Europa

Casemiro detona nova geração no futebol: ‘O problema são as estatísticas’

Em entrevista a ídolo do Manchester United, brasileiro também relembrou convivência com Cristiano Ronaldo e Bale no Real Madrid

Casemiro deixará o Manchester United no fim da atual temporada e aproveitou para ter uma conversa profunda com um ídolo do clube. O volante brasileiro concedeu entrevista a Rio Ferdinand, ex-zagueiro do clube, para seu podcast.

Dentro de um carro, a dupla falou sobre a convivência de Casemiro com alguns dos maiores jogadores da história, que rendeu uma comparação curiosa entre Cristiano Ronaldo e Bale, e ainda encontrou tempo para uma crítica direta ao futebol moderno — e para defender Neymar em uma possível convocação para a Copa do Mundo.

Casemiro aponta problema da nova geração no futebol

O tom mais provocador da conversa veio quando o assunto foi a nova geração do esporte. Para o astro da seleção brasileira, há um claro problema: a supervalorização das estatísticas.

“O problema da nova geração são as estatísticas de passe. Terminam o jogo com 97% de passes certos, mas que passe é esse? Passe para trás? Não. O passe tem que ser para frente”, disse o volante.

Casemiro em jogo da seleção brasileira antes da Copa do Mundo
Casemiro em jogo da seleção brasileira antes da Copa do Mundo(Foto: Richard Callis/Sports Press Photo)

Casemiro faz uma crítica que vai direto ao coração de um debate cada vez mais presente no futebol: o quanto os números contam a história real do que acontece em campo. O próprio meio-campista, por sua vez, tem bons números, mas que se refletem em desempenho positivo.

Na atual temporada da Premier League, por exemplo, Casemiro tem nove gols em 5,34 gols esperados (xG) — ou seja, marcou quase o dobro do que era esperado. Em termos de passes, são 81% de acerto, mas a maioria dos seus passes (54%) acontece no campo adversário. Justamente seu ponto de crítica: passes para frente, tentando criar.

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Bale melhor que Cristiano Ronaldo, duelos com Messi e Neymar

Quando o assunto chegou ao Real Madrid, Casemiro não hesitou em fazer uma escolha que surpreendeu. Para ele, Gareth Bale era o jogador mais completo com quem dividiu o vestiário merengue, mesmo com Cristiano Ronaldo ao lado.

“Bale, nos momentos decisivos, nas finais da Champions League e da Copa (do Rei), ele marcava. Marcou duas vezes contra o Liverpool, marcou contra o Atlético. Cristiano é de outro mundo, está fora de qualquer discussão, mas para mim, Bale foi o melhor, o mais completo”, afirmou.

A admiração por Cristiano, no entanto, é de outra natureza, quase afetiva. Casemiro revelou um ritual que o português repetia antes dos jogos:

“Antes de cada partida, o Cristiano dizia: ‘Case, hoje é um jogo especial, um jogo incrível’. Eu perguntava o que havia acontecido, e ele respondia: ‘Estou sentindo cheiro de gol’. Todos sabiam que, no início da temporada, para o Cristiano, eram 50 gols no mínimo. Amo o Cristiano porque ele me deu tantos gols, tantos troféus.”

Casemiro comemora com Cristiano Ronaldo e Bale no Real Madrid
Casemiro comemora com Cristiano Ronaldo e Bale no Real Madrid (Foto: Marca / Icon Sport)

Ele também resgatou o papel fundamental de Benzema no histórico trio BBC. “O Benzema era o camisa 9, mas não era um 9, era um 10. Ele recuava tanto que abria espaço para o Bale e o Cristiano. O Bale precisava de espaço, e o Benzema dava isso a ele. Depois, ele e o Cristiano corriam para o espaço vazio.”

Os Clásicos contra o Barcelona de Lionel Messi renderam uma das passagens mais curiosas da entrevista. Casemiro revelou a estratégia inusitada que adotava para lidar com o argentino: evitar o contato.

“Nunca falava muito com ele, não o empurrava, porque não queria deixá-lo irritado. Eu dava um carrinho e depois dizia ‘desculpa, desculpa’. Não dá para pará-lo, é impossível. O Barcelona podia estar jogando mal, aí vinha um gol do Messi e 3 pontos.”

E com a Copa do Mundo se aproximando, Casemiro foi perguntado sobre uma possível convocação de Neymar para a seleção brasileira e saiu em defesa do camisa 10, como já havia feito antes.

“Se dependesse de mim, eu o levaria para a Copa do Mundo. Mas sem que ele jogasse todas as partidas, não seria o ideal para ele.” A ressalva é importante: Casemiro não defende Neymar como titular indiscutível, mas como trunfo para momentos específicos.

“Para mim, quando o jogo está equilibrado, 0 a 0, cabe a ele decidir marcando o gol da vitória ou dando a assistência.”

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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