Europa

Após a campanha acima das expectativas na Euro, Shevchenko anuncia sua saída da seleção ucraniana

Shevchenko permaneceu cinco anos no comando da seleção e desenvolveu um bom trabalho de recuperação

De maneira inesperada, um ciclo importante se encerrou na seleção ucraniana neste domingo, com a saída de Andriy Shevchenko do comando técnico da equipe nacional. O antigo craque ficou em alta na Euro 2020, com um ótimo trabalho que levou os ucranianos além das expectativas e permitiu que o país alcançasse pela primeira vez as quartas de final na competição continental. Porém, diante do fim de seu contrato, Sheva optou por não renovar. Encerra uma passagem de cinco anos e parece ter mercado suficiente para buscar um clube tradicional nos próximos meses.

“Hoje, meu contrato com a Federação Ucraniana de Futebol chegou ao fim. Permaneci cinco anos com a seleção. Foi um trabalho duro, no qual provamos que éramos capazes de jogarmos um futebol moderno. Sou grato ao presidente e ao comitê executivo da federação pela oportunidade de trabalhar com a equipe nacional. Sou grato a cada jogador, cada pessoa que nos ajudou e esteve envolvida com o time. Muito obrigado a todos os torcedores pelo apoio e pelas críticas. Juntos, conseguimos mostrar que nosso futebol pode ser competitivo, produtivo e empolgante. Com fé na Ucrânia”, anunciou Shevchenko, em suas redes sociais.

Shevchenko assumiu a seleção da Ucrânia sob desconfianças, após ter sido assistente durante a Euro 2016. A falta de experiência do ex-atacante gerava um ponto de interrogação ao seu redor, mas o velho ídolo não demorou a comprovar sua capacidade. Cercou-se de outros profissionais competentes na comissão técnica, sobretudo do futebol italiano, e aproveitou a inspiração deixada por treinadores com os quais trabalhou. Assim, empreendeu uma renovação de nomes e principalmente de métodos, com uma equipe mais dinâmica.

Shevchenko não conseguiu classificar a Ucrânia para a Copa do Mundo de 2018, mas fez uma boa campanha num grupo bastante equilibrado. O treinador seguiu contando com a confiança da federação e correspondeu com a conquista da vaga rumo à Euro 2020. Além disso, os ucranianos começaram a bater de frente contra seleções mais tradicionais, derrotando oponentes como Portugal e Espanha. Também alcançaram o acesso na primeira edição da Liga das Nações, apesar do rebaixamento posterior.

A Eurocopa serviu como ápice da trajetória de Shevchenko na seleção. A Ucrânia não teve uma campanha tão estável, mas fez boas apresentações e se colocou nos mata-matas. A classificação diante da Suécia entrou para a história, embora o desgaste tenha pesado na eliminação contra a Inglaterra nas quartas de final. Ainda assim, ficou uma impressão positiva sobre a equipe, pela maneira como o técnico conseguiu aproveitar jovens jogadores e também desenvolveu certo dinamismo no estilo apresentado, com repertório tático.

Para a Ucrânia, a escolha do substituto não deve ser simples. Shevchenko tinha uma aura ao seu redor que conseguia superar a própria aptidão na casamata e sua imagem auxiliou num clima positivo ao redor da seleção, contornando antigos rachas nos vestiários. Talvez o mais capacitado para sucedê-lo seria Serhiy Rebrov, seu antigo parceiro no ataque do Dynamo Kiev, mas que acabou de assinar com o Al-Ain. E a federação deverá agir rapidamente, considerando a urgência diante do reinício das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2022 já em setembro. A Ucrânia somou empates contra França, Finlândia e Cazaquistão nas três primeiras rodadas.

Já Shevchenko possui o horizonte aberto à sua frente para se provar como treinador, quem sabe em uma grande liga. Diante do início da nova temporada, talvez o emprego não surja em breve. Ainda assim, as portas devem se abrir ao ex-atacante – em especial no Dynamo Kiev e no Milan, onde o veterano é venerado. As condições de trabalho não serão tão favoráveis quanto na seleção, onde era “o escolhido”, e a pressão cotidiana em clubes também diminui sua margem de manobra. De qualquer maneira, Sheva indica virtudes à função e deve aproveitar os próximos meses para se aprimorar ainda mais.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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