Champions League

Destaque do jogo, Aouar é um exemplo do esmero do Lyon em formar bons jogadores

Lyon é uma cidade conhecida por sua gastronomia de alto nível. Tem 20 restaurantes com ao menos uma estrela Michelin na região, algo que comprova internacionalmente a qualidade dessa arte. É conhecida também por ter uma produção de vinhos de excelência, exportados para o mundo todo. Mas Lyon tem outa qualidade que a torna conhecida pelo mundo: a formação de jogadores. O Olympique Lyonnais é uma das academias de futebol mais bem sucedidas das últimas duas décadas, formando muitos jogadores de nível internacional. O mais recente deles é Houssem Aouar, um dos artífices deste Lyon que eliminou o Manchester City nas quartas de final da Champions League.

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A temporada do Lyon foi ruim na Ligue 1, com a sétima colocação e ausência de competições europeias para a próxima temporada (exceto se conseguir o título da Champions League). Mesmo assim, o time tem capacidade de se reconstruir muito porque tem uma categoria de base que forma bons jogadores com frequência. Aouar é um exemplo atual, mas são muitos que entram nessa lista.

Anthony Lopes, por exemplo, é goleiro do time e foi formado pelo próprio Lyon. O companheiro de meio-campo, Maxence Caqueret, de apenas 20 anos, é outro da base do agora semifinalista da Champions League. Esta é uma história repetida no Olympique Lyonnais. O clube é um dos grandes formadores de um país que é conhecido por ter excelentes academias formadoras de futebol. Não por acaso, a França é um dos países com mais jogadores na Champions League. Em 2019/20, tem 64 jogadores, atrás apenas da Espanha, com 77, e dois à frente do Brasil, com  – um país exportador, acima de tudo.

Alexandre Lacazette, atualmente no Arsenal, foi moldado como jogador pelo Lyon, assim como Nabil Fekir, outro a fazer sucesso recentemente, e que defende o Betis. Samuel Umtiti, do Barcelona, também surgiu como jogador nos Gones. A lista é grande: Clément Grenier, atualmente no Rennes; Rachid Ghezzal, da Fiorentina; Alassane Pléa, do Borussia Mönchengladbach; Corentin Tolisso, do Bayern; Karim Benzema, do Real Madrid e Anthony Martial, do Manchester United, para ficar nos jogadores de maior sucesso.

Aos 22 anos, Aouar é destaque do time desde a temporada 2017/18, quando passou a ser presença constante na equipe principal e se tornou titular. Versátil, já atuou como ponta, como meia e atualmente é um meio-campista central, mas é muito mais do que isso. Forma o principal setor do time comandado por Rudi Garcia, um técnico contratado às pressas para substituir o malsucedido Sylvinho. Aouar, ao lado de Bruno Guimarães e Maxence Caqueret, forma o coração do atual time do Lyon.

Na última vez que o Lyon foi semifinalista da Champions League, em 2010, Aouar já estava no Lyon, mas tinha 12 anos. Mais do que uma cria da base do clube, ele é cria da cidade. Nasceu em Lyon, tem ascendência argelina, e jogou por diversas categorias de base do clube e da seleção francesa desde 2009, quando chegou aos lioneses. Assinou seu primeiro contrato profissional em 2016 e estreou no time principal em 2017, em fevereiro. Pela seleção, atuou pelo time sub-17 e sub-21.

Na atual temporada, 2019/20, Aouar mostrou a sua versatilidade jogando em seis posições diferentes: volante, meia central, meia aberto pela esquerda, ponta esquerda e meia ofensivo. Basicamente, trabalha em todas as posições na região do meio-campo, exercendo diferentes funções. É técnico, consegue chegar bem ao ataque e se posiciona bem. Não é um marcador voraz, mas é um jogador exerce bem a pressão na marcação, o que o torna muito adequado para a posição que atua mais habitualmente, no centro do campo. Seu forte são as interceptações, pelo bom posicionamento em campo.

No Estádio Alvalade, neste sábado, estava um dos maiores meio-campistas do mundo, se não o maior: Kevin De Bruyne. E embora o belga talvez tenha sido o melhor em campo pelo Manchester City, foi Aouar que acabou sendo decisivo. O segundo e o terceiro gol do Lyon passaram pelos seus pés, em jogadas que ele fez algo que domina: retomar a bola e partir em velocidade.

A habilidade de Aouar já tinha ficado clara em 2018, quando o Lyon enfrentou o Manchester City pela fase de grupos da Champions League em 2018/19. E os franceses levaram a melhor, com uma vitória por 2 a 1 no Estádio Etihad e empate por 2 a 2 em Lyon. Aouar estava presente e foi bastante importante para o desempenho conseguido diante dos Citizens, que deixou uma ótima impressão.

Sua experiência na equipe do Lyon já é tamanha que depois da saída do capitão Memphis Depay, quem ficou com a braçadeira foi o jogador de 22 anos. E foi com ela no braço que fez as duas jogadas que deram a vitória ao time. O jogador já chamava a atenção pelo que faz na França desde antes mesmo de estrear no time principal.

Quando subiu ao time de cima dos Gones, ainda morava com a mãe e valorizava não só o vínculo familiar, o que ele dizia que ajudava a manter os pés no chão, mas também a cidade onde nasceu, foi criado e onde joga. O Olympique Lyonnais não é só o seu clube atual, é um clube com o qual ele tem uma ligação profunda.

Mesmo com os problemas vividos pelos Gones ao longo da Ligue 1, o Lyon mostrou que há motivos para acreditar a partir de um time que pode contar com a excelente categoria de base para ser remontado. Diante do Bayern, na semifinal, o pequeno milagre conseguido contra o City terá que ser ainda maior. Mas pelo que aconteceu nesta partida, duvidar seria imprudente. Mesmo que o clube bávaro entre em campo como favorito.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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