Champions League

Apesar da derrota, o trio de zaga da Atalanta foi importante numa noite em que precisaram de resiliência

As circunstâncias da partida em Bérgamo foram totalmente adversas à Atalanta. A expulsão de Remo Freuler aos 17 minutos, numa decisão rigorosa (e exagerada) da arbitragem, levou os nerazzurri a atuarem de uma maneira oposta à sua ofensividade. Fechadinha na defesa, a Dea precisou conter a posse de bola ampla do Real Madrid para tentar evitar a sangria, ao permanecer durante quase todo o encontro com um homem a menos. E, se não deu para segurar o empate, a derrota por 1 a 0 não parece o pior dos mundos diante da superioridade merengue. Para tanto, o trio de zaga de Gian Piero Gasperini teve grande noite, apesar dos pesares.

A Atalanta naturalmente é elogiada por seus predicados ofensivos. A fome de gols marca o trabalho de Gasperini nos últimos anos, abrindo mão de um sistema defensivo rígido. Tantas vezes, os próprios zagueiros passam no apoio e auxiliam na produtividade do ataque. Desde que o número de gols marcados seja superior ao de gols sofridos, tudo certo para a Dea – claro, realizando um trabalho excepcional sem a bola, ao adiantar a marcação e sufocar os adversários desde o campo de ataque. De qualquer maneira, os jogadores mais defensivos acabam em segundo plano dentro da estratégia comum dos nerazzurri. Nesta quarta, eles precisaram de resiliência.

O lance da expulsão de Remo Freuler acontece dentro de uma dificuldade da Atalanta, com sua marcação pautada nos encaixes individuais. O Real Madrid optou por uma formação mais leve, o que ajudou a abrir os espaços, e deixou Rafael Tolói exposto entre o ponta e o lateral. Até por isso, Mendy se infiltrou em velocidade e a falta aconteceu no limite da grande área. Depois, a Dea precisou adotar uma forma de jogo bem mais contida em seu campo de defesa. Foi quando os zagueiros brilharam, dando pouquíssimos espaços para que os merengues finalizassem com clareza e, assim, não permitindo que o goleiro Pierluigi Gollini trabalhasse tanto.

Dono da braçadeira de capitão em Bérgamo, Tolói realizou uma partida imponente pelo lado direito da zaga. O brasileiro foi bem nos combates e também na proteção pelo alto da zaga, sem permitir que os cruzamentos do Real Madrid tivessem continuidade. Realizou um duelo particular com Vinícius Júnior, neutralizando o brasileiro, mesmo que por vezes tenha recorrido às faltas. Além disso, até deu um respiro ao time com algumas escapadas para o campo de ataque. Aos 30 anos, o beque é um dos mais experientes do elenco, no clube desde 2015. E tal destaque na Champions é valioso, num momento em que possui cidadania italiana e se torna opção à seleção local – aberto à convocação, como já declarou em entrevistas.

Berat Djimsiti também deu conta do recado pelo lado esquerdo da defesa. O albanês chegou do Benevento em 2018 e ganhou espaço gradativamente, até se tornar titular absoluto na última temporada. Aos 28 anos, não é um jogador com tanto potencial, mas consolida-se como um importante coadjuvante na Atalanta. Dono de muita presença física, ocupou o seu lado da área e mal deixou o Real Madrid se criar por ali. Além disso, é um jogador com bom passe, que mantém um equilíbrio importante em conjunto com Tolói.

Já no miolo da zaga, Cristian Romero é a grande novidade da Atalanta na temporada. O argentino caiu como uma luva na equipe e tem sido um dos melhores do time em 2020/21. Formado pelo Belgrano, chegou à Itália através do Genoa. A Juventus o contratou por €26 milhões, mas o manteve emprestado, primeiro no próprio Genoa e agora na Atalanta. O líbero de 22 anos possui uma leitura de jogo excelente para cortar os passes e bloquear os espaços, o que se viu diante do Real Madrid. O que não apareceu desta vez é sua aptidão para aparecer mais à frente, o que rendeu ótimas atuações neste início de ano.

O gol do Real Madrid contou com espaço excessivo da Atalanta, mas não necessariamente de seus zagueiros, num escanteio curto no qual os merengues rodaram a bola até que Ferland Mendy disparasse da entrada da área. Faltou um pouco mais de proteção na cabeça de área, num lance no qual a zaga estava posicionada para a bola aérea. Não é isso que diminui os méritos dos defensores nerazzurri, porém.

No reencontro pelas oitavas de final, o tipo de jogo deverá ser bastante diferente, até pela necessidade da Atalanta em sair para o ataque e anotar seus gols na Espanha – com a vantagem proporcionada pelos tentos fora, em caso de vitória simples. Por isso, a solidez garantida em 90 minutos de sufoco até valeu em Bérgamo. O Real Madrid tantas vezes rodou a bola e não conseguiu penetrar na área italiana. Obviamente, pesa a ausência de Karim Benzema e todos os problemas merengues nos últimos meses. O que não reduz os elogios para os Orobici.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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