20 anos da Inter campeã da Copa Uefa: Ronaldo cumpre o desejo nerazzurro

Quando Ronaldo foi trazido a peso de ouro pela Internazionale (no que era a mais cara transferência da história do futebol em 1997, 27 milhões de dólares), esperava-se que ele fosse o personagem a levar o clube nerazzurro a alturas que ele não frequentava havia muito tempo. Por motivos variados – a polêmica arbitragem de Piero Ceccarini no Juventus x Inter da Serie A de 1997/98, as gravíssimas lesões no joelho, o desejo de ir rumo ao Real Madrid em 2002 -, o carioca do bairro de Bento Ribeiro não conseguiu ser esse personagem. Mas houve pelo menos uma vez em que ele cumpriu esse desejo interista. E essa vez faz 20 anos neste domingo: a conquista do título da Copa da Uefa, na final em Paris, contra a Lazio.
E na primeira vez em que o antigo torneio foi definido numa única partida, os sul-americanos da Inter trataram de começar a fazer o que já vinham fazendo: serem os protagonistas do triunfo. O primeiro a aparecer estava até mais habituado a ser idolatrado pela torcida nerazzurra: Iván Zamorano. Autor do primeiro gol no 2 a 1 do jogo de ida das semifinais, contra o Spartak Moscou, “Bam-Bam” abriu o placar logo aos cinco minutos, completando lançamento com toque sutil na saída do goleiro Luca Marchegiani.
O domínio da Inter sobre a adversária romana ficava claro com as bolas na trave – vindas tanto de Ronaldo quanto de Zamorano, o ataque perturbador da Inter. Mesmo que tivesse um time tão respeitável quanto o de Milão – contando com Pavel Nedved no meio, e com os gols de Pierluigi Casiraghi como principal aposta, tendo Roberto Mancini ao lado no ataque -, a Lazio não conseguia oferecer grande ameaça ao gol de Gianluca Pagliuca. Entretanto, só no segundo tempo o placar do Parque dos Príncipes estampou claramente o que se via em campo.
Isso ocorreu num espaço de dez minutos, dentro da etapa complementar. Aos 15, num chute forte, outro sul-americano se colocou no coração da torcida interista – como faria muitas vezes ainda, aliás: Javier Zanetti fez 2 a 0, num chute forte no ângulo esquerdo de Marchegiani. E aos 25, quando a Lazio já abria espaços para o contra-ataque, a Inter aproveitou. E Ronaldo foi mais Ronaldo: dominou livre, chegou à área, fez seu tradicional drible de corpo, passou por Marchegiani e fez 3 a 0, num gol que se tornaria um dos mais típicos de sua carreira (e um dos mais repetidos retrospectivas afora).
A expulsão de Matías Almeyda, a dois minutos do fim, pelo segundo cartão amarelo, foi o sinal derradeiro da inferioridade laziale naquela decisão. E logo a Internazionale pôde comemorar o título. Com muitos sul-americanos tendo contribuído para ele – de Zé Elias a Diego Simeone, de Zanetti a Zamorano (sem contar gente como Pagliuca e Aron Winter, também transbordando experiência). Havia ainda Youri Djorkaeff, tão protagonista do time quanto os autores dos gols na final. Mas um deles, Ronaldo, cumpriu a tarefa para a qual foi contratado: simbolizar uma Inter campeã. Pelo menos, naquele 6 de maio de 1998.



