Futebol europeu

Endrick, João Pedro…: 5 brasileiros que terão temporadas determinantes para a carreira na Europa

Entre novos clubes, busca por espaço e desejo de voltar à Seleção, cinco jogadores encaram desafios diferentes em 2026/27

A temporada 2026/27 começa na Europa com alguns brasileiros diante de uma “encruzilhada” especialmente importante. Não necessariamente porque estejam em risco de perder espaço ou porque tenham de provar que são bons jogadores, mas porque o próximo ciclo pode definir o tamanho que terão no futebol do continente — e, em alguns casos, também na seleção brasileira.

Para Endrick, João Pedro, Andrey Santos, André e Beraldo, os desafios são diferentes, mas existe uma característica em comum: todos chegam ao novo calendário com uma oportunidade que não pode ser desperdiçada.

Há quem volte de empréstimo precisando finalmente encontrar espaço no maior clube do mundo, quem tenha acabado de renovar após uma temporada de afirmação, quem esteja diante da segunda grande transferência da carreira e quem tenha encontrado uma nova função justamente quando precisava recuperar terreno.

Endrick: O empréstimo acabou, agora é hora de jogar

Endrick em ação pelo Real Madrid
Endrick em ação pelo Real Madrid (Foto: Branislav Racko / IMAGO)

Endrick volta ao Real Madrid com uma bagagem diferente da que tinha quando deixou a Espanha no início de 2026. Emprestado ao Lyon até o fim da temporada, o atacante encontrou na França a sequência que não teve em Madri e respondeu com números expressivos: foram oito gols e sete assistências em 21 partidas. O vínculo com o clube francês terminou em junho, e o ex-Palmeiras se reapresentou ao Real no fim de julho para iniciar a preparação sob o comando de José Mourinho.

O problema é que o bom período na França não resolve automaticamente a questão que o acompanha desde a chegada ao futebol espanhol: quanto Endrick vai jogar? Aos 20 anos, ele ainda precisa de minutos para transformar potencial em presença, sobretudo em um elenco que conta com Mbappé e outras opções ofensivas. O cenário também não é totalmente definido: o Real indicou a intenção de mantê-lo, mas novos rumores de empréstimo apareceram durante a janela.

Se permanecer no Bernabéu, Endrick terá uma oportunidade que talvez seja mais importante do que qualquer estatística isolada: convencer Mourinho de que pode ser uma solução real, e não apenas um projeto de craque para o futuro. O empréstimo ao Lyon mostrou que ele consegue produzir quando recebe espaço. Agora, o desafio é conquistar esse espaço no maior clube do mundo.

João Pedro: Depois de ser o melhor do Chelsea, a cobrança muda

João Pedro caiu nas graças da torcida do Chelsea
João Pedro caiu nas graças da torcida do Chelsea (Foto: Craig Mercer / Peak Action Photos / IMAGO)

João Pedro não começa 2026/27 tentando provar que consegue jogar em alto nível na Inglaterra. Ele já fez isso por três clubes — Watford, Brighton e Chelsea. Em sua primeira temporada completa pelos Blues, marcou 20 gols, deu seis assistências e foi eleito pelos torcedores o melhor jogador do clube em 2025/26.

Por isso, a próxima cobrança é maior. João Pedro renovou com o Chelsea até 2033, em um movimento que afastou o interesse de outros gigantes europeus e confirmou a maneira como o clube passou a enxergá-lo: não como uma boa contratação, mas como uma peça central do projeto.

Existe ainda uma ferida recente que ajuda a explicar o peso de 2026/27. Mesmo depois da temporada de 20 gols, João Pedro ficou fora da convocação de Carlo Ancelotti para a Copa do Mundo.

A resposta mais natural para um atacante que acabou de ser eleito o melhor jogador de seu clube é transformar a frustração em continuidade. O Chelsea já lhe deu respaldo. Agora, ele precisa fazer da excelente primeira temporada o começo de um novo patamar, e não um ponto fora da curva.

Andrey Santos: Milhões da transferência colocam outro peso sobre seus ombros

Andrey Santos em ação pelo Manchester United
Andrey Santos em ação pelo Manchester United (Foto: Grzegorz Wajda / ZUMA Press Wire / IMAGO)

Andrey Santos chega ao Manchester United diante de um cenário completamente diferente do que encontrou no Chelsea. Depois de empréstimos ao Nottingham Forest e ao Strasbourg e de uma temporada em que passou a ser mais utilizado em Londres, o volante trocou de clube dentro da própria Premier League. O United desembolsou 56 milhões de euros pela contratação, e assinou com o ex-Vasco por cinco anos.

O valor, por si só, aumenta a expectativa. Mas existe uma razão futebolística para a aposta: Andrey chega para ocupar um espaço deixado por Casemiro e encontra em Manchester uma possibilidade maior de assumir protagonismo.

No Chelsea, a concorrência com nomes como Moisés Caicedo, Enzo Fernández e Roméo Lavia dificultava a construção de uma sequência; no United, a expectativa é que tenha mais espaço para mostrar o repertório que o transformou em uma das principais promessas do futebol brasileiro.

A temporada, portanto, será um teste de maturidade. Andrey já não chega como jovem contratado para ser desenvolvido em empréstimos sucessivos. Ele foi comprado por uma cifra alta e levado para um dos clubes mais pesados da Inglaterra justamente para dar um passo à frente. Depois de ficar fora da Copa do Mundo, apesar de ter participado do ciclo da Seleção, 2026/27 também pode ser a plataforma para voltar ao radar de Ancelotti.

André: A missão de recolocar o Wolves na Premier League

André em ação pelo Wolverhampton
André em ação pelo Wolverhampton (Foto: Gareth Evans / Sportimage / IMAGO)

André tomou uma decisão que muda completamente o contexto de sua temporada. Depois do rebaixamento do Wolverhampton, o volante poderia ter buscado outro clube e permanecido na primeira divisão inglesa, mas decidiu continuar em Molineux. Em maio, assinou um novo contrato até 2030, com opção por mais um ano, e assumiu a intenção de participar da reconstrução dos Wolves.

A Championship será um ambiente novo para o ex-Fluminense, mas a responsabilidade não será pequena. André se tornou uma peça importante do meio-campo do Wolves desde sua chegada e terminou o difícil ciclo de 2025/26 com prestígio preservado dentro do clube. A direção tratou sua permanência como um sinal de que o time pretende voltar rapidamente à elite.

Para o jogador, é uma temporada com uma espécie de dupla recompensa possível. Se conseguir liderar o meio-campo e ajudar o Wolves a retornar à Premier League, André sairá da segunda divisão inglesa com uma história de reconstrução bem-sucedida. Aos 25 anos, será também uma oportunidade para reafirmar que pode ser mais do que um volante competitivo na Inglaterra: pode ser um dos líderes de um projeto e recuperar espaço no cenário da Seleção.

Beraldo: Da zaga ao meio, uma nova chance no PSG

Beraldo em ação pelo PSG
Beraldo em ação pelo PSG (Foto: Xavi Bonilla / DeFodi Images / Icon Sport)

A história de Beraldo talvez seja a mais curiosa entre os cinco. Contratado pelo Paris Saint-Germain como zagueiro, o ex-São Paulo demorou para conquistar uma sequência mais consistente e chegou a ser apontado como um jogador que precisava encontrar seu espaço no elenco. A mudança de função promovida por Luis Enrique, porém, abriu uma porta inesperada.

Em abril, Beraldo passou a atuar como volante e recebeu elogios do treinador depois de uma atuação como titular contra o Toulouse. E a experiência não ficou restrita a uma improvisação pontual. Luis Enrique chegou a comparar suas características às de Sergio Busquets, destacando justamente a capacidade do brasileiro de fazer o jogo avançar a partir de uma posição mais recuada.

Agora, a questão é se a nova função pode virar uma oportunidade permanente. O PSG começa 2026/27 com Beraldo no elenco e com o cria de Cotia tendo conquistado um espaço que parecia mais distante meses antes. A possibilidade de atuar como volante aumenta suas alternativas e pode ser especialmente importante para sua carreira internacional.

Depois de ficar fora da Copa do Mundo, Beraldo precisa de sequência para voltar a ser considerado por Ancelotti. Se conseguir transformar a adaptação ao meio-campo em uma arma real, pode deixar de disputar somente uma vaga na zaga e passar a oferecer à Seleção uma alternativa em duas posições.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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