario Gómez, Pizarro ou Mandzukic pelo alto, foram o tormento do Barça. Algo atenuado, ainda que não tenha sido resolvido por completo. Se o Bayern atual controla mais a bola do que corre com ela, ainda tem potencial para agredir nas jogadas aéreas com Lewandowski e Müller. As saídas de Ter Stegen (que é inferior a Claudio Bravo, principalmente, neste fundamento), a proteção aérea de Piqué e, quem sabe, a entrada de Mathieu serão bastante necessárias para garantir a segurança ao Barcelona.

– Jogar no Camp Nou não é receio ao Bayern

A vitória elástica do Bayern no jogo de volta, no Camp Nou, se explica bastante pela maneira como o Barcelona se entregou nos minutos finais. Mas não tira os méritos dos alemães sobre como encararam a pressão na Catalunha. Naquela oportunidade, o time de Jupp Heynckes quebrou várias marcas históricas, como o maior placar em uma semifinal de LC desde 1964 ou a maior vitória sobre o Barcelona em casa desde 2002. Mais importante, sobretudo, foi o jeito como os visitantes ignoraram a atmosfera em busca do seu objetivo. Não à toa, se tornou o primeiro clube a derrotar o Barça por três vezes no estádio por competições continentais. A questão dessa vez é transferir a tranquilidade da volta, após os 4 a 0, para a obrigação no jogo de ida.

– Falta de comando pode ser um problema

O Barcelona vivia sérios problemas internos durante os duelos contra o Bayern. Tito Vilanova se recuperava de seu segundo tratamento de câncer e voltara fazia pouco tempo, após ser substituído algumas semanas pelo assistente Jordi Roura. De certa maneira, o desencontro se refletiu em campo, em um momento de declínio dos ideais táticos consagrados pelos blaugranas. Depois de atravessar crises momentâneas, Luis Enrique parece ter a paz restabelecida com o elenco – ao menos por enquanto. Ainda que seja difícil de saber como será a harmonia geral caso o Bayern abra vantagem.

Spain Soccer Champions League

– Deixem Schweinsteiger jogar

A final da Copa do Mundo é o maior símbolo de como Schweinsteiger cresce nos momentos decisivos. E, depois de quedas e redenções, as semifinais de 2013 também serviram de marco para o meio-campista. Segundo volante no 4-2-3-1 de Jupp Heynckes, o alemão jogou e mandou quem ia jogar naquelas ocasiões. Fechou os espaços ofensivos do Barcelona, organizou o jogo do Bayern e também criou oportunidades. Com Guardiola e também por conta das lesões, o veterano perdeu protagonismo. Por mais que Thiago Alcântara seja o motor atual, Schweinsteiger ainda é um diferencial – pela qualidade técnica, pela capacidade de recomposição e também pela qualidade no apoio ao ataque, também nas definições de média distância e nas bolas paradas. E, claro, pela liderança que exerce em situações de temperatura e pressão elevadas.

– Por outro lado, Iniesta está de volta

Durante toda a temporada, a principal peça no meio-campo do Barcelona tem sido Ivan Rakitic. O croata colocou Xavi no banco (já em tempo) e agora é quem dita o ritmo da equipe, de maneira mais intensa e com bolas mais longas. Nestes momentos decisivos da temporada, contudo, quem vem crescendo é Andrés Iniesta. O veterano não vinha tão mal quanto muitos apontavam, embora não estivesse sumido na definição das jogadas. As assistências nos últimos jogos reforçam a confiança. Além disso, ter menos responsabilidade do que em 2013, quando vivia o ápice da carreira, pode torná-lo um coadjuvante de luxo, menos visado e mais surpreendente.

– O quanto a posse de bola será importante?

Ninguém mostrou melhor do que o Celtic, na histórica vitória pela fase de grupos em Glasgow, o quanto a posse de bola pode não servir de nada no futebol. Como dizem, “o que vale é bola na casinha”. E entre dois times que trabalham os passes, mas nem sempre conseguem ser tão incisivos, o diferencial está na capacidade individual. Pensando nos 7 a 0 em algo relativo às circunstâncias do momento, as disparidades dos times devem diminuir desta vez. Por mais que Guardiola tenha influência no estilo de jogo dos dois times, o fundamental mesmo será a qualidade dos craques que ele lapidou um dia e os que ele continua lapidando.

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo