Casemiro detona nova geração no futebol: ‘O problema são as estatísticas’
Em entrevista a ídolo do Manchester United, brasileiro também relembrou convivência com Cristiano Ronaldo e Bale no Real Madrid
Casemiro deixará o Manchester United no fim da atual temporada e aproveitou para ter uma conversa profunda com um ídolo do clube. O volante brasileiro concedeu entrevista a Rio Ferdinand, ex-zagueiro do clube, para seu podcast.
Dentro de um carro, a dupla falou sobre a convivência de Casemiro com alguns dos maiores jogadores da história, que rendeu uma comparação curiosa entre Cristiano Ronaldo e Bale, e ainda encontrou tempo para uma crítica direta ao futebol moderno — e para defender Neymar em uma possível convocação para a Copa do Mundo.
Casemiro aponta problema da nova geração no futebol
O tom mais provocador da conversa veio quando o assunto foi a nova geração do esporte. Para o astro da seleção brasileira, há um claro problema: a supervalorização das estatísticas.
“O problema da nova geração são as estatísticas de passe. Terminam o jogo com 97% de passes certos, mas que passe é esse? Passe para trás? Não. O passe tem que ser para frente”, disse o volante.
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2026%2F04%2FCasemiro-em-jogo-da-selecao-brasileira-antes-da-Copa-do-Mundo-scaled.jpg)
Casemiro faz uma crítica que vai direto ao coração de um debate cada vez mais presente no futebol: o quanto os números contam a história real do que acontece em campo. O próprio meio-campista, por sua vez, tem bons números, mas que se refletem em desempenho positivo.
Na atual temporada da Premier League, por exemplo, Casemiro tem nove gols em 5,34 gols esperados (xG) — ou seja, marcou quase o dobro do que era esperado. Em termos de passes, são 81% de acerto, mas a maioria dos seus passes (54%) acontece no campo adversário. Justamente seu ponto de crítica: passes para frente, tentando criar.
- - ↓ Continua após o recado ↓ - -
Bale melhor que Cristiano Ronaldo, duelos com Messi e Neymar
Quando o assunto chegou ao Real Madrid, Casemiro não hesitou em fazer uma escolha que surpreendeu. Para ele, Gareth Bale era o jogador mais completo com quem dividiu o vestiário merengue, mesmo com Cristiano Ronaldo ao lado.
“Bale, nos momentos decisivos, nas finais da Champions League e da Copa (do Rei), ele marcava. Marcou duas vezes contra o Liverpool, marcou contra o Atlético. Cristiano é de outro mundo, está fora de qualquer discussão, mas para mim, Bale foi o melhor, o mais completo”, afirmou.
A admiração por Cristiano, no entanto, é de outra natureza, quase afetiva. Casemiro revelou um ritual que o português repetia antes dos jogos:
“Antes de cada partida, o Cristiano dizia: ‘Case, hoje é um jogo especial, um jogo incrível’. Eu perguntava o que havia acontecido, e ele respondia: ‘Estou sentindo cheiro de gol’. Todos sabiam que, no início da temporada, para o Cristiano, eram 50 gols no mínimo. Amo o Cristiano porque ele me deu tantos gols, tantos troféus.”
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2026%2F05%2Fcasemiro-real-scaled.jpg)
Ele também resgatou o papel fundamental de Benzema no histórico trio BBC. “O Benzema era o camisa 9, mas não era um 9, era um 10. Ele recuava tanto que abria espaço para o Bale e o Cristiano. O Bale precisava de espaço, e o Benzema dava isso a ele. Depois, ele e o Cristiano corriam para o espaço vazio.”
Os Clásicos contra o Barcelona de Lionel Messi renderam uma das passagens mais curiosas da entrevista. Casemiro revelou a estratégia inusitada que adotava para lidar com o argentino: evitar o contato.
“Nunca falava muito com ele, não o empurrava, porque não queria deixá-lo irritado. Eu dava um carrinho e depois dizia ‘desculpa, desculpa’. Não dá para pará-lo, é impossível. O Barcelona podia estar jogando mal, aí vinha um gol do Messi e 3 pontos.”
E com a Copa do Mundo se aproximando, Casemiro foi perguntado sobre uma possível convocação de Neymar para a seleção brasileira e saiu em defesa do camisa 10, como já havia feito antes.
“Se dependesse de mim, eu o levaria para a Copa do Mundo. Mas sem que ele jogasse todas as partidas, não seria o ideal para ele.” A ressalva é importante: Casemiro não defende Neymar como titular indiscutível, mas como trunfo para momentos específicos.
“Para mim, quando o jogo está equilibrado, 0 a 0, cabe a ele decidir marcando o gol da vitória ou dando a assistência.”