Champions League

A Champions League caprichou no sorteio em sua última edição com fase de grupos

A despedida da fase de grupos antes da reformulação da Champions League terá uma chave com PSG, Borussia Dortmund, Milan e Newcastle

A Champions League como a conhecemos acabará. Talvez não seja um desastre. Em quase 70 anos de história, ela existiu em diversos formatos, sempre como o ápice do futebol europeu de clubes, mas, a partir da próxima temporada, haverá uma classificação única, com tabelas diferentes para cada participante. A atual edição será a última com fase de grupos, e o sorteio garantiu que teremos uma despedida retumbante.

Agora, haverá um grupo único com 36 clubes, oito classificados diretamente às oitavas de final e 16 avançando à repescagem. A tabela será sorteada de acordo com os potes: cada clube enfrentará dois adversários do Pote 1, dois do Pote 2 e assim por diante. Todos os detalhes estão aqui.

A reformulação da Champions League foi uma concessão da Uefa para tentar aplacar os anseios dos clubes mais poderosos e neutralizar a criação de uma Superliga Europeia – parabéns, aliás, deu certinho. Porque ela atende alguns dos pontos que motivaram aquela tentativa trágica de explodir as estruturas do futebol: são mais duas datas nessa fase única, ou seja, mais jogos para a televisão transmitir; as duas ligas com o melhor coeficiente ganharão uma vaga extra para seus campeonatos nacionais; e o novo modelo de sorteio pode aumentar a quantidade de confrontos entre os grandes.

Esse foi o principal impulsionador, mas havia uma questão esportiva também. Faz tempo que a fase de grupos da Champions League está chata. Em tempos recentes, você podia tentar adivinhar os classificados e provavelmente acertaria entre 70% e 80%. Mesmo os encontros de camisas pesadas valiam pouca coisa (o que não melhorará, pelo contrário) porque era basicamente para decidir quem ficaria em primeiro lugar. Goleadas ou jogos que rapidamente se resolviam eram frequentes.

No entanto, na próxima edição, teremos pelo menos um grupo que será um pega para capar: Paris Saint-Germain, Borussia Dortmund, Milan e Newcastle. E outros serão interessantes também. A Internazionale é favorita, mas não terá vida fácil contra Red Bull Salzburg, Benfica e Real Sociedad. Feyenoord, Lazio e Celtic formam um grupo relativamente equilibrado junto com o Atlético de Madrid. O próprio Union Berlim pode surpreender Napoli ou Real Madrid.

Então vamos para uma breve análise de cada um dos grupos:

Grupo A: Bayern de Munique, Manchester United, Copenhague, Galatasaray

Bayern de Munique e Manchester United devem avançar, com os bávaros, reforçados por Harry Kane e Kim Min-Jae, em vantagem pela primeira posição. Não é um gol sem goleiro apenas porque o Galatasaray pode derrotá-los em um dia iluminado, com a ajuda de uma constelação de medalhões como Mauro Icardi, Dries Mertens, Wilfried Zaha, Hakim Ziyech e companhia. E pelo fator casa, especialmente para os Red Devils que, em 1993, foram eliminados em Istambul diante de um clima infernal das arquibancadas, que começaram a tradição de levar os cartazes “Bem-vindos ao inferno”. Ter regularidade para somar mais pontos é outra história. O Copenhague não deu muito trabalho na temporada passada nem a um Sevilla em crise, embora tenha segurado o empate em todos os jogos em casa – incluindo contra City e Dortmund.

Grupo B: Sevilla, Arsenal, PSV, Lens

O Arsenal retorna à Champions League após seis anos, mas manteve um coeficiente bom o suficiente chegando a duas semifinais e uma final de Liga Europa para aparecer no segundo pote e não pegou o cabeça de chave mais difícil. Até porque o Sevilla às vezes vacila na fase de grupos. Eles precisam ter cuidado com o PSV, que terminou a temporada em alta e atropelou o Rangers nos playoffs. E com o Lens, embora as saídas de Loïs Openda e Seko Fofana tenham enfraquecido o vice-campeão francês. É um daqueles grupos em que, se os favoritos entrarem meio moles, podem tropeçar aqui, tropeçar ali e de repente se encontrar em uma situação complicada.

Grupo C: Real Madrid, Napoli, Braga, Union Berlim

O Real Madrid sempre dá um jeito na Champions League, mas começa a temporada cheio de pontos de interrogação. Perdeu Thibaut Courtois e Éder Militão, Vinícius Júnior passará mais de um mês afastado, Karim Benzema saiu e Kylian Mbappé não chegou. Os meses da fase de grupo são os em que pode estar mais enfraquecido, e o Napoli mostrou o que pode fazer contra adversários vulneráveis ano passado quando atropelou um combalido Liverpool. O segundo importante alerta é que o Union Berlim reforçou-se bem, começou a Bundesliga voando e se sente confortável em posições desconfortáveis. Está cansado de surpreender adversários mais poderosos com sua excelência defensiva, bola parada e contra-ataques. O Braga disputará a fase de grupos pela primeira vez desde 2012/13 e não terá vida fácil.

Grupo D: Benfica, Internazionale, Red Bull Salzburg e Real Sociedad

A vice-campeã europeia deveria ser favorita disparada, mas a Internazionale passa por uma pequena reformulação, após as saídas de Romelu Lukaku, Edin Dzeko, Milan Skriniar, Marcelo Brozovic e André Onana. Trouxe reposições, mas parece ter perdido qualidade. Se parte na frente, é um grupo em que qualquer um pode avançar. Ano passado, por exemplo, o Benfica manteve o ritmo do PSG e eliminou a Juventus, e a Real Sociedad jogou o Manchester United para a repescagem da Liga Europa. Embora tenha perdido talentos para a franquia de Leipzig, a roda nunca para de girar no Red Bull Salzburg, sempre com novas promessas para revelar e cada vez mais acostumado à Champions League.

Grupo E: Feyenoord, Atlético de Madrid, Lazio, Celtic

O Atlético de Madrid tem tudo para compensar a eliminação da última temporada com uma campanha tranquila. Não que seja um grupo sem armadilhas, mas a bola tem que jogado desde o começo do ano o credencia a avançar em primeiro lugar sem grandes problemas. Primeira armadilha: o Feyenoord é muito bem treinado por Arne Slot e vem de dois anos em que foi finalista da Conference League e campeão holandês. Segunda armadilha: a Lazio, de Maurizio Sarri, foi vice-campeã italiana, o mais regular dos times irregulares abaixo do Napoli, com base em uma forte defesa. Terceira: o Celtic perdeu Ange Postecoglou para o Tottenham, mas trouxe de volta Brendan Rodgers, que conseguiu dominar a Escócia ainda mais que o australiano em sua primeira passagem. Um reencontro interessante será entre a Lazio e a torcida dos Bhoys, que em 2019, pela Liga Europa, mostrou uma bandeira com o enforcamento de Mussolini para provocá-la.

Grupo F: PSG, Borussia Dortmund, Milan, Newcastle

Duas potências financeiras, o vice-campeão alemão e um semifinalista da última Champions League – e heptacampeão europeu. Qualquer coisa está em jogo. O PSG pode ser eliminado? Começando um novo trabalho com Luis Enrique, sem Messi, sem Neymar, pode. Pode ser primeiro colocado? Também pode. No último pote ao retornar à Champions depois de tanto tempo, o Newcastle tinha que esperar dificuldades e terá muitas com um elenco pouco experiente em competições europeias. O Milan reforçou-se bem. Trouxe vários talentos jovens e interessantes, mas deu azar (novamente) e pode pular da semifinal para a Liga Europa. Ou nem isso. Embora tenha ficado perto de derrubar o Bayern de Munique, talvez o Borussia Dortmund seja o mais frágil dos quatro porque perdeu Jude Bellingham, mas o resto da espinha dorsal continua lá. Os sub-enredos também são interessantes. Gianluigi Donnarumma e Sandro Tonali reencontram o Milan, e teremos o confronto entre o projeto do Catar e o da Arábia Saudita. Nenhuma combinação de classificação seria uma surpresa retumbante.

Grupo G: Manchester City, RB Leipzig, Estrela Vermelha, Young Boys

Ok. Esse não tem mistério. A menos que porcos aprendam a voar, Manchester City e RB Leipzig passarão às oitavas de final – provavelmente nessa ordem. O atual campeão da Tríplice Coroa continua fortíssimo e conduziu até uma pequena reformulação em seu elenco para reinjetar um pouco de sede. O RB Leipzig perdeu peças centrais. Szoboszlai, Gvardiol (que reencontrará seu ex-clube) e Nkunku farão falta. Fez um mercado interessante para continuar forte. Talvez não o bastante para ameaçar os ingleses, mas pelo menos para ser melhor que Estrela Vermelha e Young Boys, por mais que a atmosfera do Marakana seja um desafio para qualquer um.

Grupo H: Barcelona, Porto, Shakhtar Donetsk, Royal Antwerp

A variável mais importante é como estará o Barcelona. Nas últimas duas edições, esteve muito mal e caiu para a Liga Europa. É o atual campeão espanhol, mas se arrastou nos meses finais da última temporada e não começou a nova com tudo. O Porto costuma ser extremamente competente na Champions League. O Shakhtar Donetsk naturalmente se enfraqueceu pela guerra e o Royal Antwerp não tem ido bem em competições europeias, então, desta vez, problemas não devem impedir que os catalães cheguem às oitavas de final, mas podem abrir o grupo ou a briga pela primeira posição.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.
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