Champions League

A bola procurou o capitão e Morgan se redimiu, outra vez, com um gol heroico

Wes Morgan foi um dos símbolos do Leicester na conquista da Premier League, e não apenas por ser o capitão. Um dos membros mais antigos do elenco, vivendo a epopeia desde a Championship, acabou agraciado com alguns gols decisivos. Balançou as redes contra Manchester United e Southampton, já na reta final da campanha. Contudo, nos últimos meses, entrou em declínio, passando por diversas provações. Pôde se redimir, outra vez, como herói. Segurou as pontas na zaga, enquanto abriu o caminho na vitória por 2 a 0 sobre o Sevilla, que colocou as Raposas nas quartas de final da Liga dos Campeões. Mais um tento para ser lembrado por anos e anos.

Aos 33 anos, Morgan não é nenhum garoto. E as mudanças vividas pelo Leicester na atual temporada colocaram o zagueiro em xeque. Sem a proteção de N’Golo Kanté, ele e Roberto Huth começaram a sofrer. Com o time exposto demais, as jogadas em velocidade passaram a ser um tormento para o pesado defensor. As falhas se tornaram corriqueiras. Ainda assim, nada que o tirasse do time titular ou abalasse diretamente a confiança do elenco. Créditos compensados nesta terça.

A noite não começou exatamente bem para Morgan. Logo aos cinco minutos, o zagueiro não conseguiu desarmar Samir Nasri e acabou salvo por Kasper Schmeichel. Só um susto. Junto com o restante do time, o capitão ofereceu muita garra durante os 90 minutos. As linhas de marcação compactas evitaram que ele ficasse vulnerável aos ataques rápidos. Transmitiu solidez, especialmente para afastar os perigos da área. E teve um pouquinho de sorte, para clarear o caminho do Leicester, com um gol aos 27 do primeiro tempo.

Tinha que ser Morgan. A bola procurou o zagueiro. Quando Mahrez cobrou falta na entrada da área, buscou alguém que a cabeceasse. Ninguém conseguiu e a redonda veio mansa diretamente para a coxa do camisa 5, de lá para as redes. O capitão jamaicano comemorou com sua luneta, como se quisesse desbravar novas águas. E assim se fez, com o Leicester resistindo à tentativa do Sevilla em criar tempestade no segundo tempo. O gol de Albrighton assegurou a calmaria para que a nau inglesa seguisse em frente.

Morgan não é o defensor perfeito. Longe disso, como sua má fase demonstrou algumas vezes nesta temporada. Mas é uma peça vital ao Leicester. Sua influência sobre os companheiros é evidente. Lidera com serenidade e com exemplo – de quem chegou até mesmo a jogar doente, quando anotou o tento decisivo contra o Southampton, na temporada passada. E, em uma epopeia como a vivida no Estádio King Power, está provado que nem sempre os melhores jogadores prevalecem, mas sim os melhores personagens. Assim, ninguém duvida do papel daquele que, no início da carreira, custou alguns uniformes. Que insiste em ser herói, mesmo quando muitos questionam sua permanência entre os titulares. Nada foi em vão.

Mostrar mais

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo