Champions League

Como a combinação do “louco” Dani Alves com a Juventus tem funcionado bem

“Dani é um louco”, disse Giorgio Chiellini. “Sempre sorri!”. As palavras de um dos melhores zagueiros do mundo e pilar do sistema defensivo da Juventus à revista francesa L’Equipe mostram um pouco do que é o brasileiro Daniel Alves. Aos 33 anos, deixou o Barcelona depois do contrato acabar e aceitou o desafio de ir para a Juventus. Um desafio que parecia uma loucura mesmo.

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Não parecia uma contratação muito lógica, pensando do ponto de vista tático. Afinal, o brasileiro é conhecido pela ofensividade e por não ser tão forte na marcação. Em um dos times mais táticos do mundo, um jogador indisciplinado taticamente pode ser um problema. O que aconteceu até aqui mostra exatamente o contrário. A Juventus parece cada vez mais entender Dani Alves e o lateral parece também saber melhor como atuar no clube italiano.

“Dani Alves nos deu experiência internacional”, admitiu Massimiliano Allegri. O trabalho foi grande para adaptar Dani Alves ao esquema da Juventus. E foi um processo longo. Apesar de toda experiência de Daniel Alves, todo mundo teve que se adaptar. O começo foi turbulento.

O técnico foi duro com o lateral brasileiro depois da sua estreia contra a Fiorentina, na Serie A. “Ele tem que entender que no primeiro tempo ele cometeu alguns descuidos que no Campeonato Italiano se paga caro. No Barcelona ele estava acostumado a ganhar por 5 a 0 ou 3 a 0 e isso faz com que um desajuste defensivo não seja tão importante. Mas na Serie A, muitas partidas se vence por 1 a 0”.

O principal rival de Daniel Alves na posição é Stephan Lichtsteiner, também de 33 anos. E foi o suíço que jogou alguns jogos no início da temporada. Por vezes é utilizado no time e jogou 20 partidas na temporada como titular na Serie A e um na Champions League.

Na Serie A, Dani Alves foi menos vezes titular que Lichtsteiner, apenas 14 vezes, com três jogos vindo do banco. Sofreu uma fratura em dezembro que preocupou até para o resto da temporada. Ele retornou antes do esperado. O brasileiro foi titular em nove jogos na Champions League e só em um veio do banco. É justamente na Champions que ele tem brilhado.

Se Dani Alves teve que se adaptar à Juventus, a Juventus também teve que se adaptar ao brasileiro. O lateral foi crítico com o esquema do time inclusive nesta mesma Champions League. No dia 22 de novembro, no jogo contra o Sevilla, a Juventus venceu por 3 a 1. Foi dominada em parte do jogo pelo time de Jorge Sampaoli, apesar dos espanhóis terem recebido um pênalti bastante questionável. “Temos que controlar mais a bola. Erramos jogando tantas vezes sem ela”, questionou Dani Alves.

Só um louco poderia questionar a forma de jogar da Juventus, tão bem sucedida nos últimos anos. Estamos falando do time pentacampeão italiano e finalista da Champions League em 2014/15, justamente contra o Barcelona de Daniel Alves. Agora, do lado bianconero, ele esteve em campo ajudando o time a eliminar o próprio Barcelona nas quartas de final.

Joga como lateral, aprendeu a fechar os espaços e desequilibra com a bola. Algo que a Juventus aprendeu a aproveitar muito bem. Contra o Monaco, Allegri entrou com três zagueiros de ofício e liberou mais Daniel Alves. Quebrou a marcação do time do principado e conseguiu vencer por 2 a 0, duas assistências do brasileiro. “Ele está em ótima fase, assim como o resto do time. Depois da lesão dele, nós encontramos um jogador importante que nos trouxe experiência”, afirmou Allegri, nesta segunda-feira, na entrevista coletiva antes do jogo com o Monaco.

“Para nossa cultura parece um pouco louco”, disse Chiellini. “No começo, parecia um corpo estranho na equipe. Mas tecnicamente, está em um nível superior”. Assim, a combinação do rigor tático e defensivo da Juventus com a improvisação de Daniel Alves vão levando a Juventus a mais conquistas. A final da Champions League já está no horizonte. Turim verá o segundo capítulo da semifinal nesta terça e os torcedores da Velha Senhora esperam que Dani Alves e os companheiros confirmem a vaga em Cardiff, no próximo dia 3 de junho.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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