Champions League

Mbappé tirou o Barcelona para dançar e comandou o baile dentro do Camp Nou: goleada do PSG por 4 a 1

Ao longo da última década, o Barcelona sustentou uma longa hegemonia nos confrontos com o Paris Saint-Germain pela Liga dos Campeões. Foram três encontros nos mata-matas e três vezes os blaugranas se classificaram, com a lembrança mais viva na épica virada por 6 a 1. Muito mudou desde então, com o Barça se despedaçando e o PSG buscando novos protagonistas. Kylian Mbappé marcaria essa diferença nesta terça, durante o novo embate entre os clubes pelas oitavas de final da Champions. Mesmo dentro do Camp Nou, os franceses foram melhores durante a maior parte do jogo. Mostraram mais qualidade coletiva e também viram as individualidades desequilibrarem. Ao lado de Paredes e Marquinhos, Mbappé fez uma senhora partida e liderou a virada por 4 a 1, que encaminha a situação antes da volta no Parc des Princes.

A principal novidade do Barcelona ficava para o retorno de Gerard Piqué, não atuava desde novembro por conta de uma lesão. O veterano compôs a zaga ao lado de Clément Lenglet. No meio, Pedri e Frenkie de Jong davam fluidez ao setor liderado por Sergio Busquets. Já na frente, o trio composto por Lionel Messi, Antoine Griezmann e Ousmane Dembélé. Já o PSG precisou se virar com as ausências importantes de Neymar e Ángel Di María. Mauricio Pochettino escalou Leandro Paredes, Idrissa Gana Gueye e Marco Verratti na faixa central. Mais à frente, o tridente composto por Moise Kean, Mauro Icardi e Kylian Mbappé. O ponta esquerda, em especial, valeria por muitos.

Mesmo fora de casa, o PSG fazia um bom início de partida. Demonstrava mais vigor na faixa central e conseguia permanecer mais tempo no campo de ataque. Os parisienses investiam pelas pontas, com Mbappé e Kean garantindo o vigor físico. Faltaram apenas chances mais claras aos franceses nestes minutos iniciais, limitados a uma saída errada de Marc-André ter Stegen. Apesar disso, a primeira boa chance foi do Barcelona. Pedri achou Griezmann pela esquerda e o francês bateu cruzado, mas Navas fechou bem o ângulo e realizou a defesa. A resposta viria na sequência, quando Mbappé encontrou Icardi com liberdade. O atacante finalizou sem muita força, na saída de Ter Stegen, e Pedri apareceu para livrar o perigo.

O duelo começava a ganhar uma sensação de equilíbrio com o passar dos minutos. Por mais que o PSG apresentasse mais intensidade, o Barcelona conseguia acionar rápido seu ataque através de bons passes e se fazia mais presente na área adversária. E foi assim que os blaugranas conseguiram o primeiro gol, aos 28. Messi lançou e Frenkie de Jong invadia a área, quando caiu. O árbitro viu um toque nas pernas do meio-campista, confirmado pelo VAR, numa infração pouco clara mesmo durante o replay. Messi cobrou forte à sua direita e tirou do alcance de Navas. Logo depois, ainda poderia ter vindo o segundo tento, mas Dembélé finalizou fraco para a defesa de Navas.

O PSG não demorou a reagir. Voltou a se posicionar mais à frente depois do gol e conseguiria o empate aos 33. Foi uma ótima construção coletiva dos parisienses. Marquinhos inverteu a Layvin Kurzawa, livre na esquerda. O lateral centrou, Verratti deu um toque cheio de categoria com a parte externa do pé e Mbappé dominou na área. Depois de limpar a marcação, passando pelo meio dos dois zagueiros, o ponta encheu o pé e não deu chances a Ter Stegen. Pintura do camisa 7. O goleiro do Barça também precisou aparecer para evitar a virada instantes depois, com ótima defesa em tiro cruzado de Kurzawa.

A partida se tornou mais aberta, então, com os dois times criando oportunidades. O Barcelona construiu um contra-ataque perigosíssimo, puxado por Griezmann, mas o arremate cruzado passou raspando a trave de Navas. Depois, seria a vez de Kean bater no canto e Stegen desviar para escanteio. O PSG congestionava o meio, com boa ação de Verratti, e apostava bastante nos lances pela esquerda. Já o Barça, com mais dificuldades para defender, contava com Messi recuado na organização. Antes do intervalo, a melhor chance do segundo foi parisiense. Num escanteio dado por Stegen, Icardi cabeceou e a bola bateu no lado externo da rede.

Na volta do intervalo, o PSG sacou o pendurado Gueye para a entrada de Ander Herrera no meio-campo, ganhando qualidade na troca de passes. De novo, os franceses se mostrariam mais ligados de início e Mbappé assustou num tiro de fora da área. Os visitantes eram mais perigosos a cada chegada e de novo ameaçariam numa linda trama do trio de ataque. Mbappé acelerou e nem tentando segurar sua camisa Piqué conseguiu conter a arrancada. Icardi ajeitou de letra e Kean bateu prensado, obrigando uma defesa milagrosa de Stegen. Por mais que o Barça se posicionasse à frente, a velocidade dos parisienses era um problema, especialmente pela forma como Mbappé aparecia.

O ritmo cairia um pouco mais com o passar dos minutos. O Barcelona administraria a posse de bola, mas sem encontrar muitos espaços na defesa francesa. Não surgiam lances claros de ataque. E quando conseguiu encaixar um ataque rápido, o PSG virou aos 20 minutos. Alessandro Florenzi recebeu, no limite da linha de impedimento, um lançamento primoroso de Leandro Paredes. Livre pela direita, o lateral cruzou e a zaga não afastou completamente. A sobra caiu nos pés de Mbappé, para estufar as redes e coroar mais sua exibição no Camp Nou. O camisa 7 estava endiabrado e na sequência, ao avançar com espaço pela esquerda, pararia em nova defesa de Stegen.

O Barcelona claramente sentiu a virada. O PSG aproveitou o momento e encaminhou a vitória com o terceiro gol, cinco minutos depois. O lance surgiu numa falta cobrada pelo lado esquerdo do ataque. Paredes levantou a bola em direção ao segundo pau e ninguém acompanhou Kean, que concluiu completamente livre para dentro da meta. Depois disso, o Barça teria dificuldades para responder, sem muita organização na criação das jogadas. Exceção feita a um chute de Dembélé para fora e a uma bobeada de Navas, que Griezmann quase aproveitou, as chances eram raras. Não à toa, Koeman acionou seu banco e colocaria o time no ataque, com as entradas de Francisco Trincão, Riqui Puig, Miralem Pjanic e Martin Braithwaite.

O ponto é que, mesmo com tantas inclusões, o Barcelona não pressionava. E, bem mais cirúrgico quando avançava, o PSG matou o jogo aos 40. Draxler puxou o contragolpe e, na entrada da área, só rolou a Mbappé na esquerda. O atacante finalizou com muita precisão, num tapa de direita que morreu no ângulo de Stegen. O placar dimensionava bem o tamanho da atuação parisiense na Catalunha. E a tripleta reafirmava a fome de bola de Mbappé, numa noite em que os três gols foram apenas parte de tudo o que ofereceu ao seu time.

A situação parece bastante complicada ao Barcelona. O time em nenhum momento se mostrou realmente superior ao PSG dentro do Camp Nou e, além de não encaixar muitos ataques, sofreu bastante na defesa. Os erros individuais atrás, tão custosos ao longo da temporada, parecem encaminhar também a despedida na Champions. Para que a reviravolta aconteça no Parc des Princes, mais do que a consistência defensiva necessária, o Barça vai depender do brilhantismo individual. É o único caminho plausível para se acreditar minimamente na virada, mas as chances a esta altura são microscópicas.

Já o PSG passou no primeiro teste de fogo sob as ordens de Mauricio Pochettino. Os parisienses souberam aproveitar muito mais as circunstâncias da partida, trancando a cabeça de área e explorando a velocidade pelos lados. As subidas dos laterais foram importantes, assim como a capacidade de armação de nomes como Paredes e Verratti, além da qualidade de Marquinhos. Porém, o grande destaque foi mesmo o poder de decisão de Mbappé. Sem Neymar e Di María, o protagonismo recaía ainda mais sobre o camisa 7. Ele não decepcionou.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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