Champions League

Lyon aproveitou falhas do Manchester City e opera um pequeno milagre para vencer e ir à semifinal

O Lyon sabia que teria que fazer um jogo muito próximo do seu melhor para derrubar o badalado Manchester City nesta quarta-feira na Champions League. Só que os Citizens não foram aquele time que se viu na Premier League, o Lyon foi melhor do que apresentou na Ligue 1, travou o jogo, aproveitou as chances e saiu do jogo com uma incrível vitória por 3 a 1, que ninguém poderá dizer que não foi merecido, apesar de ser um resultado surpreendente. Enquanto o time inglês conseguiu poucas vezes ser o time que estamos acostumados a ver, os franceses tiveram uma atuação segura, conseguiram aproveitar melhor as chances e sai de campo com a vaga na semifinal. Um pequeno milagre em Lisboa.

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Pep Guardiola trouxe uma escalação diferente. Armou o time com três zagueiros, com Fernandinho, Eric Garcia e Aymeric Laporte. Kyle Walker, pela direita, e João Cancelo, pela esquerda, formaram as alas. Oleg Zinchenko e Benjamin Mendy ficaram no banco.. Com isso, o técnico deixou no banco também Bernardo Silva, Phil Foden e David Silva, além de Riyad Mahrez. O meio-campo foi mais reforçado com Rodri e Ilkay Gündogan, que tiveram atuações apenas razoáveis. O Lyon manteve o seu esquema tático mais costumeiro, em um 3-5-2. Karl Toko Ekambi foi mais uma vez titular no ataque, ao lado de Memphis Depay, com Moussa Dembélé no banco.

O que se esperava do Manchester City em campo não aconteceu. O time não conseguiu jogar o seu jogo, criar chances e nem envolver o Lyon. Assim como os lioneses já tinham feito na final da Copa da Liga da França, travou o jogo do favorito, o PSG naquela oportunidade, os Citizens agora. O time de Rudi Garcia entrou em campo muito bem posicionado, sem estar demasiadamente recuado, mas defensivamente sólido. E, mais do que isso, teve qualidade para trabalhar a bola quando teve a chance.

No começo do primeiro tempo, Cancelo fez um ótimo passe para Sterling, dentro da área, e o inglês tocou para trás na direção de Gabriel Jesus, mas o também brasileiro Marçal interceptou e mandou para escanteio. Seria um gol certo do City, logo a três minutos. Marçal aproveitou um rebote de escanteio para encher o pé, forte, mas a bola foi no meio do gol e o goleiro Ederson defendeu com segurança. Foi uma boa chance.

Com 20 minutos de jogo, a partida era bastante equilibrada. Nenhum dos dois times era dominante sobre o adversário, ainda que o Manchester City tivesse mais a bola. Foi em um lance de ligação direta que o Lyon abriu o placar.

Marçal lançou pelo lado esquerdo para o atacante Karl Toko Ekambi, que sairia na cara do gol, mas o zagueiro Eric Garcia conseguiu travar. A bola sobrou para Cornet, que pegou de primeira, tirando do alcance do goleiro Ederson: 1 a 0, aos 24 minutos.

No final do primeiro tempo Gabriel Jesus fez o pivô, tocou para Sterling, que deu um drible bonito em Cornet, que tentou o carrinho e ficou no chão. O inglês tocou para trás para Rodri, que chutou mal, pegou errado na bola, e o goleiro Anthony Lopes defendeu com tranquilidade.

O City chegou de novo nos acréscimos do primeiro tempo. De Bruyne deu um passe incrível para Sterling, que hesitou sobre o que fazer e perdeu a chance de bater para o gol de primeira. Quando tentou o chute, acabou bloqueado pelo goleiro Lopes.

Ao final do primeiro tempo, o Manchester City tinha mais a lamentar. O time jogou muito pouco e pareceu não conseguir fazer o seu jogo. Nenhum dos seus melhores jogadores teve boa atuação.

Apesar do primeiro tempo fraco, o Manchester City voltou a campo para o segundo tempo sem alterações. E, como esperado, tentou pressionar o Lyon, mas continuava sentindo muita dificuldade. Depois de 10 minutos sem muita coisa acontecer, Guardiola, enfim, mudou o time. Tirou Fernandinho e colocou Riyad Mahrez, desmontando assim o sistema com três na zaga. Fernandinho, que vestia a braçadeira de capitão, passou para Kevin De Bruyne.

O City não chegava muito com trocas de passes, mas teve uma chance em cobrança de falta, aos 14 minutos. De Bruyne cobrou bem, mas o goleiro Lopes também foi bem em defender sem muitos problemas.

Mahrez entrou para atuar onde mais está acostumado, pela direita. Sterling abriu pela esquerda e De Bruyne ficou mais centralizado. A mudança deu resultado. Aos 24 minutos, Sterling recebeu lançamento na ponta esquerda, dentro da área, limpou o zagueiro Jason Denayer e tocou para trás, onde De Bruyne chutou com categoria, no canto, e igualou o marcador: 1 a 1.

Depois do empate, o Manchester City melhorou e passou a pressionar mais. Uma das melhores chances foi novamente com Sterling, que segurou a bola dentro da área, esperou e tocou na segunda trave para Gabriel Jesus, mas o centroavante acabou finalizando por cima do gol.

Só que eis que quando o City apertava e o gol de empate parecia iminente, um contra-ataque mudou tudo. Em um passe errado no meio-campo, Aouar acionou Moussa Dembélé, que tinha entrado há pouco no lugar de Memphis Depay e, na cara do gol, o camisa 9 chutou, a bola ainda bateu no goleiro Ederson, mas entrou: 2 a 1 para os franceses, aos 34 minutos.

O lance gerou dúvida se havia impedimento e foi revisado pelo VAR. Também havia dúvida de uma falta de Dembélé no zagueiro Laporte. Depois de alguma demora, o gol acabou validado. O Lyon estava em vantagem. Uma surpresa no estádio José Alvalade.

O Manchester City teve para empatar o jogo aos 41 minutos. Gabriel Jesus fez a jogada pela direita, cruzou rasteiro para o meio e Sterling, livre, sem goleiro, poderia empatar o jogo só empurrando para a rede. Mas ele chutou por cima, e um erro inacreditável. E o castigo viria em seguida.

As coisas se complicaram de vez para o Manchester City um pouco depois, aos 42 minutos. Mais um contra-ataque do Lyon pelo meio, depois de um desarme no meio-campo, Aouar avançou com a bola, foi até perto da área e finalizou colocado. O chute foi fraco, mas o goleiro Ederson foi mal no lance, espalmou para frente e Dembélé, que não tem nada com isso, tocou para o fundo da rede: 3 a 1. Mais uma vez, conferiram no VAR para verificar irregularidades, mas o atacante estava em posição legal. O Lyon praticamente assegurava a vaga.

O Manchester City até tentou alguma coisa no final, uma pressão, mas parecia que não estava mesmo no seu dia. O time não conseguiu mais nem um gol. O City acaba mais uma vez a sua campanha nas quartas de final. Assim como em anos anteriores, o time de Pep Guardiola não consegue passar das quartas de final.

Um dos pontos que chama a atenção é que os quatro times que avançaram à semifinal da Champions League eram de ligas que pararam cedo. São dois times franceses, em que a Ligue 1 sequer retornou depois da paralisação, em março, e dois times alemães, que viram sua liga voltar em maio e encerrar a temporada rapidamente, em junho, e ter um mês de parada para recuperação física. É um aspecto que precisará ser explorado, poque não parece ser um acaso.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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