Champions League

Desta vez o Barça jogou, mas foi tarde demais: PSG ficou com a vaga nas quartas

Depois de um primeiro jogo horroroso no Camp Nou, quando foi goleado por 4 a 1, o Barcelona aumentou o seu nível e competiu no Parque dos Príncipes com uma ótima partida. Conseguiu criar chances e poderia ter vencido o jogo com uma vantagem até confortável. Faltou eficiência para fazer os gols que precisava, que já eram muitos. No fim, o empate por 1 a 1 acabou parecendo até pouco pelo que os catalães fizeram em campo, que merecia ao menos uma vitória. Ficou apenas o gosto amargo da eliminação mais uma vez, agora nas oitavas de final.

Os dois times entraram em campo para fazer história. O PSG queria eliminar o time catalão, que eliminou os parisienses nos três confrontos eliminatórios que as duas equipes fizeram na história da Champions League, em 2013, em 2015 e em 2017. Isso sem falar em outro confronto decisivo, que valia título, em 1997, quando fizeram a final da Recopa Europeia, em Feyenoord, nos Países Baixos, quando os blaugranas venceram por 1 a 0, gol de Ronaldo, contra o time de Raí, Leonardo e do técnico Ricardo Gomes.

Já o Barcelona buscava um milagre: reverter os 4 a 1 do jogo de ida, com uma vitória que precisaria ser por quatro gols de diferença. A inspiração, claro, era o duelo de 2017, quando perdeu a primeira partida por 4 a 0 em Paris e precisou de algo absurdo no segundo jogo. Venceu por 6 a 1, um milagre, que contou também com uma boa vontade da arbitragem em lances de pênaltis para o time catalão. Desta vez, a missão era bem mais difícil: precisava também de 4 a 0, mas fora de casa.

O técnico Mauricio Pochettino continuava sem poder contar com Neymar, machucado. Quem foi escalado para começar o jogo foi Julian Draxler, que ficou aberto pelo lado direito, mas recuava bastante para buscar o jogo. Kylian Mbappé recuava menos pela esquerda, com Mauro Icardi como referência.

Ronald Koeman apostou em Pedri no meio-campo junto com Sergio Busquets e Frenkie De Jong. Este último recuava em alguns momentos para formar uma linha de três defensores com Oscar Mingueza e Clément Lenglet. Além disso, o ataque teve Antoine Griezmann recuando muitas vezes para buscar o jogo atrás de Lionel Messi e Ousmane Dembélé, mais à frente.

Sabendo que precisava de um caminhão de gols, o Barcelona começou o jogo com tudo, pressionando, tendo a bola e finalizando muito. Dembélé foi muitas vezes lançado em velocidade, nas costas da defesa, para tentar pegar os parisienses despreparados. Nos primeiros 20 minutos, os blaugranas finalizaram oito vezes, sendo duas delas no gol – e uma só não foi gol por uma grande defesa do goleiro Keylor Navas.

A estratégia do PSG era clara: explorar a velocidade nos contra-ataques, especialmente com Kylian Mbappé. E toda vez que o camisa 7 do time francês recebia a bola em progressão, os defensores do Barcelona (e certamente os torcedores também) sentiam o frio na espinha. Ele foi o grande nome da vitória no primeiro jogo.

Por pouco o placar não foi aberto aos 22 minutos. Em uma boa descida pela direita, Sergiño Dest recebeu, já dentro da área, chutou firme e a bola bateu no travessão, depois de um toque de ponta dos dedos do goleiro Navas. Pouco depois, Dembélé recebeu pela direita, dentro da área, e ele cruzou na direção de Messi, mas o argentino não alcançou por pouco. Mais uma boa chance desperdiçada pelos visitantes.

O zagueiro Mingueza correu um sério risco de expulsão aos 26 minutos. Tomou um cartão em falta para matar a jogada ao derrubar Mbappé. Dois minutos depois, fez outra falta no atacante que poderia tranquilamente ter rendido outro cartão amarelo e, portanto, o vermelho. O árbitro Anthony Taylor mandou o jogo seguir e deixou a falta sem cartão.

Só que viria um golpe duro e praticamente definitivo aos 29 minutos. Em uma jogada que parecia que não tinha acontecido nada, Lenglet na verdade pisou no calcanhar de Icardi. O árbitro não tinha visto, mas foi chamado pelo VAR. Ao revisar o lance, voltou ao campo e marcou: pênalti. Ainda deu cartão amarelo ao zagueiro, o que deixou a dupla de zaga amarelada ainda no primeiro tempo. Mbappé cobrou e marcou 1 a 0 no Parque dos Príncipes.

Com isso, o placar agregado ficou em 5 a 1. O Barcelona continuava precisando de quatro gols, mas agora para levar a disputa à prorrogação – e isso se não tomar mais gols. Continuava uma tarefa complicadíssima. Apesar disso tudo, o Barça continuou tentando. Aos 34 minutos, Griezmann fez um lindo passe para Dembélé, que finalizou fraco e Navas defendeu sem problemas.

Com o risco de dois zagueiros amarelados, Koeman não quis pagar para ver. Tirou Mingueza e colocou Junior Firpo, originalmente lateral esquerdo, mas que passaria a jogar como zagueiro pela direita. Ao menos assim correria menos risco de ver o jogador expulso – e ele já tinha escapado uma vez.

O jogo estava complicado, mas aí vem um golaço. Messi recebeu pelo meio e decidiu fazer tudo sozinho: soltou um míssil do meio da rua, no ângulo, e marcou um gol daqueles de estufar a rede. Aos 36 minutos, 1 a 1. Foi a 13ª finalização do Barça na partida, mais do que as 12 finalizações do jogo inteiro de ida.

A atitude dos catalães se manteve e a pressão também. Rondando a área, foi só nos acréscimos do primeiro tempo que veio uma nova chance clara. Em uma disputa de bola, Griezmann tocou antes na bola e foi chutado por Layvin Kurzawa. O árbitro marcou pênalti. Quem teve a responsabilidade da cobrança, claro, foi Messi. O camisa 10 encheu o pé, à meia altura, e o goleiro Navas defendeu. A bola ainda tocou no travessão. Nada de gol e o PSG se segura no empate.

O primeiro tempo foi encerrado logo em seguida e o PSG pode comemorar por ter saído de campo com um empate. Pelo volume de jogo e as chances criadas, o Barcelona poderia ter uma vantagem de um ou dois gols na partida, sem qualquer exagero.

No segundo tempo, a missão do Barcelona era conseguir ao menos três gols sem sofrer nenhuma. A postura seguia firme, mas o PSG também melhorou o seu sistema defensivo. No intervalo, Pochettino trocou o lateral Kurzawa por Abdou Diallo. Com 15 minutos, mais duas mudanças: a entrada de Ángel Di María e Danilo Pereira nos lugares de Draxler e Gueye.

Com a bola, mas com ainda menos espaço que no primeiro tempo. O PSG, por sua vez, também não tinha muita chance de contra-atacar, como acontecia no primeiro tempo. Precisando de mais força ofensiva, Koeman tirou Sergiño Dest e colocou o atacante Francisco Trincão.

Com 23 minutos, em uma cobrança de escanteio de Dembélé, Busquets conseguiu desviar de cabeça com muito perigo e Navas fez mais uma grande defesa. O segundo tempo só dava Barça, mas o time não conseguia chegar ao gol. Com isso, o tempo ia passando e deixando a tarefa cada vez mais difícil, cada vez mais próxima do impossível.

O técnico do Barcelona então teve que apostar com mais fichas. Entraram Miralem Pjanic no lugar de Pedri; Martin Braithwaite no lugar de Dembélé; e Ilaiz Moriba no lugar de Busquets. Faltavam 11 minutos no tempo regulamentar. O time seguiu tentando, mas à medida que o time lutava contra o tempo, o desânimo começou a aparecer. Sem conseguir furar o bloqueio dos franceses, o Barcelona pareceu se conformar nos minutos finais.

É preciso destacar a partida de Keylor Navas, decisivo nas suas defesas ao longo da partida que poderiam ter feito o jogo tomar outro rumo, ou ao menos a classificação ser um pouco mais sofrida. Também merece destaque o zagueiro Marquinhos, capitão dos parisienses. Foi dono da defesa e, como sempre, foi um pilar da equipe. Bem posicionado, foi um dos responsáveis por tornar o trabalho do Barcelona tão difícil na intermediária ofensiva. Mais uma vez, assim como na partida de ida, o brasileiro teve uma atuação importante para o time.

Desde 2005, sempre Cristiano Ronaldo ou Messi – quando não os dois – estavam nas quartas de final da Champions League. Pela primeira vez desde aquele ano, isso não acontece. O PSG, enfim, consegue eliminar o Barcelona, depois de três eliminações. Vai para as quartas de final e segue na disputa pelo título inédito que tanto sonha. Ao que tudo indica, terá o retorno de Neymar na próxima fase, o que é um senhor reforço. É o principal jogador do time, com alguma sobra. Complementa Mbappé de uma forma que nenhum outro jogador do elenco consegue. Ele saudável torna o PSG um dos favoritos ao título da temporada. Resta saber qual será o caminho sorteado.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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