Champions League

Celtic vive a disparidade europeia: goleia o rival, é massacrado pelo Barcelona

Jogar contra o Barcelona, nos últimos 10 anos, é uma missão para lá de ingrata. Desde que Pep Guardiola passou por lá e tornou o time uma força ainda maior, de 2008 em diante, mais ainda. São três títulos de Champions League neste período (2008/09, 2010/11 e 2014/15). O primeiro jogo do time catalão na fase de grupos da Champions League pareceu ser apenas protocolar. O Celtic tem história, tradição título europeu, mas tornou-se apenas mais um diante das superpotências europeias. O Barcelona goleou por 7 a 0. Fez do Celtic um time qualquer. Um símbolo da disparidade técnica que a Champions League.

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No fim de semana, o Celtic goleou o rival Rangers por 5 a 1, no primeiro clássico entre os dois times pelo Campeonato Escocês desde 2012, quando os Gers faliram e foram rebaixados à última divisão escocesa. Uma demonstração da força do time, que foi campeão nacional todos os anos desde então. Só que em termos europeus, o Celtic não faz nem cócegas nos times médios. Que dirá em times como o Barcelona, que se tornaram seleções mundiais. No Camp Nou, o Celtic avassalador que enfrentou o Rangers era só um time qualquer enfrentando um dos melhores ataques da história.

O Barcelona fez o que se esperava dele. Na liga local, perdeu, de forma surpreendente, do Alavés no fim de semana, 2 a 1 em casa, no mesmo Camp Nou que recebeu o Celtic. Todo mundo sabe que foi só um tropeço casual, depois de uma data Fifa e com vários jogadores poupados. O normal seria o Barcelona vencer de qualquer jeito e surpreendeu justamente por isso. Com o ataque titular contra o Celtic, não houve nenhum momento que a disputa estivesse aberta. Desde o início, o Barcelona deu as cartas, marcou os gols e foi aumentando o placar.

Em campo, quem mais chamou a atenção foi Neymar. Bom, Lionel Messi fez três gols, foi quem mais balançou as redes. Foi dele o primeiro gol aos três minutos, depois de passe de Neymar. A primeira participação do brasileiro. O Celtic até teve um pênalti, depois de Moussa Dembélé, o destaque do time escocês, ser derrubado de forma faltosa por Ter Stegen dentro da área. Ele mesmo cobrou e o goleiro alemão defendeu. Foi o único momento que o Celtic ameaçou igualar alguma coisa – no caso, seria o placar.

Os 2 a 0 vieram em uma tabela que mais parecia de videogame. Messi, Neymar, Messi, Neymar, Messi. Gol. Foi como acabou o primeiro tempo. A tranquilidade era grande e o técnico Luis Enrique colocou em campo Andrés Iniesta, que vinha de lesão e ficou no banco. Entrou no lugar de Rakitic.

O terceiro gol veio dos pés do próprio Neymar. Em cobrança de falta, ele deu um bom chute e o goleiro Dorus de Vries não alcançou. A sequência de golaços continuou. Neymar cruzou da esquerda para o meio da área onde Iniesta chegou pegando de primeira, com uma bomba, um golaço. Eram 14 minutos do segundo tempo.

A esta altura, os torcedores do Celtic, que sentiram a empolgação de golearam no fim de semana, já juntavam as mãos, olhando para os céus em busca de uma ajuda divina. Deus do céu, feche essa defesa, já que Brendan Rodgers não consegue. E os torcedores devem ter se sentido abandonados, porque o massacre continuou.

Suárez continuava sem marcar, mas tratou de participar dando um passe para Messi, de carrinho, completar outra troca de passes que fez o Celtic se sentir um time de adolescentes enfrentando profissionais. O placar já era de 5 a 0, mas o tempo não corria. Os 15 minutos do segundo tempo pareciam pouco demais para os torcedores do Celtic.

Suárez não tinha marcado o seu gol. E ele queria. Então, o gol saiu aos 30 minutos. Foi de Neymar o passe para isso. E foi um golaço: o camisa 9 recebeu dentro da área e girou, finalizando a bola ainda no ar para estufar a rede a curta distância. Os 6 a 0 não foram o bastante e o Barcelona quis mais. Aos 43 minutos, passe de Lionel Messi, outra finalização de Suárez. E o placar passou a 7 a 0.

No fim de semana, o Celtic via o seu poder de fogo sobrar para derrubar aquele que é o seu principal concorrente ao título no Campeonato Escocês. O time que é o vice-líder. Nacionalmente, o Celtic sobra muito. Na Europa, o seu gigantismo é só na tradição, na camisa, na história, na galeria de troféus. Em campo, a disparidade diante do Barcelona é tal que não há qualquer esperança. O time olha o placar se sente diminuído, um coadjuvante de luxo para que os craques mundiais como Neymar, Suárez e Messi desfilem seu talento e aumentem suas marcas pessoais.

No fim, o Celtic viveu a grande disparidade que é a Europa atual nos campeonatos de clubes: há um pequeno grupo de times capazes de massacrar mesmo aqueles que são os melhores times de países menos fortes. A Escócia se tornou só mais uma entre tantas ligas que mandam seus times apenas para fazer a figuração dos recordes batidos por Lionel Messi e Cristiano Ronaldo. O peso e a tradição estão na história. Em campo, tanto faz para o Barcelona enfrentar o Celtic ou Apoel, Ludogorets, Copenhagen…

Já que o Barcelona é muito superior, fez valer isso dentro de campo. Se recupera de uma derrota inesperada para  voltar aos elogios, ao futebol de troca de passes mortal, de finalizações das mais diversas, da capacidade ofensiva quase inigualável. Ao Celtic, resta voltar à sua liga nacional e continuar sendo o Barcelona dos times escoceses. No domingo o adversário do Celtic será o Inverness. Aí o time poderá voltar a sentir o gosto das vitórias. Na Europa, aparentemente, esta participação na Champions será apenas para cumprir tabela.

Chamada Trivela FC 640X63

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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