Champions League

‘O sofrimento é maior que a felicidade’: Ancelotti faz importante reflexão sobre ser técnico

Com carreira de quase três décadas à beira do campo, Carlo Ancelotti entende bem as responsabilidades de ser treinador e falou sobre isso em importante entrevista

Aos 64 anos, o italiano Carlo Ancelotti deve ter vivido de tudo no futebol. Foi um bom meio-campista, especialmente no Milan, e vencedor de quase tudo nos gramados. Como técnico, função que exerce há quase três décadas no mais altíssimo nível europeu, ele manteve o sucesso e a seriedade no trabalho, como acontece nesta temporada pelo Real Madrid, uma das melhores da carreira. Tudo isso, no entanto, cobra um preço.

As pressões da torcida, imprensa e direção por resultados são uma perseguição constante, enquanto o treinador precisa pensar na tática do time, treiná-los, decidir quais jogadores utilizar (e quem ficará insatisfeito no banco de reserva) e ser até uma figura paterna para alguns atletas que passam por momentos delicados.

Carletto, experiente e grande gestor de grupo, refletiu sobre as cobranças da vida de técnico neste terça-feira (5), quando concedeu entrevista coletiva prévia ao confronto de volta das oitavas de final da Champions League, contra o RB Leipzig.

O italiano ressaltou que ama o trabalho e o Real é o local ideal para exercê-lo. No entanto, com forte desabafo sobre as responsabilidades, Ancelotti disse que o sofrimento é maior que a felicidade. Ele justificou a fala porque as vitórias, os títulos, podem ser compartilhados com o grupo, direção, torcida, mas a pressão da função, não.

– Seria um discurso muito amplo [falar sobre ser treinador]. Gosto do meu trabalho e muito mais no Real Madrid. Acho que é o melhor clube para fazer esse trabalho. [Mas] em geral o sofrimento é maior que a felicidade… porque há muitas situações que você tem que melhorar. Dentro da vitória tem gente que não está feliz, jogador que não joga, etc… e tudo isso afeta a sua felicidade. O sofrimento é só seu. A felicidade pode ser compartilhada com os outros, mas o sofrimento não. Estou muito bem porque estou no time do mundo, mas o sofrimento é maior que a felicidade.

Claro, o salário milionário e os holofotes da função (nos bons momentos) trazem seus bônus, mas nem tudo é flores e isso vale para qualquer profissão que possa parecer um sonho. A cada semana, o técnico precisa superar um adversário que quer vencê-lo a qualquer custo, como o RB Leizpig, que visita o Real no Estádio Santiago Bernabéu nesta quarta (6). O clube espanhol tem vantagem de um gol pela vitória na ida, só que Ancelotti não espera que seja fácil.

— Nunca há tranquilidade num jogo onde há muito em jogo. Temos que perseguir o sonho de continuar na competição que nos tem dado muito sucesso. Tenho a ideia de não pensar no árbitro antes do jogo e espero não pensar nisso depois também — afirmou, em referência ao bizarro gol que não valeu no empate em 2 a 2 com o Valencia, no último final de semana.

O italiano também elogiou o rival alemão, extramente rápido na forma de atacar, e o que ficou de aprendizado do jogo de ida, no qual os Merengues tiveram momentos de dificuldade e até pressão do Leipzig, mesmo com a vitória por 1 a 0.

— Avaliamos a partida de ida, as coisas boas e as que podemos melhorar. Podemos mostrar a melhoria. No aspecto defensivo sofremos e aí temos que melhorar. O Leipzig é uma equipe perigosa nas transições. Tem atacante muito rápidos. [Antonio] Rüdiger retornará, o que nos ajudará neste sentido. Temos que fazer um jogo completo porque isso nos permitirá vencer esta eliminatória.

Ancelotti e Marco Rose, técnico do RB Leipzig, na ida das oitavas da Champions (Foto: Icon Sport)

Falando em Rüdiger, o zagueiro alemão deve ter Nacho Fernández, recuperado de lesão, ao seu lado na zaga, ao invés de Aurélin Tchouaméni, que será o volante ao lado de Toni Kroos e Fede Valverde. Na frente, Jude Bellingham, expulso por La Liga, provavelmente deve ser o meia atrás da dupla de ataque brasileira Vinicius Júnior e Rodrygo. O Rayo, vivendo uma temporada abaixo do seu potencial, foi elogiado por Ancelotti, que defendeu a importância do camisa 11 no time.

— Ele está em um bom momento pelo que contribui para a equipe no jogo, pelo trabalho que faz e pelo comprometimento que tem. Tem um pouco menos de sucesso na finalização, mas já aconteceu e, se isso não nos preocupou antes, não nos preocupará agora.

A eliminatória acontece a partir das 17h (horário de Brasília) e tiver vantagem no agregado avança para as quartas de final. O confronto seguinte será definido por sorteio.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius é nascido e criado em São Paulo e jornalista formado pela Universidade Paulista (UNIP). Escreveu sobre futebol nacional e internacional no Yahoo e na Premier League Brasil, além de eSports no The Clutch. Além disso, atuou como assessor de imprensa no setor público e privado.
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