Champions League

Casillas fez a noite do torcedor ser mais emocionante do que todos esperavam

Seria cruel dizer que Casillas falhou nos três primeiros gols que um corajoso Schalke 04 marcou, nesta quarta-feira, no Bernabéu. O primeiro foi o que mais se aproximou dessa classificação, mas em todos eles se esperava intervenções melhores de um goleiro com nível para ser titular do Real Madrid. Na verdade, mais do que isso, sempre se esperava mais do jogador chamado Iker Casillas.

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Antes de tudo, nada disso teria acontecido se o Real Madrid tivesse jogado melhor coletivamente. A desorganizada defesa permitiu várias chances de gol ao Schalke 04. O ataque sem sintonia foi salvo pela precisão de Cristiano Ronaldo. Em uma partida que deveria ter sido mais bem administrada desde o início, a vantagem pela vitória por 2 a 0, fora de casa, foi parecendo cada vez menor à medida que o jogo se desenvolvia. A história quase terminou em tragédia para os atuais campeões, a um gol de serem eliminados em casa por um adversário com orçamento muito menor.

Feita a ponderação, quando a bola chegou às três traves, Casillas decepcionou. O primeiro gol saiu de um chute de Fuchs, à média distância, que o goleiro basicamente espalmou para dentro das redes. Poderia ter sido mais firme. Meyer arrematou também da entrada da área, e o rebote foi cedido nos pés de Huntelaar, quando a cartilha indicaria que a bola fosse empurrada para os lados. E quando Sané armou a finalização com curva, o camisa 1 achou que a bola ia para fora. Não pulou e nem esticou o braço.

Casillas não se tornou um goleiro ruim, apenas menos seguro. Inspira a incerteza: será o ágil e intransponível capitão da seleção espanhola ou veterano de 33 anos cujos reflexos não são mais os mesmos? A idade costuma contribuir para essa oscilação – vide Rogério Ceni – entre partidas épicas e trágicas, mas também não podemos esquecer que sua confiança foi abalada quando virou banco com Mourinho. Ancelotti chegou e o transformou em titular apenas na Champions League. Na final, falhou feio no gol do Atlético de Madrid. E no verão, foi muito mal na Copa do Mundo.

É bom deixar claro que, apesar dos percalços, a carreira de Casillas ainda está longe do final. Keylor Navas não apresenta uma real ameaça à titularidade, como fazia Diego López, e o capitão ainda é capaz de ótimas defesas. Contra o próprio Schalke 04 mostrou isso, ao defender um chute preciso de Sané e agarrar uma boa finalização de Höwedes nos minutos finais, que poderiam ter custado a vaga nas quartas de final.

Se o problema não for o físico cobrando a conta, apenas de espírito, Casillas precisa reencontrar o seu, porque os seus companheiros precisam cada vez mais dele. A derrota por 4 a 3 para o Schalke 04 foi a segunda seguida do time na temporada e o terceiro jogo sem vitória. A segurança debaixo das traves é essencial para Ancelotti reorganizar a equipe, e ela passa por um grande goleiro. O Real Madrid tem um, talvez ele só precise se lembrar disso.

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Equipe Trivela

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