Europa

Além do significado

O fim da temporada 2009/10 foi para esquecer. O Olympiacos terminava em crise, sem um título ou a vaga na Liga dos Campeões. O jeito era se preparar para a retomada da hegemonia local e se contentar com as preliminares na Liga Europa. Ou nem isso, já que o time caiu ainda na terceira fase preliminar da competição continental, ante o Maccabi Tel Aviv.

O clube de Pireu, no entanto, soube reverter os prognósticos que apontavam um novo ano claudicante. Após a vergonhosa eliminação na Liga Europa, Ewald Lienen foi demitido, a fim que se erradicassem quaisquer males de uma pré-temporada mal-feita. E Ernesto Valverde, que há uma temporada não teve seu contrato renovado após conquistar o título grego, foi chamado de volta.

Logo na reestreia do espanhol, derrota para o Iraklis, que apontava um sinal de alerta. Contudo, Valverde soube colocar ordem na casa e, fim do primeiro turno da Super League, acabou com o título simbólico do primeiro turno. Concentrado apenas nas competições nacionais, o treinador afastou as turbulências e caminhou tranqüilo para terminar como campeão de inverno.

Exceção feita à primeira rodada, quando o citado tropeço para o Iraklis deixou o time mal colocado na tabela, a Thrylos esteve perto da ponta durante toda a competição. O susto acordou o time, que daquela partida rumou a uma sequência de seis vitórias seguidas. A segunda derrota só aconteceu no clássico contra o Panathinaikos, uma dolorosa vitória por 2 a 1. Mas nem o placar adverso contra o segundo colocado tirou o Olympiacos da liderança, mantida até décima segunda rodada.

Uma pequena queda aconteceu novamente em um derby, desta vez contra o AEK. O resultado deixou o time de Valverde empatado em pontos com o Panathinaikos, mas em desvantagem no principal critério de desempate, o confronto direto. Porém, demorou apenas mais duas rodadas para que os rivais tropeçassem e, consequentemente, para que o clube de Pireu assumisse isoladamente a ponta da tabela. Diferença esta que se consolidou ainda mais na décima quinta rodada, fechando o primeiro turno em cinco pontos.

A tranqüilidade que Valverde passa ao seu elenco está dentre as explicações para o sucesso até aqui. Após um começo de temporada muito pior que o dos adversários diretos pelo título, o Olympiacos soube retomar os eixos. O treinador espanhol evitou as crises, enquanto todos os outros grandes clubes gregos sofreram problemas internos. AEK, Panathinaikos e PAOK tiveram trocas no comando. E se Héctor Cúper se mantém firme no Aris, é muito mais pelos feitos na Liga Europa do que no campeonato nacional.

Valverde, sobretudo, conseguiu encaixar com maestria as novas peças contratadas pelo clube. Ao contrário do Panathinaikos, o dinheiro investido deu resultados notáveis em campo. O maior exemplo disso está em Kevin Mirallas. O atacante belga caiu como uma luva na equipe e decidiu sempre que preciso. Mirallas, aliás, deve ser a prioridade nas negociações durante a janela de transferências do verão, já que está emprestado pelo Saint-Étienne somente até o fim da temporada.

Como resultado de sua importância, Mirallas é o artilheiro do time na temporada, com oito gols. Além dele, Dennis Rommedahl e Marko Pantelic ajudam a compor bem o ataque de “novatos”. Já no meio-campo, Albert Riera é o principal armador e conquistou o seu espaço ao lado dos também recém-chegados David Fuster e Ariel Ibagaza. Por fim, na defesa, a grande novidade já está há algum tempo no clube. Ukro Pardo, enfim, ganhou a posição de do experiente Antonios Nikopolidis debaixo das traves, o que já era esperado devido à má forma do antigo titular.

De resto, o time permaneceu o mesmo, especialmente na linha de zaga entrosada, contando ainda com nomes como Mellberg, Raúl Bravo, Avraam e Torosidis. Foi o setor defensivo, aliás, o ponto de equilíbrio da equipe. O time só levou sete gols em 15 jogos, o que resulta na média ínfima de apenas 0,47 tentos por partida. Foram nada menos que dez partidas nas quais a meta da Thrylos passou invicta.

E, depois de seis meses, a temporada já serve para reafirmar a força do Olympiacos. A retomada ainda acontece tímida, no plano doméstico, mas permite sonhos mais altos. O retorno à Liga dos Campeões já na fase de grupos não significa apenas prestígio, mas também um acréscimo financeiro considerável a um clube que não vive a mesma saúde econômica de alguns anos atrás. Mais que um objetivo, o título é um sinal de calmaria na política interna. A torcida, por tabela, agradece.

Depois da bonança, a tempestade

Encerrada a fase de grupos da Liga Europa, três dos quatro clubes gregos e turcos permanecem vivos na competição. A única exceção se faz ao AEK, que jogava em casa e dependia de si próprio, mas que não contou com a compreensão do Zenit. Mesmo classificados, os russos não levaram em consideração as necessidades dos Dikefalos e venceram por 3 a 0. Já o Anderlecht se aproveitou da situação. Venceu o Hajduk Split e, com o mesmo número de pontos dos gregos, levou a melhor por conta da vantagem no confronto direto.

Nas outras partidas da última fase, certa dose de tranquilidade. O classificado Besiktas passou fácil por um CSKA Sofia em crise, enquanto o PAOK, que poderia empatar, venceu o Dinamo Zagreb com gol de Salpingidis. Até o Aris, perseguido de perto de Atlético de Madrid, esteve confortável. Fez a própria parte ao bater o Rosenborg por 2 a 0 e ainda contou com o empate dos Colchoneros, que mesmo se vencessem estariam eliminados.

Agora, com as equipes garantidas nos dezesseis-avos-de-final, a espera é por confrontos difíceis. Afinal, se todos eles conseguiram a classificação, a fizeram na desvantagem de ficarem na segunda posição de suas chaves. O sorteio aguardava adversários duros para a próxima fase.

O Aris, em estado de graça na competição, pega o endinheirado Manchester City, primeiro colocado em um dos grupos mais equilibrados. A única derrota dos Citizens aconteceu ante o surpreendente Lech Poznan, jogando na Polônia. De resto, os ingleses fizeram valer o favoritismo, vencendo três partidas e empatando outras duas.

Dono da segunda melhor campanha até aqui, o CSKA é o adversário do PAOK. Os russos fizeram campanha espetacular na primeira fase, passando com cinco vitórias e um empate, este quando já estavam classificados e utilizavam um time misto contra o Sparta Praga. No mais, a equipe de Moscou é dona do melhor ataque, bem como da segunda melhor defesa.

Por fim, o Besiktas é quem terá um adversário em pior fase. Aquém do que já representou alguns anos atrás, o Dynamo Kiev fez o suficiente para se classificar em primeiro, mas em um grupo que não era dos mais fortes, com BATE Borisov, AZ Alkmaar e Sheriff Tiraspol. Conquistando mais pontos longe de seus domínios, os ucranianos venceram apenas uma partida em casa e empataram outras duas. O destaque do time na Liga Europa é Artem Milevskiy, autor de metade dos dez gols marcados até aqui.

Sem um sorteio generoso, somente os Kara Kartallar têm mais chances de classificação. E isso apenas se mantiverem o retrospecto que tiveram na Liga Europa, bem melhor do que no campeonato nacional. Os tessalonicenses, com um caminho complicado, precisarão muito mais da força de vontade. Ao menos o desempenho do próprio Aris na primeira fase serve como um bom exemplo.

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo