Estados Unidos

Zebra solta

A zebra correu solta nos jogos de volta das semifinais das conferências, válidos pelos playoffs da MLS Cup. Depois de jogos de ida fracos tecnicamente e sem emoções, os jogos de volta foram emocionantes e surpreendentes.

Para começar, os dois melhores times da temporada regular foram eliminados pelas equipes que se classificaram apenas na última rodada. D.C. United e Chivas USA, campeões das conferências Leste e Oeste na temporada regular, respectivamente, deram adeus à disputa da MLS Cup depois de não conseguirem reverter a derrota por 1×0 que sofreram no primeiro jogo.

O D.C. United, melhor equipe disparada da temporada regular, ganhadora do Supporters’ Shield, havia perdido por 1×0 o jogo de ida para o Chicago Fire e jogava o jogo de volta em seu estádio. Mas o que era considerado o melhor time da temporada não conseguiu quebrar o tabu de nunca haver vencido o Chicago em playoffs, e apenas empatou em 2×2 a partida, dando um precoce adeus ao torneio.

Jogando nos contra-ataques, o Fire fez logo 2×0 com um gol de Chad Barrett e outro de Chris Rolfe, aos 31 e aos 33 do primeiro tempo. Parecia que a classificação estava garantida, mas o United recuperou-se no segundo tempo e empatou a partida com Clyde Simms e Christian Gómez, aos 24 e aos 29 minutos. A partir daí, foi pressão total do United com apoio de sua torcida, mas os ‘Men in Red’ conseguiram se segurar e manter o empate até o final.

Assim, o Fire manteve o tabu de nunca haver perdido para o United em jogos de playoffs, mas pelo menos o United conseguiu quebrar o tabu de marcar gols no Fire em playoffs, o que nunca havia feito também. O empate terminou melancolicamente com uma temporada que vinha sendo brilhante para o D.C., que no fim não conseguiu vencer nenhum de seus últimos 6 jogos, incluindo aí a derrota para o Guadalajara na Copa Sul-Americana. O D.C. ainda repetiu o ano passado, quando também ganhou o Supporters’ Shield, mas não chegou nem às finais da MLS Cup.

A outra grande zebra da rodada foi a eliminação do Chivas USA. O melhor time e o melhor ataque do Oeste na temporada regular não conseguiu marcar um gol sequer no KC Wizards, último a se classificar no Leste, e também se despediu precocemente da competição.

Após a derrota por 1×0 no jogo de ida em Kansas City, o Chivas foi com tudo para cima do Wizards no jogo de volta em Los Angeles. O Wizards defendeu-se como pode e, com uma atuação magistral do goleiro Kevin Hartman, o Chivas não conseguiu marcar um gol sequer, e o empate por 0x0 acabou classificando o Kansas para a final da Conferência Oeste (mesmo sendo um time do leste, coisas de regulamento…).

Da mesma forma que o United, o jovem time do Chivas, que pela primeira vez chegou aos playoffs da MLS Cup, não conseguiu reverter a derrota sofrida no primeiro jogo e sai antes do esperado da competição.

Visto de fora, as eliminações precoces de D.C. United e Chivas USA podem deixar parecer um sistema injusto, que não premia os melhores. Essa afirmação não deixa de ser verdadeira, e vemos tanto no campeonato brasileiro como nos campeonatos europeus que o sistema de pontos corridos realmente é o mais justo e premia as melhores equipes. Porém, para o público americano, a emoção está mesmo no sistema de playoffs. Não só a MLS tem esse sistema, mas todos os outros esportes profissionais dos Estados Unidos também têm. O que vale para o torcedor estadounidense é a adrenalina dos jogos mata-mata, onde o time somente pode ser considerado melhor que o outro se resistir à pressão e eliminar seu oponente.

Sem zebras

Nos outros dois jogos de volta das semifinais das conferências, venceram os favoritos, mas não sem passar sufoco.

Pela Conferência Leste, o NE Revolution bateu o NY Red Bull por 1×0, gol do artilheiro Taylor Twellman aos 19 minutos do segundo tempo. O jogo foi equilibrado, com boas chances de gols para as duas equipes, e que acabou sendo resolvido no oportunismo do artilheiro do Revolution. Assim como Twellman aproveitou uma das chances que teve e não perdoou, Angel do Red Bull teve as suas e não conseguiu marcar. Com isso, o segundo time que mais investiu em jogadores na temporada deste ano foi eliminado, mostrando que nem sempre o mais rico leva vantagem.

Pela Conferência Oeste, o Houston Dynamo bateu o seu rival de estado FC Dallas por 4×1, e garantiu a participação em sua segunda final de conferência seguida, em 2 anos de existência.

O resultado elástico, conseguido apenas na prorrogação, demonstra a superioridade do Dynamo sobre o Dallas de Denílson (o jogador brasileiro, não o estagiário com potencial), mas não reflete o sufoco que o Houston passou até conseguir marcar seu primeiro gol. Isso porque o Dallas saiu na frente aos 14 minutos do primeiro tempo com Carlos Ruiz, e o goleiro do Houston Pat Onstad teve bastante trabalho para evitar outros gols dos ‘Hoops’. O Dynamo somente conseguiu empatar aos 22 minutos do segundo tempo, com Stuart Holden. Cinco minutos depois, a estrela do herói do jogo começou a brilhar: Brian Ching marcou o gol da virada do Houston aos 27 minutos do segundo tempo. O resultado de 2×1 foi mantido até o fim e o jogo foi para a prorrogação (não são contados os gols fora de casa).

No tempo extra, Brian Ching novamente e Brad Davis marcaram para o Houston e determinaram a goleada sobre os ‘Hoops’, garantindo a classificação para mais uma final de conferência.

Finais

Jogadas as partidas semifinais, foram decididos, então, os confrontos das finais de cada conferência. Diferentemente das semifinais, as finais serão disputadas em apenas um jogo, na casa do time de melhor campanha. Os vencedores de cada conferência disputarão a MLS Cup no dia 18 de novembro, no RFK Stadium, em Washington.

Pela Conferência Leste, mais uma vez se encontrarão NE Revolution e Chicago Fire, a mais nova e acirrada rivalidade do Leste. Ambos os times se encontraram nos playoffs dos últimos dois anos, sempre com vantagem para o Revolution, que eliminou o Fire na final da Conferência Leste de 2005 e na semifinal da Conferência Leste de 2006 (neste caso, nos pênaltis). O jogo será no dia 8 de novembro no Gillette Stadium em Boston.

A final da Conferência Oeste, por uma esquisitice do regulamento, será entre o atual campeão Houston Dynamo e o KC Wizards, equipe que joga na Conferência Leste. Como houve mais classificados do Leste do que do Oeste, o Wizards teve que jogar os playoffs na chave do Oeste, e agora vai disputar o título dessa conferência contra o Dynamo, que não perdeu ainda para o Kansas nessa temporada. O jogo será no dia 10 de novembro no Robertson Stadium em Houston.

You’re fired!

Os dois técnicos das equipes que mais investiram na MLS não suportaram a eliminação precoce de suas equipes no torneio e não dirigirão mais suas equipes no ano que vem.

O primeiro caso não foi de demissão. O técnico Frank Yallop, do milionário LA Galaxy, decidiu mudar de ares e voltar a treinar o San Jose Earthquakes, equipe que voltará à MLS no ano que vem e onde Yallop já havia passado, tendo sido inclusive campeão da MLS Cup. Alegando ‘motivações familiares’, Yallop decidiu mudar-se alguns quilômetros ao norte e tentar reviver os momentos vitoriosos que passou quando treinou o San Jose. O fato, porém, é que Yallop tinha nas mãos o elenco mais forte e rico da MLS, e não conseguiu sequer classificar o time para os playoffs. Tudo bem que problemas de ausências de jogadores por compromissos com seleções e contusões, principalmente a de Beckham, atrapalharam o trabalho. Mas a recuperação da equipe nas últimas 8 rodadas da temporada regular mostrou que o time tinha condições de ter feito campanha muito melhor, e talvez estar até agora em atividade.

O outro caso foi a demissão surpreendente (apesar das partes dizerem que foi um ‘acordo bilateral’) de Bruce Arena, ex-técnico da seleção norte-americana nas Copas do Mundo de 2002 e 2006, que havia assumido o NY Red Bull no final da temporada passada. Com liberdade para montar a equipe deste ano, Arena mesclou jovens promessas, como Jozy Altidore, com consagrados veteranos, como Claudio Reyna e Juan Pablo Angel. A mistura não deu resultado e o Red Bull comandado por Arena não teve asas. O técnico obteve 16 vitórias e 16 derrotas à frente da equipe em 42 jogos.

Apesar de ter sido a segunda equipe que mais investiu em contratações para esta temporada, classificou-se apenas em terceiro lugar na Conferência Leste, sendo eliminado na primeira rodada dos playoffs para o NE Revolution, fator determinante para esse ‘acordo mútuo’ que resultou na saída do experiente treinador. Donald Trump, apresentador do programa ‘O Aprendiz’ norte-americano, também não perdoaria.

Prêmios

A MLS entregou nesta semana outro ‘lote’ de prêmios de final de temporada. Michael Parkhurst do NE Revolution recebeu o prêmio de melhor defensor do ano, Eddie Johnson do KC Wizards recebeu o prêmio de ‘comeback player of the year’ (jogador com melhor desempenho no ano após período de inatividade) e o juiz Brian Hall recebeu o prêmio de melhor árbitro do ano. Os premiados foram eleitos com votos da mídia, dos jogadores, dos técnicos e dos diretores de todas as equipes da MLS, além dos outros árbitros, no caso do prêmio de árbitro do ano.

Michael Parkhurst tem 23 anos e está em sua terceira temporada como profissional. Parkhurst havia sido eleito o estreante do ano em 2005, e neste ano ganhou o prêmio de ‘Fair Play’ individual e foi escolhido para integrar a equipe dos All-Stars, que bateu o Celtic FC da Escócia por 2×0. Além disso, Parkhurst fez parte do elenco da seleção norte-americana que venceu a Copa Ouro da CONCACAF este ano. Nessa categoria de melhor defensor do ano, Eddie Robinson do Houston Dynamo e Claudio Suarez do Chivas USA ficaram no pódio com Parkhurst.

Eddie Johnson também tem 23 anos mas já está em sua sétima temporada como profissional. Johnson foi escolhido o ‘comeback player of the year’ não por ter voltado de contusão, mas por ter tido uma temporada de 2007 espetacular depois de um 2006 desastroso, marcado por ausências e inconstâncias, devido à seleção norte-americana e a suspensões de seu time. Neste ano Johnson marcou 15 gols e deu 6 assistências nos 24 jogos que participou pelo Wizards, sendo uma das peças-chave na classificação da equipe para os playoffs. Ele ainda fez história por ser o primeiro jogador da MLS a marcar 3 gols em uma mesma partida (‘hat trick’), em 2 partidas consecutivas. Johnson também foi escolhido para integrar a equipe dos All-Stars deste ano. Nessa categoria de ‘comeback palyer of the year’, Frankie Heiduk do Columbus Crew e Pat Noonan do NE Revolution dividiram o pódio com Johnson.

Por fim, Brian Hall recebeu o prêmio de melhor árbitro do ano pela quarta vez, sendo esta a terceira vez consecutiva. Hall, que está na MLS desde a primeira temporada, é considerado o melhor árbitro dos Estados Unidos e representou o país em competições internacionais da FIFA, incluindo a Copa do Mundo de 2002. Nessa categoria de melhor árbitro do ano, Jair Maruffo e Alex Prus dividiram o pódio com Hall.

SHOOTOUTS

– Todos os vencedores do prêmio de Melhor Defensor do Ano:

2007: Michael Parkhurst – New England Revolution
2006: Bobby Boswell – D.C. United
2005: Jimmy Conrad – Kansas City Wizards
2004: Robin Fraser – Columbus Crew
2003: Carlos Bocanegra – Chicago Fire
2002: Carlos Bocanegra – Chicago Fire
2001: Jeff Agoos – San Jose Earthquakes
2000: Peter Vermes – Kansas City Wizards
1999: Robin Fraser – Los Angeles Galaxy
1998: Lubos Kubik – Chicago Fire
1997: Eddie Pope – D.C. United
1996: John Doyle – San Jose Earthquakes

– Todos os vencedores do prêmio ‘Comeback Player of the Year’:

2007: Eddie Johnson – Kansas City Wizards
2006: Richard Mulrooney – FC Dallas
2005: Chris Klein – Kansas City Wizards
2004: Brian Ching – San Jose Earthquakes
2003: Chris Armas – Chicago Fire
2002: Chris Klein – Kansas City Wizards
2001: Troy Dayak – San Jose Earthquakes
2000: Tony Meola – Kansas City Wizards

– Todos os vencedores do prêmio de melhor árbitro do ano:

2007: Brian Hall
2006: Brian Hall
2005: Brian Hall
2004: Abiodun 'Abbey' Okulaja
2003: Brian Hall
2002: Kevin Terry
2001: Paul Tamberino
2000: Paul Tamberino
1999: Paul Tamberino
1998: Paul Tamberino
1997: Esse Baharmast

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