Champions League

A decepção do Atlético de Madrid é imensurável, três vezes a um milímetro da glória

Por Bruno Bonsanti

O torcedor do Atlético de Madrid ainda não consegue acreditar. Contra todos os prognósticos, com estrutura e orçamento inferiores aos gigantes do continente, chegou à terceira final de Champions League – duas no momento em que o futebol europeu está mais desequilibrado do que nunca, com o dinheiro ditando a maioria dos resultados. E pela terceira vez, esteve muito próximo da sua maior glória, chegou a sentir o seu cheiro, e permitiu que ela escapasse pelos seus dedos. A decepção é imensurável.

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A primeira chance que o Atlético de Madrid teve para ser campeão europeu veio em 1974, quando Luis Aragonés fez 1 a 0 contra o Bayern de Munique, a seis minutos do final da prorrogação. No último respiro, sofreu um gol fortuito. No jogo desempate, foi goleado por 4 a 0. Quarenta anos depois, chegou aos 48 do segundo tempo em vantagem contra o Real Madrid, mas Sergio Ramos igualou o placar, apenas para o Atlético ser goleado novamente no tempo extra. Neste sábado, as lágrimas vieram depois da disputa de pênaltis, quando, sabemos, a definição sai nos detalhes.

Em Milão, o Atlético de Madrid não foi campeão nem por um segundo, já que até nas cobranças de pênalti o Real Madrid saiu na frente. Mas teve o jogo em mãos. Depois de sofrer o primeiro gol, que o destino quis que fosse marcado novamente por Sergio Ramos, foi o senhor da partida. Controlou as ações, ficou mais tempo com a bola nos pés e foi o time que mais atacou. Esbarrou, no entanto, nas suas próprias limitações. Mesmo nesse cenário, não exerceu a pressão que deveria. Não criou a quantidade de chances claras que eram esperadas.

O Atlético de Madrid não está acostumado a sair atrás do placar, nem a construir um grande volume ofensivo. É o time da defesa, de poucos e precisos botes, do contra-ataque e da bola parada. Sua especialidade não é propor o jogo. O fracasso na hora em que isso foi necessário, na partida mais importante da temporada, mostra didaticamente o que ainda falta para o clube chegar ao patamar dos grandes do continente, apesar de todo o sucesso sob o comando de Simeone. E porque sente a necessidade de adotar uma estratégia mais defensiva para vencer as suas partidas, em vez de tentar enfrentá-los de igual para igual.

Há pouco espaço para erros no jogo do Atlético de Madrid. Grandes chances de gol desperdiçadas, como o pênalti perdido por Griezmann, são geralmente castigadas. Ele quis ter tanta certeza de que não erraria que acabou errando. Quando o Atlético teve a bola nos pés, houve muitos equívocos bobos de passe e decisões ruins, sintoma de um time nervoso, sentindo o peso da ocasião.

Simeone não entrou em desculpas na entrevista depois do jogo. Simplesmente admitiu a superioridade do Real Madrid. Reconheceu que seu time entrou mal na partida, depois melhorou e empatou, mas não teve capacidade para aproveitar a oportunidade de ser campeão. “O que ganha é sempre melhor, e o Real Madrid foi melhor porque ganhou”, disse. “Para o Atlético, é maravilhoso jogar duas finais em três anos, mas não estou feliz. Perder duas finais é um fracasso e temos que aceitar o momento curando as feridas em casa.

O treinador argentino também tem a resposta para a principal pergunta que passa pela cabeça do torcedor colchonero neste momento: por quê? Por que há equipes que vencem na primeira oportunidade, ou na segunda, e o Atlético de Madrid segue de mãos vazias depois da terceira? Por que tinha que ser de novo contra o Real Madrid? Por que ter o coração partido três vezes de uma maneira tão cruel? “Eu disse aos jogadores, ainda em campo: ‘Não chorem, rapazes. O futebol também é destino e hoje (o título) não estava destinado para nós’”.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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