Europa

Berbatov entrevistou ele próprio para explicar primeiro cartão vermelho em 13 anos

Se tem uma coisa que os anos de Berbatov na Premier League mostraram é que, além de ter faro de gols e muita técnica, ele é um cara tranquilo dentro de campo. Nos oito anos que passou defendendo clubes na Inglaterra, o búlgaro nunca recebeu um cartão vermelho. A última vez em que havia sido expulso, aliás, havia sido em meados de 2002, há mais de 13 anos, quando defendia o Bayer Leverkusen. E é por isso que seu cartão vermelho no duelo entre PAOK e AEK Atenas, no domingo, pelo Campeonato Grego, chamou tanto a atenção. Para se explicar, Berbatov foi bastante peculiar: decidiu entrevistar ele próprio, publicando a “conversa” no Facebook.

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“Entrevista com Dimitar Berbatov, conduzida pelo jornalista Dimitar Berbatov”, começa a publicação, que parece ter sido escrita pelo próprio atacante, considerando alguns deslizes no inglês e a linguagem direta. O búlgaro começa se perguntando como ele está se sentindo. Decepcionado com a derrota por 1 a 0 e com a expulsão, Berba inicia sua explicação: o jogador do AEK estava impedindo que ele se posicionasse melhor, e isso, junto com o fato de que ele estava nervoso, o fez agredir o adversário. Porém, o atleta reconheceu que isso não é motivo para agredir um oponente: “É verdade. É por isso que repito: isso não é algo que bate com a maneira como eu vejo e jogo futebol, mas todos poder perder o equilíbrio e fazer algo estúpido durante um jogo”.

Questionando-se sobre qual o motivo de seu nervosismo, Berbatov tornou público seu incômodo com a reserva no PAOK, sem falsa modéstia sobre a maneira como enxerga seu próprio futebol. “Pelo fato de que eu estava assistindo ao jogo e, mesmo sem ser o melhor time em campo, o AEK havia marcado um gol. Porque eu não estava jogando e não podia fazer nada para ajudar. Era um dérbi, e eu vim para cá para jogar exatamente neste tipo de jogo, em que minha qualidade e experiência podem ajudar o time, e não para ficar no banco e não fazer nada. Mas o contrário aconteceu”, explicou-se.

“Quando não jogo, não fico feliz. O problema é que, neste caso, eu descontei no colega do outro time. E não sou um deses jogadores que buscam um conflito, todos sabem disso. Mas, neste caso, aconteceu o contrário, e eu sinto muito por isso. Agora vou aguentar as consequências de minha ação, três jogos de suspensão, e por isso peço desculpas ao time”, completou o búlgaro.

É na última pergunta da entrevista pingue-pongue consigo próprio que temos o momento de maior brilho da publicação genial do atacante. “Alguns veículos dizem que você não quer mais jogar pelo PAOK…”, comenta o “jornalista” Berba, para o qual o jogador responde:“É por isso que estou dando esta entrevista para você, e não para pessoas que inventam coisas estúpidas como essa”.

Berbatov então esclarece tudo, reafirmando sua vontade de jogar pelo PAOK, sua paixão pelo futebol e sobre como a vontade de lutar pelo time acaba o levando a atitudes questionáveis, como a agressão ao adversário. “Comigo, se a paixão pelo futebol diminuir e eu deixar de ficar bravo, gritar, gesticular no campo, então não me importo com futebol ou com o time pelo qual estou jogando. A paixão se foi. Mas esse não é o caso ainda”, garante. Que maneira sensacional de explicar seu ponto de maneira direta. Se isso virasse moda, seria interessante observar como seriam as postagens de atletas como Balotelli, Valdivia ou o super sincero Cassano.

Interview with Dimitar Berbatov, conducted by journalist Dimitar Berbatov..JDB: Hi, How are you feeling..DB: Hi. I am…

Posted by Dimitar Berbatov on Tuesday, January 26, 2016

 

Veja o lance da expulsão:

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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