Champions League

Atlético de Madrid teve classe e soube sofrer para eliminar Leicester e chegar à sua sexta semifinal

Um veterano com um aprendiz. Foi a sensação em ver o Atlético de Madrid, velho de guerra pelos últimos anos batalhando na Champions League, contra um Leicester iniciante neste campo. O time de Madri ficou conhecido nos últimos anos pela sua capacidade de lutar bravamente contra times mais fortes. Contra o Leicester, deixou evidente que vai além da marcação forte e das batalhas em todos os jogos: é um time talentoso e capaz. Diante de um adversário com muita vontade, usou o talento e a organização. Tocou a bola, atacou quando preciso, defendeu-se com a tradicional qualidade. O empate por 1 a 1 garantiu a classificação, mesmo no momento que precisou sofrer, no segundo tempo. E nunca pareceu ficar longe da vaga.

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Diego Simeone escalou um time para segurar o ímpeto que o Leicester, como se imaginava, traria a campo. Não usou nenhum dos centroavantes do time. Levou a campo o 4-4-2 tradicional, mas na linha de meio-campo colocou Saúl Ñíguez na direita, Gabi e Giménez pelo meio e Koke pela esquerda. No ataque, Antoine Griezmann mais como referência e Ferreira-Carrasco, se mexendo muito. Um ataque móvel para tentar aproveitar espaços vazios deixados pela defesa do time inglês, que estava muito mais adiantada do que no primeiro jogo.

O Leicester de Craig Shakespeare não trouxe surpresas. Mantém o time desde que assumiu, com a estrutura da temporada passada. A alteração foi Yohan Benalouane, que começou jogando no lugar de Huth, suspenso. Ele já tinha atuado no jogo passado justamente substituindo Morgan, que estava machucado. Como esperado, o Leicester tentou ser muito mais intenso do que no jogo de ida e posicionar o time mais no campo de ataque. Só que se tem um time que sabe sofrer nesta situação, este time é o Atlético. Parecia uma criança fazendo força para abrir um portão enquanto o adulto o segurava. Não durou muito tempo.

Com o passar dos minutos, o Atlético de Madrid passou a mandar no jogo. O Leicester tinha, de fato, uma postura diferente da primeira partida, indo mais ao ataque. Aos 26 minutos, Filipe Luís trabalhou a bola pela esquerda com Griezmann e cruzou de forma precisa para Saúl Ñíguez chegar cabeceando de frente, tocando no canto. O domínio do Atlético até o fim do primeiro tempo foi impressionante. Chegou a trocar passes de forma ininterrupta por dois minutos, antes de finalizar para fora. Era uma aula do Atlético em como esfriar o jogo com categoria. Troca de passes, com tranquilidade e precisão, ao redor da área do time inglês.

Precisando de três gols, o Leicester voltou com alterações para arriscar no segundo tempo. Foram duas alterações: deixaram o campo Okazaki e o zagueiro Benalouane; entraram Ben Chilwell e Leonardo Ulloa. O time foi para um ousado 3-4-3 para sufocar. A ideia deu certo: foi uma pressão forte logo no início da segunda etapa. O time passou a criar mais chances, no abafa, como costumava fazer em alguns momentos da temporada anterior. E tornou a vida do Atlético bem mais difícil do que no primeiro tempo.

Aos quatro minutos, ataque muito perigoso do Atlético pela direita, com Griezmann lançado em velocidade, avançou e tocou para o meio na direção de Carrasco, que não conseguiu chegar. O Atlético, vendo os espaços, também se posicionou para tentar a punhalada que seria fatal, o segundo gol. Simeone viu a mudança do Leicester e também mudou: colocou em campo Lucas Hernández no lugar de Juanfran. Fortaleceu a linha defensiva. Já tinha visto, à essa altura, que o time precisaria sofrer, ainda que um pouco, para não correr riscos.

Abafando o Atlético, o gol saiu. Aos 16 minutos, cruzamento na área, bate-rebate na área e a bola sobrou para Vardy, que soltou o pé e estufou a rede. Foi aquela imagem que você pode imaginar: pega a bola no fundo da rede, corre para o meio. Daria tempo? Diego Simeone não quis pagar para ver. Mudou o time pouco tempo depois. Tirou Carrasco e colocou Fernando Torres para ter uma referência na área. Depois, tirou Filipe Luís e colocou Ángel Correa. Com isso, o Atlético passou a ter uma linha de defesa com quatro zagueiros de fato: Savic na direita, Giménez e Godín pelo meio e Lucas Hernández na esquerda. No meio, Ñíguez, Gabi, Koke e Correa, com Griezmann e Torres no ataque. O Leicester tentava forçar o jogo, especialmente com bolas na área.

Sem espaço, o Leicester, não acostumado a ter que ter paciência e movido pela necessidade maluca de dois gols, não aguentava muito tempo antes de arriscar chutes de fora da área que eram bloqueados ou cruzamentos que viam os bons defensores do Atlético de Madrid afastarem a bola. Foi ficando claro que não dava para o Leicester. O time se esforçava, deixava tudo em todas as bolas, mas o Atlético parecia um time muito melhor para sucumbir. Quando o jogo já estava avançado nos acréscimos, a torcida já aplaudia o time, como um reconhecimento pelo esforço e campanha dos Foxes. Não é pouca coisa.

Shakespeare foi ousado ao colocar o time no 3-4-3 e conseguiu fazer o Atlético de Madrid sofrer em um jogo que parecia já ter dominado. Não se pode falar em falta de entrega do Leicester. Jogadores fizeram tudo que podiam pelo resultado. Esbarraram em um time que é melhor, mais forte e jogou bem também defensivamente.

Não teve jeito. O Atlético de Madrid é o que chamamos na América do Sul de um time copero. Vai à sua sexta semifinal na história da Copa dos Campeões/Champions League, a terceira em quatro anos. De 2014/15 para cá, só caiu uma vez antes: em 2014/15, foi derrotado pelo Real Madrid nas quartas de final.

É o efeito Simeone. O time se tornou uma potência na Europa e passou a ser temido pelos grandes clubes do mundo. Encara qualquer um, sem medo, e com chances ao menos iguais de vencer. Finalista em 2014 e em 2016, os Colchoneros tentam  finalmente conquistar seu primeiro título europeu. Quem chega a tantas semifinais em um espaço tão curto está perto do título. Será que é em 2017?

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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