Europa

A torcida do Celtic preparou um lindo tributo a Bertie Auld, um dos eternos Leões de Lisboa, falecido na última semana

Falecido aos 83 anos, Bertie Auld conquistou 15 títulos em 12 anos vestindo a camisa do Celtic

Na última semana, o Celtic se despediu de Bertie Auld. O meio-campista figura na lista de maiores ídolos da história dos Bhoys, com 15 títulos conquistados em 12 anos, incluindo a Copa dos Campeões de 1967. E o luto pelo veterano, falecido aos 83 anos, rendeu uma belíssima homenagem no Hampden Park durante o último sábado. Os alviverdes enfrentavam o St. Johnstone, pela semifinal da Copa da Liga Escocesa, e prepararam um mosaico com o nome de Bertie. Já aos 67 minutos, em referência aos Leões de Lisboa, um bandeirão com o rosto do craque foi desenrolado nas tribunas, em meio à luz dos celulares e dos sinalizadores.

Assim como todo o restante da equipe campeã europeia em 1967, Bertie Auld nasceu e cresceu na região de Glasgow. O então ponta ingressou no Celtic durante a adolescência e foi o primeiro dos futuros Leões de Lisboa a estrear na equipe titular. Posteriormente, o atleta acabou recuado para o meio do campo, onde refinou sua qualidade técnica. E teria uma passagem pelo Birmingham, antes de ser recontratado pelos Bhoys em 1965, a pedido de Jock Stein. A partir de então, viraria um dos pilares do time, não apenas por seu talento e por sua capacidade física, mas também por sua personalidade forte e por sua competitividade. A parceria com Bobby Murdoch na cabeça de área ganhou fama e Auld protagonizou desde cedo as primeiras conquistas sob as ordens de Stein. Até que o ápice viesse na Champions.

O episódio mais emblemático de Bertie Auld aconteceu antes mesmo que a bola rolasse em Lisboa, para a final contra a Internazionale. Quem contou é o capitão Billy McNeill, outro falecido recentemente, em 2019: “Saímos do vestiário e entramos no túnel. Eles nos mantiveram lá por um tempo. Eu me lembro de olhar para o lado e ver que a equipe italiana parecia magnífica. É um uniforme bastante inspirador, além de serem jogadores atléticos, com belos rostos italianos. Então Bertie Auld, um grande caráter, começou a cantar ‘The Celtic Song’ e todos nós o acompanhamos. Vocês deveriam ver as expressões nas faces dos italianos”.

Quando a bola rolou, o Celtic ofereceu uma atuação histórica contra os recentes bicampeões europeus. Bertie Auld fez uma partidaça para controlar o meio-campo, com direito a uma bola no travessão durante o primeiro tempo, e depois seria instrumental para controlar a vantagem no placar durante a reta final. A histórica vitória por 2 a 1 no Estádio Nacional do Jamor garantiu aos alviverdes o primeiro título da Copa dos Campeões a um representante do Reino Unido.

Bertie Auld seguiu colecionando títulos com o Celtic nos anos seguintes. Inclusive, seria um dos responsáveis pela classificação à decisão da Champions também em 1969/70, com uma notável vitória sobre o Leeds United na semifinal. Entretanto, a taça ficaria com o Feyenoord. Aos 33 anos, o meio-campista se despediu da equipe em 1970/71, com o sexto título consecutivo no Campeonato Escocês. Seria carregado nos braços pelos companheiros, em uma bela homenagem. Ainda disputou duas temporadas com o Hibernian, antes de pendurar as chuteiras e se tornar treinador principalmente em times da segunda divisão local.

Nos últimos anos, Bertie Auld ainda seguiu como uma figura costumeira na Celtic TV. Porém, no último mês de junho, o veterano foi diagnosticado com demência. Cinco meses depois, veio a triste notícia de seu falecimento. Agora, dos 11 Leões de Lisboa, apenas quatro continuam vivos: Jim Craig, John Clark, Bobby Lennox e Willie Wallace. A memória dos que partiram, contudo, continua muito bem preservada entre os torcedores do Celtic.

O Celtic venceu o St. Johnstone por 1 a 0 na semifinal da Copa da Liga. Coincidentemente, seu adversário na decisão será o Hibernian, clube no qual Bertie Auld jogou e também foi treinador. Os Hibs derrotaram o Rangers por 3 a 1 no outro duelo semifinal. A decisão certamente reunirá mais tributos a quem permanece como um dos mais famosos jogadores do futebol escocês.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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