Champions League

Celtic resgatou seu orgulho ao jogar como gigante e impor primeiro tropeço ao City de Guardiola

A honra do Celtic andava no lixo. De nada havia adiantado golear o Rangers no primeiro clássico pelo Campeonato Escocês em quatro anos, se dias depois os Bhoys engoliram a seco o impiedoso massacre do Barcelona por 7 a 0, sem nem ver a cor da bola no Camp Nou. Era preciso dar uma resposta. E, mesmo com o apoio da massa alviverde em Glasgow, o confronto com o Manchester City se prometia dificílimo. O time de Pep Guardiola havia vencido todos os seus dez primeiros jogos oficiais na temporada, exibindo um futebol ofensivo. Conseguiria outro resultado tranquilo na Escócia? Não. Brendan Rodgers prometeu que o Celtic não seria passivo desta vez e os Bhoys seguiram à risca as ordens, com uma atuação fantástica no Celtic Park. O time da casa não dominou a todo o tempo, mas esteve por três vezes à frente do placar. Ao final, quando as pernas pesavam, a entrega valeu o empate por 3 a 3. O resultado pode não condizer tanto com a rica história do clube. Entretanto, mostra como, mesmo com um time bastante inferior, o Celtic conseguiu se agigantar a partir de seu ímpeto e com a força de suas arquibancadas.

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Três minutos. Foi esse o tempo que o Celtic precisou para começar a surpreender em Glasgow. Uma bola parada muito bem ensaiada acabou sendo traiçoeira ao Manchester City. O cruzamento ao segundo pau foi escorado por James Forrest para trás. E, depois do desvio de Erik Sviatchenko, Moussa Dembélé ainda contou com a sorte para completar com a barriga. Mas não parou só nisso. Os alviverdes protagonizaram uma blitz e só não marcaram o segundo porque Claudio Bravo salvou a bomba de Kolo Touré. Foram cinco finalizações em oito minutos, colocando os Citizens contra a parede.

O time de Pep Guardiola demorou a se recompor. Para sua sorte, ao menos, arrancou o empate logo. Aos 11 minutos, a partir de um chute de Aleksandar Kolarov, Fernandinho dominou e tocou na saída do goleiro Craig Gordon. Até parecia que a virada seria questão de tempo. Só parecia, porque o Celtic retomou a dianteira nove minutos depois. O australiano Tomas Rogic fazia excelente partida no meio-campo e iniciou a jogada para Kieran Tierney se mandar pela ponta esquerda. Na hora de cruzar, a bola bateu em Raheem Sterling e entrou, tirando Bravo da jogada.

A partir disso, enfim, o Manchester City começou a ditar o ritmo da partida. Todavia, encontrava uma grande barreira nos adversários, especialmente pela aplicação do meio de campo, com Scott Brown e Nir Bitton protegendo muito bem a cabeça de área, além de Scott Sinclair e James Forrest se empenhando para ajudar os laterais na marcação. O empate, ainda assim, veio. Curiosamente, graças a um contragolpe Após passe errado de Dembélé, os ingleses armaram rapidamente o ataque. David Silva passou para Raheem Sterling, com uma calma imensa, fintar o marcador e arrematar para as redes, aos 28. Até o intervalo, os Citizens permaneceram com a posse, mas sem criar grandes perigos.

dembelee

O caminho para o Celtic seria outra blitz. E ela aconteceu na volta para o segundo tempo, resultando no terceiro gol logo aos dois minutos. Tierney cruzou, Kolarov falhou no corte e Dembélé pegou sozinho dentro da área. O atacante dominou com a coxa e já virou um belíssimo voleio, no qual a bola pareceu entrar no gol em câmera lenta. Então, o que se viu foi um jogo entre ataque contra defesa. Os Bhoys se defendiam bravamente, apoiados pelo calor das arquibancadas – com Rod Stewart mais uma vez entre os fanáticos. Os Citizens pressionavam.

Depois de uma grande defesa de Craig Gordon, em falta venenosa cobrada por Ilkay Gündogan, o terceiro gol do City saiu aos 10 minutos do segundo tempo. Sergio Agüero tabelou com David Silva, mas parou em um milagre de Gordon. No rebote, com o goleiro batido, Nolito só escorou. Sterling era quem mais incomodava o Celtic, que, por sua vez, não conseguiu mais finalizar depois do terceiro tento. Mas também faltou competência aos Citizens para virada, criando pouco para tamanho controle. Fernandinho deu um chute da entrada da área que passou a centímetros da trave, enquanto Gordon salvou a última vez nos acréscimos, em bomba de Gündogan. Era noite mesmo do heroísmo do Celtic.

Se por um lado o empate mostra algumas deficiências do Manchester City, com dificuldades na infiltração e sentindo a falta de Kevin de Bruyne, ele também aponta para as virtudes do Celtic. A atuação dos Bhoys esteve longe de ser perfeita, com alguns erros fatais. Mas os alviverdes não perdoaram os erros dos Citizens e demonstraram uma aplicação tática que não apareceu diante do Barcelona. O ponto conquistado pode nem fazer diferença, talvez em uma eventual briga com o Borussia Mönchengladbach pela vaga na Liga Europa. No entanto, significa bastante ao orgulho alviverde. Ainda mais contra os rivais ingleses, os escoceses podem erguer a cabeça novamente.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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