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Schalke ficou a um passo de transformar um jogo memorável em um jogo épico

A lembrança desse jogo não se apagará. O Schalke colocou o Real Madrid nas cordas no Santiago bernabéu lotado. Fez 1 a o, tomou o empate, fez 2 a 1, cedeu a virada, virou novamente para 4 a 3 e pressionou até o último minutos. Impossível o torcedor dos Azuis Reais esquecerem uma noite como essa. Seu time colocou o atual campeão do mundo na defensiva, recuado e acuado, temendo por uma eliminação que parecia impossível. Viu-se que ela era possível, mas não se concretizou. E esse jogaço pelas oitavas de final da Champions League ficará registrado na memória dos alemães como um grande momento. Faltou um gol para ser um épico.

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Depois da vitória espanhola por 2 a 0 em Gelsenkirchen, era de se esperar uma partida quase protocolar em Madri. Mas uma das piores partidas do Real coincidiu com uma das melhores do Schalke na temporada, reabrindo um duelo que parecia definido.

Os Azuis Rais mostraram muita atenção tática e disposição na primeira metade do primeiro tempo. A isso se somou a desatenção e falta de confiança dos defensores do Real, que davam muito espaço para as subidas alemãs. Aos 20 minutos, bastou uma virada de jogo para que os comandados de Roberto Di Matteo deixassem os merengues perdidos, correndo atrás da bola sem ideia de onde ir. Um drible de corpo de Huntelaar quebrou de vez a marcação, e Fuchs chegou batendo forte, contando com falha de Casillas, para fazer 1 a 0.

Cristiano-Ronaldo-Real-Madrid-Schalke

Na noite atribulada do Real, Cristiano Ronaldo foi a válvula de escape. O português não deixou que o Schalke crescesse muito no jogo. Apenas cinco minutos depois, se livrou de Matip e cabeceou para empatar em 1 a 1. Assim como no jogo de Gelsenkirchen, o português foi à rede pelo alto, em cima de um desatento Matip. Coisa que se repetiria no fim do primeiro tempo, quando os alemães venciam por 2 a 1. Em teoria acompanhando o craque, o zagueiro camaronês ficou longe demais do camisa 7, que aplicou sua velocidade e o forte impulso que o caracterizam para fuzilar, mais uma vez de cabeça, o gol de Wellenreuther.

Minutos antes do melhor do mundo nos últimos dois anos exercer seu poder de decisão, o Schalke havia chegado a seu segundo gol com Huntelaar, após uma sequência incrível de oportunidades dadas pela defesa do Real Madrid. Aos 38 minutos, Varäne recuou de maneira displicente, e o holandês dividiu a bola com Casillas, quase fazendo. Segundos depois, mais uma chance para Huntelaar, que, de longe, acertou o travessão. Fechando os instantes de caos completo no setor defensivo madridista, o centroavante pegou rebote dado pelo goleiro espanhol e fez seu primeiro na partida.

O belo gol de Benzema aos sete minutos do segundo tempo, fazendo 3 a 2, parecia decretar de vez a classificação merengue, mas depois de tanto esforço os Azuis Reais não estavam prontos para entregar a partida. Cinco minutos após o tento do francês, o garoto Sané, de apenas 19 anos, fez seu primeiro jogo na Champions, em mais uma jogada que passou a sensação de que Casillas poderia ter feito algo melhor.

Muito tempo depois, já aos 39 da etapa final, os alemães pegaram um bom contra-ataque, foram ajudados mais uma vez pela confusa defesa do Real, e Huntelaar, com um belo chute, fez 4 a 3 e pôs fogo na partida. Os minutos seguintes ao segundo gol de Huntelaar foram de bastante pressão alemã, como nos iniciais do jogo, mas aí foi a hora de Casillas recompensar a torcida pelos erros que havia cometido e mostrar por que ainda tem a confiança de Carlo Ancelotti. O goleiro e capitão fez duas ótimas defesas e salvou o time de uma eliminação dolorida.

O olhar de Cristiano Ronaldo após o apito final disse tudo. A classificação veio, mas o gosto amargo era evidente. O português não deve se conformar em ver seu time estrelado ser surpreendido de tal maneira. Decisivo como só ele, Ronaldo foi ao resgate da equipe nos momentos em que mais precisaram. Esse é um dos poucos motivos para o torcedor do Real comemorar esta noite de terça. O alemão que foi a Madri incentivar o Schalke está muito mais satisfeito. Sabe que não esquecerá o que acabou de ver. Ainda que tenha ficado a um gol de um momento ainda mais grandioso.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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