De Bruyne assumiu a responsabilidade em noite de ataque travado e arrancou o empate com um golaço
A maioria das principais jogadas dos ingleses no Bernabéu saíram de petardos de De Bruyne, incluindo o gol
O Manchester City chegou ao Santiago Bernabéu em ótima forma. Com vitórias consecutivas, fazendo gol por diversão, Erling Haaland quebrando recordes. A fluidez ofensiva, porém, não apareceu no jogo de ida da semifinal contra o Real Madrid. Houve momentos até que não parecia haver tanta urgência, mais preocupado em levar um resultado administrável para o Etihad Stadium do que abrir vantagem. Nesse cenário, quem centralizou as principais ações ofensivas foi Kevin de Bruyne, responsável pelo gol que diminuiu o prejuízo e até arrancou um resultado bom para os ingleses.
Elogiar De Bruyne é chover no molhado. Ele é um jogador extremamente inteligente que consegue interpretar o que a sua equipe está precisando. Se a demanda é manter posse de bola, ele trabalha com calma se movimentando pelo meio. Se há espaço para acionar Haaland em velocidade, não hesita em dar o passe mais agudo. No Bernabéu, o City estava precisando de finalização, levar perigo a Ederson, porque as principais engrenagens não estavam funcionando. E o belga apareceu: metade dos três chutes no alvo dos visitantes foi dele.
Guardiola escalou o time que tem sido utilizado nos principais jogos. Kyle Walker e Manuel Akanji foram os zagueiros pelo lado, com John Stones fazendo mais função de volante ao lado de Rodri, com Gündogan e De Bruyne por dentro. Jack Grealish e Bernardo Silva são responsáveis por dar muita amplitude, sempre colados na linha lateral enquanto o City trabalha a bola. A ideia é, sempre que possível, buscar a inversão para deixar os pontas no mano a mano.
Poucas encaixaram. Grealish fez um jogo ruim, nervosinho demais no primeiro tempo, com uma ou outra indicação de que estava sentindo dores. Até parecia que seria substituído no intervalo – Guardiola, aliás, não fez alterações. No outro lado, Bernardo Silva também não conseguiu fazer muita coisa. Gündogan teve algumas chegadas à entrada da área no começo da partida, e foi um daqueles jogos em que o City teve dificuldades para acionar Haaland. O atacante norueguês teve duas finalizações de certo perigo nos primeiros 15 minutos, mas acabou pouco participativo.
O City não estava conseguindo apresentar o seu melhor futebol, e o golaço de Vinícius Júnior, na única finalização do Real Madrid no primeiro tempo, parecia o prenúncio de problemas. Os merengues se defendiam bem. Experientes, souberam cozinhar quando tinham a posse de bola, sem correr riscos, frustrando o adversário mais desesperado. Era um cenário perigoso, ainda mais contra o maior leão de Champions League de todos os tempos, até De Bruyne encontrar o caminho.
De certa forma, o gol foi anunciado. De Bruyne havia exigido uma boa defesa de Courtois da entrada da área no primeiro tempo. No começo do segundo, teve outra batida, mais fraca, da mesma região, depois de quase empatar em uma jogada diferente, infiltrando pelo lado direito. O goleiro belga fez uma linda intervenção à queima-roupa, em lance anulado por impedimento – que, em caso de gol, provavelmente seria checado pelo assistente de vídeo porque a posição era duvidosa.
Aos 22 minutos do segundo tempo, Grealish centralizou um pouco e encontrou bom passe para Gündogan, que dominou, girou e ajeitou para o petardo de De Bruyne, sem chances para Courtois, que vinha fazendo algumas boas defesas. O gol mudou a dinâmica. Agora era o City, mais cascudo em Champions League, que parecia contente com o empate. O Real Madrid até demorou para tentar exercer uma pressão, o que acabou fazendo nos minutos finais, e Ederson interveio bem quando foi necessário.
A temporada passada foi fora da curva para De Bruyne em termos de gols. Marcou 19 por todas as competições, sua melhor marca desde que chegou ao City. Nesta, chegou a 10. É natural porque agora há um centroavante que está centralizando a maioria dos tentos do bicampeão inglês, e o belga continua eficiente nas assistências, com 16 apenas na Premier League. Mas nesta terça-feira, foi De Bruyne quem chamou a responsabilidade no Bernabéu e evitou que o City levasse uma derrota para casa.



