Champions League

Ancelotti: “A grandeza deste clube é isso. Não permite desistir quando parece que tudo acabou”

Finalista da Champions pela quinta vez na carreira, Ancelotti elogiou os jogadores e a força que tiveram para virar o jogo, mais uma vez

Um dos grandes nomes desta campanha do Real Madrid na Champions League é Carlo Ancelotti. O treinador italiano parecia ter passado do seu auge na carreira e sua contratação no começo da temporada foi uma surpresa. Carleto conseguiu fazer do Real Madrid um dos times mais fortes da Europa e, principalmente, um time que parece imortal, ao menos na Champions League. Nesta quarta-feira, fez um milagre para virar contra o Manchester City, vencer por 3 a 1 e avançar à final da competição.

Será a quinta final de Champions League de Ancelotti. Foram três pelo Milan (2002/03, 2004/05, 2006/07) e uma pelo próprio Real Madrid, em 2013/14. Carleto foi o comandante da esperada “La Decima”, uma conquista que demorou 12 anos para chegar. Depois daquela conquista, vieram outras três do Real Madrid com Zinedine Zidane no comando, a última delas em 2017/18, justamente contra o Liverpool de Jürgen Klopp.

Desta vez, o Real Madrid chega em uma campanha acidentada e ao mesmo tempo monumental. Conseguiu classificações dificílimas contra PSG, Chelsea e agora o Manchester City. Nos três confrontos, esteve muito próximo de ser eliminado, mas conseguiu reagir e sair com a vaga. Nos dois últimos, na prorrogação. Ancelotti comentou sobre isso, porque, mais uma vez, o time não foi superrior,

“A grandeza deste clube é isso. É o clube que não permite desistir quando parece que tudo acabou. Te dá força para seguir, continuar, acreditar… Fizemos uma partida contra um rival forte, equilibrado, competitivo. Quando tudo parecia que tinha acabado, buscamos uma última energia para empatar. Se empata uma partida nos minutos finais, você tem uma vantagem psicológica. Você entra em outra dinâmica”, disse o treinador em entrevista à Movistar Plus+.

Se o time buscou e conseguiu a virada no fim, por que não tinha conseguido jogar melhor antes?  Ancelotti tentou explicar. “Fizemos um bom primeiro tempo. Nos faltou um pouco de acerto quando tivemos o passe entrelinhas. Abusamos do passe longo”, afirmou o técnico. “Jogamos oitavas de finais muito duras, quartas de final muito duras… Contra três equipes capazes de ganhar a Champions. Foi um êxito”.

Ancelotti ainda contou sobre um vídeo motivacional que mostrou aos jogadores. “Eram as oito viradas que conseguimos nesta temporada e terminava com ‘Falta uma mais’. Completamos. Pelo menos a final começa 0 a 0, isso não é ruim”, contou o treinador, que ainda foi perguntado se fumaria outro charuto puro agora, pela foto que ele apareceu fumando com os jogadores. “Não era um puro, só uma foto com meus amigos. Os jogadores são meus amigos”.

Na coletiva de imprensa, o treinador voltou a falar sobre o feito do Real Madrid. A começar por uma pergunta sobre como explicar o que aconteceu. “Explicar não é tão simples. Quando todos pensavam que estava acabado, um pequeno detalhe foi suficiente, o gol de Rodrygo, e faltava pouco. Colocamos tudo. Para ganhar partidas assim, temos que ter um pouco de sorte”, afirmou Ancelotti.

“A partida foi muito competitiva. A equipe não se entregou, depois do 1 a 0 foi muito mais complicado, mas demos tudo, o sacrifício, a sorte, a energia, as mudanças ajudaram. Eles deram tudo, foi muito intenso, pressionamos alto, o City não conseguiu jogar como de costume. Fizemos muita pressão e saiu bem”, continuou o italiano.

“Nos aconteceu algo raro, jogamos contra uma equipe forte, acreditamos para ganhar a Champions. Não sei te explicar, grande parte do mérito é dos jogadores e da torcida que empurra, empurra, empurra, dentro e fora do estádio. Nos dias anteriores também. O peso desses jogadores quando vestem esta camisa, o orgulho do clube, de todos nós”.

Ancelotti tem uma história particular com o Liverpool. Pelo Milan, se envolveu em duas finais com os ingleses. Em 2004/05, perdeu a decisão depois de abrir 3 a 0 no primeiro tempo e ver o Liverpool empatar e vencer nos pênaltis. Em 2006/07, conquistou o título também em uma final contra o Liverpool, tendo Kaká como o grande nome da equipe. Além disso, treinou o Everton, rival de cidade do Liverpool.

“A sensação é que eu sou muito feliz de participar de outra final contra uma grande equipe, joguei contra eles como jogador e como treinador. Vivi dois anos ali, para mim é como um derby, sigo sendo um torcedor do Everton”, disse o treinador.

“Nunca desistem, é algo especial. Falar sobre algo inexplicável te deixa um pouco longe de agradecer aos jogadores pelo que eles fizeram, não consigo parar de agradecer. É verdade que o ambiente joga, mas tem que ter essa qualidade, o que Rodrygo fez entrando e fazendo dois gols, Ceballos e Asensio se sacrificaram, Vallejo sai cinco minutos e ganha todos os duelos… Ninguém achava que jogaríamos a final, mas aqui estamos”.

Ancelotti foi perguntado sobre Camavinga, Rodrygo e Vinícius, jogadores jovens que tiveram destaque, mas ele fez questão de ressaltar seus jogadores experientes. “Sim, mas também Kroos, Modric e Casemiro fizeram um grande trabalho durante 70 minutos. Um trabalho fantástico, sabíamos que podia custar mais no final correr tanto. O futuro do Madrid está assegurado, estes três vão continuar e atrás deles estão jovens de grande qualidade”.

Foi então perguntado sobre a estratégia da prorrogação. Com sua simplicidade, ele não falou sobre inovações. “Na prorrogação, o aspecto mais importante era o psicológico. Quando você é capaz de empatar no último minuto é porque eles tiveram uma queda e nós com o segundo de Rodrygo buscamos mais e mais energia. É controlar bem, defender bem, tínhamos a vantagem psicológica”.

O técnico do Real Madrid foi perguntado então sobre Klopp, que chega à sua quarta final, enquanto Ancelotti chega à quinta. “Conheço bem Klopp, é um bom treinador, tenho o máximo respeito por ele, pela sua comissão técnica, pela sua equipe. Será uma final fantástica, duas equipes distintas, será uma final para o futebol muito equilibrada”.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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