Champions League

As coincidências que unem o Borussia Dortmund campeão europeu em 97 e finalista em 24

Único título da Champions League do Dortmund veio com algumas semelhanças da campanha de 2024

Para o Borussia Dortmund vencer a taça da Champions League neste sábado (1º), será uma enorme montanha a se escalar. O clube alemão tem pela frente o time do “pacto”, o Real Madrid, superior coletiva e individualmente.

Mas o que não dá para dizer que é que os aurinegros não superaram enormes desafios nesta Liga dos Campeões, desde o grupo da morte com PSG, Milan e Newcastle aos pesados desafios de quartas e semi.

Há muito pelo que se acreditar e, para dar ainda mais esperança ao torcedor do Dortmund, a Trivela reuniu três coincidências que unem a última e única vez que o BVB terminou campeão europeu, em 1997, com o time que disputa a final hoje.

Como em 2024, Dortmund não era favorito no último título

A edição da Champions de 1996/97 ainda era bastante enxuta. Foi a última a participarem apenas os campeões nacionais. E, mesmo nesse cenário, o Dortmund não era considerado um dos grandes favoritos.

Claro, não é igual ao torneio de 2023/24, no qual haviam pelo menos sete times acima dos alemães, que entraram como zebras não apenas nos grupos, mas também nos duelos frente a Atlético de Madrid e PSG.

Na competição de 97, o favoritismo estava ao lado do Manchester United de Six Alex Ferguson, Eric Cantona e David Beckham, elenco que seria campeão da Europa dois anos depois — sem o francês —, e da Juventus, então vencedora da Champions anterior.

O Dortmund do técnico Ottmar Hitzfeld estava na segunda prateleira, próximo do Atlético de Madrid (outra coincidência foi o duelo entre alemães e espanhóis, dessa vez na fase de grupos) e talvez do Milan, e ainda atrás do Ajax de Louis van Gaal, campeão em 1995.

E derrubou favoritos

O sensacional United citado, conhecido como “Classe dos 92” por causa de Beckham, Ryan Giggs e Paul Scholes, foi uma das vítimas daquele Borussia na semifinal.

Tanto na ida, na Alemanha, quanto na volta, no Old Trafford, 1 a 0 para o lado alemão, exatamente a mesma fase, os mesmos placares e ordem de mandos de PSG e Borussia em 2024.

Claro, o time francês não é comparável ao Manchester de 97, mas era apontado como favorito a avançar.

Na decisão, outra surpresa. Frente a Juventus de Marcelo Lippi, com Zinedine Zidane, Didier Deschamps e Alessandro Del Piero, uma inacreditável vitória por 3 a 1. Nem o próprio técnico do Dortmund acreditou:

Foi uma enorme surpresa. A Juve tinha grandes jogadores e estava sem perder há dois anos. – disse depois da decisão Hitzfeld.

E realmente foi para tudo isso. Além do título de 96, a Juve já tinha sido vice europeia em 1995 e chegou para decisão após superar o também ótimo Ajax — apesar de já estar em decadência.

Quatro anos antes dessa final, em 1993, tinha batido o próprio clube alemão na decisão da Copa da Uefa (atual Liga Europa) por 6 a 1 no agregado.

Era um time melhor e acostumado a finais, que amassou o Borussia por quase os 90 minutos. Efetiva, a equipe alemão precisou de duas bolas na área para abrir 2 a 0 com Karl-Heinz Riedle. Talvez, esse cenário seja o sonho do torcedor aurinegro em 2024.

Após muita pressão, o espetacular Del Piero diminuiu em uma finalização de letra. Mas Lars Ricken, herói na complicada volta da semi com o United, se aproveitou de um contra-ataque para encobrir Angelo Peruzzi e marcar.

A trave como salvadora — apesar das fases diferentes

A semifinal de 2024 chamou atenção em como o Dortmund conseguiu sair sem sofrer gols mesmo com a pressão do PSG.

Mesmo que no abafa, sem merecer criar tantas chances claras, o clube parisiense carimbou a trave do Borussia simplesmente seis vezes, somando as duas partidas.

Na ida, no Signal Iduna Park, Kylian Mbappé e Achraf Hakimi finalizaram cada um em uma trave de Gregor Kobel na mesma jogada já com 1 a 0 contra no marcador.

Já no Parque dos Príncipes, foi ainda mais incrível e na inacreditável. Ainda com o placar zerado, Warren Zaïre-Emery, sozinho na segunda trave, mandou no poste.

Depois, na pressão precisando reverter dois gols de vantagem, Nuno Mendes e Vitinha pararam na trave de Kobel, que defenderia uma chance de Mbappé quase na pequena área e viu o travessão dar o toque final.

Não na mesma proporção e em fase diferente, a trave de Stefan Klos também balançou na decisão com a Juve.

Zidane, em final apagada, arriscou chute rasteiro já com dois de desvantagem e viu a bola ir devagarinho até ir no pé da trave.

Depois, na etapa final, como a defesa de Kobe em chute de Mbappé, Klos tirou a bola do gol e mandou no travessão após uma finalização de Christian Vieri vir com desvio da defesa.

É pouco, mas o fã mais supersticioso do Borussia Dortmund tem alguns fatores para se agarrar. Se valerá algo para mais tarde, ainda não sabemos.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius Amorim

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.
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