Champions League

Barcelona mostra seu lado mais letal para derrotar o Arsenal: o contra-ataque

O Barcelona sempre gostou de ficar com a bola, mesmo antes de Guardiola começar o seu império. Faz parte do seu DNA. Até o time mais vertical de Luis Enrique tem altas porcentagens de posse da redonda, mas, quando aparecem os espaços, um vacilo sequer, ele contra-ataca como ninguém no mundo. É dinâmico, é veloz, é feroz. É letal.

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O Arsenal, outro time com afeição pela bola, executou perfeitamente a estratégia de fechar o seu campo de defesa às investidas do Barcelona durante 70 minutos. Reduziu esses espaços. Defendeu com maestria. Complicou o adversário. Teve contra-ataques perigosos para abrir o placar e até construir uma vantagem, mas errou a finalização ou parou em Ter Stegen.

Quase imediatamente no momento em que passou a ceder espaços ao Barcelona, levou o primeiro gol. No contra-ataque seguinte, Suárez parou na trave. Flamini, um minuto depois de entrar em campo, cometeu pênalti. Messi marcou os dois gols, seus primeiros em Petr Cech. Colocou seu nome no placar de 2 a 0 que dificulta demais a vida do Arsenal, à espera de um milagre no Camp Nou.

O irônico: o contra-ataque foi justamente a estratégia do próprio Arsenal e funcionou muito bem no primeiro tempo. Wenger fechou o time com duas linhas de quatro e Özil à frente da segunda, mais próximo de Giroud. A ideia era fechar o percuso que levaria ao seu próprio gol e sair em velocidade, com Sánchez e Chamberlain pelos lados.

A melhor chance saiu dos pés de Chamberlain, um jogador de 22 anos que corre bastante e… basicamente só corre bastante mesmo. Cometeu erros imperdoáveis em uma eliminatória tão difícil. Depois de jogada entre Özil e Bellerín, ainda se deu ao luxo de dominar na entrada da pequena área antes de chutar em cima de Ter Stegen. Em outro contra-ataque importante, disparou pela direita, demorou para soltar a bola, adiantou-a demais e foi desarmado por Mascherano.

Mas a proposta era mesmo ter poucas oportunidades. O mais importante era reduzir os danos que o ataque adversário sabidamente pode causar. Messi não teve um grande primeiro tempo, e no geral, só produziu uma cabeçada perigosa. Os visitantes demoravam muito para finalizar e ameaçar Petr Cech. O momento mais interessante surgiu em uma bola preciosa de Sergio Busquets, esse craque invisível, que Daniel Alves emendou na cabeça de Suárez. Passou muito perto do pé da trave direita de Cech.

O Arsenal voltou sem a mesma concentração para o segundo tempo, e o gol do Barcelona parecia cada vez mais maduro, à medida que os espaços surgiam. Mas foi o time da casa quem quase abriu o placar, em uma plástica cabeçada de Giroud que exigiu uma defesa brilhante de Ter Stegen.

O Barcelona pegou o Arsenal desprevenido. Iniesta realizou o corte na intermediária defensiva, e Neymar recolheu a bola. Suárez, esperto, deslocou-se à esquerda para abrir a defesa adversária e recebeu do brasileiro. Devolveu logo em seguida para o camisa 11, que avançou até a entrada da área. Sem nenhum tipo de egoísmo, rolou na medida para Messi. Cech esperava o chute de primeira e foi vencido pelo domínio do argentino.

Em nova arrancada, desta vez de Messi pela direita, Neymar deveria ter chutado de primeira com a canhota, mas preferiu arrumar para a perna boa e foi desarmado. Suárez ainda pegou o rebote e acertou a trave.

Mas a chance de ampliar a vantagem e praticamente matar as oitavas de final não demoraria para aaparecer. Aos 37 minutos do segundo tempo, Arsène Wenger trocou Francis Coquelin por Mathieu Flamini. Aos 38 minutos do segundo tempo, Mathieu Flamini cometeu pênalti em Messi, que cobrou com tranquilidade para fazer 2 a 0.

O Arsenal caiu na sua própria armadilha. Preparou-se para o contra-ataque e sucumbiu ao mesmo contra-ataque. Quando Messi, Suárez e Neymar preparam o bote, o tempo para reagir é curto. Em uma eliminatória tão difícil, acirrada e equilibrada, erros individuais de jogadores médios como Flamini e Chamberlain podem ser mortais. Na junção de tudo isso, o Barcelona está com um pé e meio nas quartas de final pela nona vez seguida.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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