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Após planejar o próprio funeral, este escocês conquistou algo maior que a Copa do Mundo

Jordan Moore sequer disputou uma partida como profissional pelo Campeonato Escocês. Aos 21 anos, porém, o atacante possui uma experiência que poucos em sua profissão ou em sua idade tiveram que encarar: o planejamento do próprio funeral. A promessa do Dundee United foi diagnosticada com um câncer de pele em abril de 2014, com a doença em estágio grave. Mas, apesar dos temores sobre a evolução do tumor, Moore reverteu as expectativas. Não apenas sobreviveu, como voltou a jogar futebol. Para, nesta semana, receber um prêmio da federação escocesa sobre sua história de vida.

Diante do sério problema de saúde, Moore recebeu todo o apoio de seu clube e do Dunfermline, ao qual estava emprestado. Passou por uma cirurgia para remover os linfomas que se espalharam principalmente por seu rosto e seu pescoço. E, apesar do diagnóstico de que tinha apenas 1% de chances de voltar a jogar futebol profissionalmente, reestreou em fevereiro. Está emprestado ao tradicional Queen’s Park, da terceira divisão escocesa, onde permanecerá até o final da temporada antes de ser reintegrado ao Dundee United. Logo na reestreia, fez dois gols.

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“O pior momento é quando você está planejando o seu próprio funeral. Você só pensa nisso quando chega a certo estágio, mas também existem dias bons e você precisa se manter pensando positivo. Eu sempre senti que, se eu fosse negativo, então já tinha perdido a luta. Você precisa lidar com as coisas ruins e aproveitar as boas”, declarou, em entrevista à BBC.

Mesmo sob o risco de ficar sem contrato, Moore elogiou a postura do Dundee United: “Eu estava com medo, porque só tinha um ano restante de contrato, mas eles me deram outro contrato e tempo para a recuperação. Estava emprestado ao Dunfermline quando recebi o diagnóstico e eles foram brilhantes comigo, mas o Dundee United é o principal clube que me ajudou. Só quero marcar gols e tentar pagar pelo menos 1% do que fizeram. Nunca conseguirei pagar completamente o que deram a mim e a minha família”.

Não importa muito se Moore vai mesmo vingar no Dundee United, se vai conseguir jogar em um clube maior da Escócia ou se transferir para outra liga. Não terá por toda a carreira conquista maior do que esta, mesmo se vencer a Champions ou a Copa do Mundo. Para quem teve que pensar no túmulo, cada gol deve ser comemorado como uma vitória sobre a própria morte.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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