Champions League

A inteligência rara de Thomas Müller e o poder de decisão que se repete

A cada Copa do Mundo, o talento se evidencia. Thomas Müller possui um senso de decisão imenso. Que faz a diferença para o Bayern de Munique como nunca nesta temporada. O atacante já soma os seus melhores números em uma temporada pelo clube. Balançou as redes 28 vezes, entre a Bundesliga, a Copa da Alemanha e a Champions. E mesmo acumulando tantas boas atuações, em nenhuma ele foi tão preponderante quanto nesta quarta. Não, o camisa 25 não terminou como melhor em campo na Allianz Arena. Mas, se os bávaros passaram pela Juventus, foi porque contaram com um jogador de inteligência muitíssimo acima da média.

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O Bayern esteve abaixo de seu potencial coletivo, mas individualmente vários nomes se destacaram. Douglas Costa assumiu o protagonismo como nenhum outro e, de tanto os companheiros lhe passarem a bola para decidir, ele acertou o cruzamento na cabeça de Lewandowski em um momento vital. Mais atrás, Vidal se encaixou quando assumiu a posição de Xabi Alonso, com seu combate defensivo e sua boa saída de bola rendendo dois gols. Coman ganhou a confiança após a ótima partida contra o Werder Bremen no final de semana e também apresentou as suas credenciais na criação. E, mesmo menos participativo que os outros, Müller proporcionou os dois gols responsáveis pela virada.

No segundo tento do Bayern, valeu o ótimo posicionamento. A capacidade de ler os espaços como um legítimo atacante, para aparecer no lugar certo e na hora certa. Exatamente o que aconteceu. Nas costas de Bonucci, Müller parecia invisível à zaga da Juventus. Na frente de um monstro como Buffon, não vacilou. Assim como não vacilara três anos atrás, contra outro goleiro lendário, Petr Cech, na final da própria Champions. Desta vez, ao menos, o final acabou sendo mais benevolente com o alemão.

Além disso, vale atentar para a participação de Müller no terceiro. Outra vez, estava no lugar certo. Talvez, até por desleixo da defesa da Juventus, cansada naquele momento. Mas o raciocínio privilegiado preponderou de novo. A rapidez com que o Bayern concluiu a jogada foi o que abriu o caminho para o gol. A velocidade com que devolveu a bola para Thiago fuzilar – quando, com espaço suficiente, poderia dar outro destino à jogada.

Thomas Müller é um jogador de virtudes difíceis de explicar. Seus talentos não costumam se encaixar tanto nos padrões, extremamente técnico sem ser necessariamente habilidoso. E geralmente esses talentos fazem a diferença no placar. Talvez a maior diferença esteja mesmo na forma de pensar, como nenhum outro faz. Parece ver e antever lances como ninguém consegue. Por isso, se sobressai tanto. Nesta quarta, provou o seu valor mais uma vez. Não precisou ser o melhor para ser o mais decisivo.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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